Violência contra o professor é tema de audiência pública
Violência contra o professor é tema de audiência pública

A Câmara Legislativa realizou, na manhã desta segunda-feira (18), audiência pública para debater a questão da violência contra o professor e construir soluções conjuntas para o problema que atinge grande parte das escolas públicas e privadas do DF. Uma iniciativa do deputado Prof. Israel (PV), a audiência reuniu educadores, sindicalistas, integrantes do governo e estudantes em torno das dificuldades enfrentadas diariamente por professores dentro e fora de sala de aula.
"Alguns dados falam por si mesmos: 84% dos professores brasileiros não se sentem valorizados e 12,5% deles afirmam trabalhar sob ameaça. Infelizmente o professor perdeu o respeito social. É comum as pessoas perguntarem a um professor se ele trabalha com alguma outra coisa além de dar aulas. O desprestígio e o desrespeito surgem em todos os níveis, inclusive nas altas cúpulas do poder, como pudemos comprovar na violenta repressão estatal contra os professores, no Paraná", observou Israel.
Para o diretor do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares (Sinproep-DF), Rodrigo Pereira de Paula, a situação é ainda mais grave na iniciativa privada. "Muitas vezes o próprio dono da escola impede a autoridade do professor para não perder alunos. O sentimento é de impotência e de impunidade. E o pior é que o professor que não suporta a pressão e entra com atestado médico é, na maioria dos casos, demitido sumariamente. Por isso que 75% da nossa categoria enxerga a profissão como um trabalho provisório", ressaltou.
O deputado Prof. Reginaldo Veras (PDT) enfatizou o papel da família como principal responsável pela educação. "Não é a família que tem que auxiliar a escola na educação, mas exatamente o contrário. Como vamos exigir que um professor eduque e transmita ensinamentos éticos a 50 ou 100 alunos, quando os próprios pais são incapazes de educar um ou dois filhos? Quando os pais não exigem disciplina, os filhos chegam à escola sem nenhum respeito pela autoridade do professor, e aí surge o conflito. O mais grave é que muitas famílias entram em confronto com o professor, quando deveriam atuar em conjunto com ele", afirmou.
Projeto de lei – "A situação dos professores é tão grave que foi preciso apresentar um projeto de lei para garantir direitos básicos ao educador. Isso já deveria estar arraigado na nossa cultura, mas lamentavelmente a realidade é outra e somos obrigados a recorrer ao direito para garantir condições de trabalho para esses profissionais", justificou Prof. Israel ao apresentar seu projeto de lei nº 333/2015, que assegura a autoridade do professor na sala de aula. O projeto, que tramita nas comissões da CLDF, trata de medidas socioeducativas, procedimentos em casos de violência ou ameaça de violência e deveres das instituições de ensino. O projeto foi bem recebido pelos participantes da audiência, que contribuíram com sugestões ao texto.