Estatuto do Idoso completa 12 anos com pouca efetividade
Estatuto do Idoso completa 12 anos com pouca efetividade

Criado há 12 anos para garantir os direitos das pessoas de mais idade, o Estatuto do Idoso pouco tem se refletido na prática. A constatação foi apresentada pela equipe do Programa de Vigilância Sanitária na Atenção Integral ao Idoso (Pro-Pais) em sessão solene realizada pela Câmara Legislativa na manhã desta segunda-feira (23), por iniciativa do deputado Bispo Renato (PR). A sessão foi acompanhada por dezenas de idosos, acompanhados por instrutores de capoterapia, uma técnica de consciência corporal ligada à capoeira.
Para a coordenadora do Pro-Pais, Maria das Graças Machado Britto, falta mais atenção do poder público para a implementação de políticas voltadas aos idosos. "Objetivamente, precisamos desburocratizar os processos para instalação de novos abrigos. Além disso, faltam nos currículos acadêmicos tópicos voltados para a geriatria, pois precisamos de mais profissionais capacitados", afirmou.
A defensora pública Paula Regina de Oliveira também cobrou a execução de políticas públicas e disse não lamentar a extinção da Secretaria do Idoso pelo Governo do Distrito Federal. "Nós não precisamos de cabides de emprego, mas sim da implementação da política para os idosos", ressaltou. A defensora também fez uma reflexão crítica ao lembrar que atualmente há 96 idosos aguardando na fila para uma vaga em abrigo. "Sabemos que apenas 20% dos idosos que estão na fila realmente precisam de um abrigo. Muitos são segregados em abrigos pela própria família, mas temos que lembrar que o abrigo deveria ser a exceção, não a regra. Precisamos seguir o exemplo de cidades como São Paulo e Belo Horizonte, que contam com cuidadores individuais que atuam nas residências dos idosos", apontou.
Paula Regina também destacou o fechamento de abrigos do DF que não se adequaram às determinações do Estatuto do Idoso. "Dos 24 abrigos que existiam, sobraram 9 totalmente regularizados. Sabemos que há outros abrigos clandestinos em funcionamento, mas enfrentamos dificuldades para fiscalizar. Para se ter uma ideia, não temos sequer um carro para fazer as visitas", reclamou.
A promotora de Justiça Sandra de Oliveira Julião também relatou dificuldades. "Sou a única promotora que atende casos relacionados aos idosos em todo o DF. Minha luta é para garantir a dignidade dos idosos, mas é preciso também uma maior atuação desta Câmara Legislativa. O direito de prioridade no atendimento a idosos, por exemplo, não foi regulamentado até hoje. Esse é um papel que deve ser cumprido por esta Casa. Além disso, sobram emendas parlamentares de orçamento para centros de convivência e não se vê nenhuma dessas emendas voltadas para os centros de atendimento", afirmou.