CLDF destaca importância da amamentação e das doadoras de leite humano no DF
CLDF destaca importância da amamentação e das doadoras de leite humano no DF
A iniciativa, proposta pelo deputado Jorge Vianna (DEM), ressaltou a relevância da amamentação e o papel essencial das doadoras
Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

O plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal foi palco, nesta segunda-feira (1º), de sessão solene em celebração ao Dia Mundial da Doação do Leite Materno. A iniciativa, proposta pelo deputado Jorge Vianna (DEM), ressaltou a relevância da amamentação e o papel essencial das doadoras na garantia da proteção imunológica de recém-nascidos que não podem ser amamentados por suas mães.
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Durante a abertura da solenidade, Jorge Vianna destacou que o Brasil possui a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo, tendo, inclusive, sediado, no mês passado, o primeiro Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano. Apesar dos avanços, o parlamentar alertou que a escassez de doadoras ainda é um dos principais desafios enfrentados.
“Se puderem, doem. Se não puderem, apoiem as doadoras e divulguem as campanhas. O leite materno é um superalimento e, em muitos sentidos, insubstituível. Os bebês prematuros e de baixo peso, cuidados em UTIs neonatais, precisam desse leite. É uma questão de vida ou morte”, enfatizou o distrital.
O deputado também reforçou que o processo de doação é simples e acessível. “Qualquer mãe saudável, que possua leite sobrando, pode fazê-lo. É só seguir as orientações no site Amamenta Brasília. Os servidores do banco de leite também podem dar as informações necessárias, basta ligar para o telefone 160, opção 4“, complementou.
Vianna ainda mencionou a Lei Distrital nº 7.711/2025, de sua autoria, que garante isenção da taxa de inscrição em concursos públicos do DF para mulheres doadoras de leite materno.
Amamentação
A enfermeira do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), Renata Haag, chamou atenção para receios comuns entre mulheres em relação à amamentação, especialmente ligados a alterações corporais. Segundo ela, os benefícios à saúde são amplos e comprovados. “A amamentação tem efeito protetivo e acumulativo contra o câncer de mama. Durante a amamentação ocorre o último estágio de maturação celular da mama, justamente um fator protetivo. Vamos amamentar para conseguir os benefícios para o binômio mãe-bebê.”
A coordenadora da política de aleitamento materno da Secretaria de Saúde do DF, Maria das Graças Cruz Rodrigues, destacou o tema da campanha deste ano: "Doação de Leite Humano: Solidariedade que nutre, vida que cresce". “É muito além de um ato biológico, estamos falando de uma escolha consciente da mulher de dividir o alimento de seu bebê com outras pessoas, é compartilhar vida. São mulheres que transformam a abundância que elas têm em esperança para outras famílias”, completou.
Representando o Banco de Leite Humano do Hospital Anchieta, a responsável técnica Mariana Palhares Temer apresentou os serviços oferecidos gratuitamente, como cursos para gestantes, e relembrou a atuação da rede em situações emergenciais, como nas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. “A gente conseguiu mobilizar a nossa rede e doar para o Rio Grande do Sul e também exportamos tecnologia para a África e a América Central. Estamos aqui para servir”, disse.
Também presente na solenidade, Renara Guedes, representante do Ministério da Saúde, destacou que o Brasil registra uma taxa de prematuridade de 12%, o que corresponde a cerca de 300 mil nascimentos prematuros por ano, reforçando a importância da rede de bancos de leite. "É para esses bebês que a rede trabalha tanto. É importante enfatizar que 300 ml de leite materno podem alimentar até 10 bebês por dia”.
Logística
A chefe do Banco de Leite do Hospital de Brazlândia, Anne Oliveira Pereira, abordou os desafios logísticos enfrentados na captação de doadoras, especialmente em áreas mais afastadas e rurais, incluindo municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride).
“Lidamos com locais distantes, chácaras, zonas rurais, onde as doadoras não conseguem chegar e nós é que temos que chegar a elas. Existe essa dificuldade, mas, com mais divulgação nos municípios, alguns desses gargalos podem ser reduzidos” afirmou.
Encerrando as falas, a maior doadora de leite do Distrito Federal, Ana Paula Caetano Dias Anchieta, compartilhou sua experiência pessoal após o nascimento prematuro de seu filho, com apenas 25 semanas de gestação e 890 gramas. Além de alimentar o próprio filho, ela conseguiu produzir leite suficiente para ajudar outros bebês internados em UTI neonatal.
“Manter essa produção foi muito difícil, sem o estímulo da boquinha do bebê, A gente venceu essa batalha, pois meu filho teve o leite garantido e consegui doar para os demais. Era lindo demais ver as outras mães felizes”, rememorou. Ana Paula também alertou sobre períodos críticos de escassez nos bancos de leite, quando fórmulas precisam ser utilizadas como alternativa. “Quem puder doar doe, porque doação é amor. Qualquer quantidade é importante”, ressaltou a recordista.
Bruno Sodré - Agência CLDF