Audiência debate crise do setor produtivo
Audiência debate crise do setor produtivo

A crise no setor produtivo e o fechamento de estabelecimentos comerciais no DF concentraram os debates durante audiência pública na tarde desta sexta-feira (22) no plenário. A mediadora da audiência, deputada Sandra Faraj (SD), disse que sua intenção ao convidar o Executivo, o setor produtivo e os parlamentares para debater os desafios do setor é estabelecer um "diálogo social neste momento de crise que Brasília está vivendo".
"Precisamos de um choque no setor produtivo", considerou o deputado Joe Valle (PDT). Segundo ele, o governo quer "enxugar a máquina e colocar a conta no colo do setor produtivo". Valle sugeriu a realização de um seminário nos próximos dias para extrair soluções concretas.
Cerca de 2.500 estabelecimentos comerciais do Plano Piloto foram desativados neste ano, o que representa 21% do setor, de acordo com o presidente da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), Cléber Pires. Nos próximos seis meses, ele estima que quinze mil estabelecimentos devem fechar as portas em todo o DF. "Essa não é a Brasília que queremos", afirmou. Dentre os motivos, Pires aponta: "falta de segurança pública; falta de estacionamento público; a carga tributária é alta e a burocracia é grande". Por isso, segundo ele, "a cada dia mais empresas vão embora do DF".
O presidente do Sindvarejista, Edson Castro, alega que "está faltando dinheiro no mercado". Como solução, ele sugere "a liberação de obras paradas" para que o setor da construção civil volte a contratar. Castro também defendeu a ocupação das administrações regionais por "pessoas competentes e não por cabides de emprego".
Segundo o presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar, "assistimos ao êxodo de empresas do DF e precisamos do apoio desta Casa". Para a "mudança da matriz do desenvolvimento no DF", ele discrimina duas ações complementares: a formação técnica qualificada, similar àquela ofertada pelo SESC e SENAC, e a instalação do parque digital. "A vocação do DF é a tecnologia de ponta", acredita.
Potencialidades – O secretário-adjunto de Desenvolvimento Sustentável do DF, Francisco de Assis da Silva, anunciou a liberação de 3.500 lotes a fim de atrair novas empresas para o Distrito Federal. Disse ainda que, até o final de maio, a secretaria entregará um estudo à Câmara sobre o desenvolvimento sustentável, inclusive com uma "plataforma logística" da área.
"Precisamos identificar quais são as reais potencialidades das diferentes regiões administrativas do DF", afirmou o secretário-adjunto de Relações Institucionais, Manoel Antônio Vieira. "Não tenho dúvidas sobre a capacidade empreendedora do DF", alegou. A mesma posição tem o subsecretário de empreendedorismo da Secretaria de Trabalho e Empreendedorismo, Thiago Jarjour. "Brasília é a quinta cidade mais empreendedora do país", citou. Ele contou que ouviu uma triste piada: "A única franquia em expansão em Brasília é ‘aluga-se o ponto'. Temos que reverter esse viés", afirmou.
Os empresários presentes na audiência pública também reivindicaram mais incentivos para a revitalização das áreas de comércio da cidade, especialmente na avenida W3. Outra reclamação levantada pelos membros do setor produtivo se refere ao alto índice de atestados médicos emitidos para funcionários, muitas vezes sem comprovação.
O deputado Dr. Michel (PP) participou do debate e ressaltou a importância da segurança pública para a cadeia produtiva. "Muitas lojas estão fechando por falta de segurança. Hoje em dia não adianta mais resolver isso com ações sociais, o que precisamos é levar bandido para a cadeia. Os empresários precisam se mobilizar pela redução da maioridade penal e pressionar o Buriti para garantir mais tranquilidade para trabalhar", afirmou.
Para Adelmir Santana, presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio), é preciso recuperar o desenvolvimento de Brasília. "Precisamos mesmo de um plano de desenvolvimento regional que inclua de fato o Entorno do Distrito Federal", observou. Juliana Ribeiro, empresária do ramo de tecnologia, solicitou mais apoio do governo para a capacitação de funcionários, afirmando ser "uma necessidade urgente para muitas empresas que precisam de profissionais qualificados e não encontram".