Professor diz que Brasil nunca foi tão democrático
Professor diz que Brasil nunca foi tão democrático

Profundo conhecedor do processo legislativo brasileiro, Barbosa lembrou aos deputados recém eleitos que a instituição do Poder Legislativo no Brasil está completando, em 2006, 180 anos e que, na maioria do tempo, funcionou. "Mesmo durante a ditadura militar", sublinhou o professor, "o Congresso foi mantido aberto, apesar de ter limitada sua atuação política".
Após explicar a história do Parlamento no Brasil, o professor afirmou que "as piores seqüelas da diturada militar ainda não foram curadas". Foi durante esse período, segundo ele, que o Congresso Nacional deixou de ser o resposável pela elaboração do Orçamento da União e perdeu, também, a perrogativa de fazer com que ele fosse cumprido. "O Legislativo, até hoje, fica em situação subalterna, pois depende do Executivo para ter suas propostas ao Orçamento efetivadas", sublinhou.
Para o professor, "o regime militar acabou transformando os parlamentares federais em despachantes de luxo de suas bases".
No entanto, Antônio Barbosa acredita que a democracia respresentativa ainda é única saída para a humanidade e que, por mais que haja crises, a melhor forma do povo estar representado no Estado é por meio do Poder Legislativo.
Antônio José Barbosa chamou a atenção dos deputados eleitos para um fenômeno novo que está mudando a cara do Poder Legislativo brasileiro, em todas as suas instâncias: o processo de urbanização ocorrido nas últimas décadas, que trouxe do campo para as cidades 55% da população rural. Só em 1970, alertou, 36 milhões de brasileiros se transferiram para a área urbana. "Esses brasileiros eram desconhecidos e passaram a ter cara!", afirmou, "o que mudou completamente a estrutura política do País e está acabando com a política oligárquica." Segundo o professor, "o Brasil está ficando democrático como nunca foi".
Mas, conclui Barbosa, "só vai conseguir superar suas imensas diferenças sociais quando tivermos eudcação de qualidade para todos.
"O professor alertou aos deputados que o momento de discussão da reforma política deve ser aproveitado para que o Legislativo recupere a prerrogativa de elaborar e fazer cumprir o Orçamento.