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Produtores querem continuar sendo "da roça"

Publicado em 04/04/2012 14h45
O direito dos produtores rurais de continuarem a "ser da roça", plantando, colhendo e respeitando o meio ambiente, foi uma das principais bandeiras levantadas hoje (4), na quarta e última audiência pública realizada pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico Sustentável, de Assuntos Fundiários e de Constituição e Justiça, voltadas para a atualização do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).

A produtora Marilde Viana, da Colônia Agrícola Aguilhada, afirmou que a história da comunidade a que pertence foi "construída com as próprias mãos" e que desde 1998 estão lutando para continuar sendo gente do campo, imunes à especulação imobiliária, cuidando das árvores, das nascentes e da fauna. Se árvores votassem, observou ela, os políticos lutariam para mantê-las de pé.

O diretor da Associação Euler Paranhos, Carlos Resende, argumentou que as 260 chácaras distribuídas por 600 hectares, onde vivem cerca de mil pessoas, não existem perante o governo, seja pela ausência de oferta de serviços básicos ou de fiscalização para evitar a especulação, uma vez que estão cercados e pressionados por duas áreas urbanas.

Mesmo há mais de 30 anos no setor de Chácaras Manga Larga, em São Sebastião, Raquel Richards disse que eles nem sequer figuram no PDOT. Segundo disse, os chacareiros já plantaram mais de 10 mil árvores de 248 espécies, algumas delas em extinção, cuidam das nascentes a ponto de manterem um grau de pureza das águas de 98% e esse zelo com o meio ambiente teria de ser visto, positivamente.

Ameaças - Esse foi também o contexto da manifestação de Valdir Calixto de Campos, da Associação Agropecuarista de Sobradinho.
 Morando naquela área rural desde 1957, segundo Calixto, as promessas que receberam não foram cumpridas e eles vivem sendo ameaçados pela Terracap, que luta para alterar dispositivo que autorizou a prorrogação dos contratos.

Mais de 20 pessoas, entre lideranças comunitárias e moradores,  manifestaram-se nas quase três horas de duração da audiência pública. As demandas também abrangeram o fim das derrubadas de construções, como aquelas feitas por Florêncio Gonçalves, da Associação dos Moradores do Bairro Bela Vista, de São Sebastião, e Hosana Alves do Nascimento, de Morro Azul, também em São Sebastião, que reclamou do "descaso" a que estão entregues há mais de 20 anos, apesar dos sucessivos cadastros feitos.

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