Plenário debate alterações nas medidas de isolamento social no DF
Plenário debate alterações nas medidas de isolamento social no DF

Na sessão extraordinária remota da Câmara Legislativa do Distrito Federal desta terça-feira, (14), os deputados debateram o decreto do governador Ibaneis Rocha (MDB) que permitiu, desde a última sexta-feira (10), a abertura de fábricas e lojas de móveis e eletroeletrônicos, além das entidades do sistema S. O funcionamento do comércio do DF está restrito desde o mês passado como medida para evitar a proliferação do Covid-19.
Em contrapartida ao ato do GDF que possibilitou a flexibilização do isolamento social, o deputado Fábio Félix (PSOL) anunciou um projeto de decreto legislativo, de sua autoria, para anular o ato do governador. Segundo o parlamentar, o Distrito Federal não deve afrouxar as normas de isolamento social porque "desprotege" a população. "Não é à toa que 95% dos EUA estão parados, além de diversos outros países, como França, Espanha e Alemanha", citou. Ele criticou a polarização entre saúde e economia: "O problema econômico pode ser sanado depois, as vidas são perdidas agora". Do mesmo modo, o deputado Leandro Grass (Rede) lamentou a dicotomia entre vida e economia. "O governador dá um passo atrás no exercício de preservação da vida", alegou. Em uníssono, a deputada e médica Arlete Sampaio (PT) pontuou que o governo não pode desacelerar o ritmo das ações preventivas porque o "vírus se espalha de maneira absurda".
Ao rebater as alegações, o líder do governo na CLDF, deputado Cláudio Abrantes (PDT), sustentou que as decisões de Ibaneis são amparadas por critérios técnicos e garantiu que, "se houver excessos, o governador voltará atrás". Para o deputado Hermeto (MDB), se não houver a flexibilização, "as pessoas vão morrer de fome, depressão e suicídio". Por sua vez, o deputado Martins Machado (Republicanos) argumentou que é fundamental a união, ao invés da polarização, a fim de encontrar soluções e caminhos alternativos. "Essa pandemia está virando um pandemônio", opinou.
Bancos – A solidariedade e a colaboração dos bancos privados para aliviar os efeitos da pandemia foi o apelo do deputado Agaciel Maia (PL). Segundo ele, essas instituições são rentistas, empregam cada vez menos, nada produzem e deveriam ser solidárias com a população nesse momento de dificuldade. As poucas iniciativas, como a ajuda de R$ 1 bi pelo banco Itaú, ainda são tímidas comparadas aos lucros obtidos com o "sangue dos brasileiros", disse. Nessa questão, o deputado Delmasso (Republicanos), entende que "a recuperação da arrecadação dos estados vai passar por uma alteração na alíquota que é cobrada dos bancos, tanto com ISS quanto ICMS".
Cestas básicas – Diversos deputados cobraram do governo, mais uma vez, agilidade na entrega das cestas básicas à população vulnerável durante a pandemia, a exemplo da deputada Júlia Lucy (Novo). Ela disse que até agora não há informações, junto ao GDF, sobre os critérios de seleção e distribuição dos contemplados, quase nove mil famílias. Dado o alto custo da cesta anunciado pelo governo, R$170,00, Lucy defendeu a cessão de crédito ao cidadão, ao invés da distribuição de cestas. "Essa crise deixa clara a falência do Estado em prover o mínimo para as pessoas", salientou. Também o deputado Chico Vigilante (PT) manifestou-se sobre o tema. Na opinião de Vigilante, o Corpo de Bombeiro e a Polícia Militar do DF deveriam fazer a distribuição das cestas básicas e acabar com "essa burocracia de inscrição e ainda ter que contratar uma empresa para fazer a entrega".
Saúde e fiscalização – A nomeação de profissionais da saúde aprovados em concursos foi defendida durante a sessão. O deputado Jorge Vianna (Podemos) protestou contra a contratação temporária de condutores para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Os motoristas de ambulância precisam de treinamento sério e domínio dos protocolos de atendimento aos pacientes, alegou, ao argumentar pela recomposição do quadro de concursados na área da saúde. Por sua vez, o deputado Prof. Reginaldo Veras (PDT) solicitou a nomeação de aprovados para o cargo de enfermeiro no último concurso da CLDF. Atualmente, há apenas um enfermeiro na Casa, expôs. Em resposta, o presidente da CLDF, deputado Rafael Prudente (MDB), garantiu que a instituição os nomeará assim que "houver condições". Já o deputado João Cardoso (Avante) pediu ao GDF a reposição dos efetivos no quadro de auditores e fiscais. Ele elogiou a atuação desses profissionais, principalmente frente ao aumento da demanda por fiscalização na pandemia do Covid-19.
Maus-tratos contra os animais – Ao narrar o episódio de uma cadela abandonada viva dentro de um saco de lixo no Sol Nascente, noticiada pela imprensa hoje, o deputado Daniel Donizet (PSDB) se mostrou consternado com "tamanha maldade". Ele acrescentou que diante da inépcia dos órgãos governamentais, a ONG Toca Segura resgatou a cadela. E indagou: "Quem, no poder público, tem a responsabilidade de proteger os animais contra esses maus-tratos?". Também o deputado Roosevelt Vilela (PSB) classificou o episódio como "extrema covardia", ao defender a necessidade de serviços públicos voltados ao resgate e cuidados dos animais.
Franci Moraes
Fotos: Sílvio Abdon/CLDF
Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa