Palestras da Semana Legislativa pela Mulher destacam luta por equidade
Palestras da Semana Legislativa pela Mulher destacam luta por equidade
Especialistas trataram da necessidade de o serviço público discutir e promover a igualdade de gênero, entre outros pontos
Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

Programação da 7ª Semana Legislativa pela Mulher segue com diversas atividades até a quinta-feira (21)
A 7ª Semana Legislativa pela Mulher da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), realização da Escola do Legislativo (Elegis) em parceria com a Procuradoria Especial da Mulher, deu sequência às atividades nesta quarta-feira (20), com uma série de palestras nas quais a luta das mulheres por equidade deu o tom. O evento prossegue até quinta-feira (21), das 8h30 às 17h, com atividades abertas ao público, mediante inscrição prévia.
Realizada anualmente na CLDF, a Semana Legislativa pela Mulher articula órgãos públicos, comunidade acadêmica, redes de atuação em defesa dos direitos das mulheres e a sociedade civil, constituindo-se como espaço de escuta, diálogo e reflexão.
A primeira palestrante de hoje foi Stella Maria Vaz, coordenadora do Núcleo de Coordenação de Ações de Diversidade, Equidade e Inclusão do Senado Federal. Ela falou do trabalho da unidade e tratou da necessidade de o serviço público discutir e promover a igualdade de gênero. “O Estado ganha em desempenho e o atendimento à sociedade é aprimorado. Isso é o legal a se fazer, no sentido da lei. A democracia exige essa diversidade, que as instituições sejam diversas e atendam a essa diversidade”, destacou a analista legislativa.
Também membro do Núcleo, Christian Caetano de Lima, ressaltou a importância de que as instituições façam recorte de gênero em suas áreas de atuação. “No caso das mulheres, é preciso ter esse olhar de que elas foram historicamente marginalizadas, cerceadas e não tiveram acesso aos espaços econômico, de educação e de poder.”
Ele destacou a importância de se ter a perspectiva de que a reprodução de desigualdades é histórica, de que essas estruturas foram socialmente construídas, mas que podem ser transformadas. “É preciso ter esse olhar de justiça para ver as diferenças e garantir a inclusão das pessoas num sentido amplo”, acrescentou.
Já Letícia Fernanda de Oliveiro, também servidora do Senado Federal, tratou das construções discursivas do lugar social das mulheres e citou pensadores como Aristóteles, Rousseau e Gilberto Freire. Ela ainda comentou, entre outras construções, a naturalização da mulher no lugar do cuidado, como se fosse um atributo feminino. Aprofundando a questão de gênero para o recorte racial, destacou a forma com que as mulheres negras são enxergadas historicamente na sociedade como “um corpo que deve trabalhar e ser sexualizado”.
“Avançamos como sociedade, mas há toda uma trajetória de construção de discursos que inferiorizam mulheres. Essas ideias ainda hoje moldam a maneira como enxergamos as mulheres”, observou.
Letícia citou dados da pesquisa do Instituto Global para a liderança das Mulheres do King’s College, realizada entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano. Segundo o estudo:
- 21% dos brasileiros acreditam que as mulheres devem sempre obedecer aos maridos.
- 43% dos brasileiros concordam que mulheres são naturalmente melhores no cuidado com as crianças.
- 23% afirmam que a mulher ganhar mais que o marido causa problema no casamento.
Igualdade X Equidade
A segunda palestra da manhã tratou do tema "Participação e protagonismo feminino: caminhos para equidade". A palestrante, Francine Moor, primeira vice-presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), jornalista de formação e mestre em Poder Legislativo, salientou a questão da liderança e representatividade feminina e citou pesquisas que revelam que “quatro em cada dez brasileiros não sabem nomear uma mulher poderosa”.
A pesquisadora também comentou a importância de se compreender a diferença entre igualdade e equidade. Como exemplo, citou que as mulheres levam 2,3 vezes mais tempo que os homem no banheiro. “E faltam banheiros adequados para as mulheres no mundo todo. Enquanto há fila no feminino, o masculino está liberado”, acrescentou. Equidade, neste caso, seria pensar para além da divisão meio a meio na hora de planejar os banheiros de um edifício.
Francine Moor também fez uma leitura positiva dos avanços em termos de políticas públicas, impactos jurídicos e participação no processo político partidário. “O que nos une vem sendo ampliado, temos espaços de diálogo, perguntas diferentes sendo colocadas, homens que passaram a pensar a questão das mulheres, apesar de nunca terem vivido nossa realidade na prática”, comentou.
Mulheres que inspiram
As palestras desta quarta-feira seguem na CLDF. À tarde, o tema é "Mulheres que Inspiram", com início às 14h. O bate papo conta com a presença de Ana Luiza Marinho (Educadora Financeira), Joice Marques (Casa Akotirene), Larissa Lima (Associação Canomama), Margo Karnikowski (Universidade do Envelhecer - UniSER) e
Renata Melo (Instituto Entre Nós). Acompanhe a transmissão ao vivo pela TV Câmara Legislativa:
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