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Negros defendem mudanças na educação para garantir respeito à diversidade racial

Publicado em 30/05/2014 10h55

O Brasil precisa  garantir mudanças  na educação pública para  oferecer aos estudantes  melhor acesso à cultura africana, a fim de se  combater a  discriminação racial. A advertência  foi  feita pelos participantes da sessão solene que a Câmara Legislativa realizou na manhã desta sexta-feira (30) para homenagear a  Àfrica e também a "Década das Mulheres",   conforme  proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU).  O dia internacional dedicado ao continente africano é 25 de maio.

 O evento  _ de autoria do deputado Cláudio Abrantes (PT) _ reuniu no plenário militantes do movimento de defesa da igualdade racial, além de representantes de entidades  e órgãos do governo ligados às questões raciais e de gênero. Contou  ainda com muitos embaixadores de país africanos. Nas manifestações  foi  unânime o discurso  de defesa da luta contra o racismo e de reconhecimento da relevância das  raízes culturais africanas para a formação do povo brasileiro.

"O Brasil é africano", ressaltou o deputado  Cláudio Abrantes, ao lembrar que grande parte dos  africanos que vivem fora do seu continente estão aqui no Brasil. "Temos 51% da nossa população atual  composta por afrodescendentes.  Dos 54 países da África apenas a Nigéria tem mais negros do que o Brasil", afirmou o parlamentar, que elogiou os "avanços"  econômicos, sociais e políticos conquistados nos últimos anos pelo s países africanos, citando como exemplo o processo de  democratização  naquele continente e de inclusão social das mulheres africanas.

A assessora da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas, Dalila Negreiros, representando a ministra Luiza Bairros, enfatizou a necessidade de a sociedade brasileira se engajar  na luta  do continente africano contra o colonialismo econômico e cultural. E afirmou que aquele ministério  tem  como prioridade estabelecer parcerias de cooperação junto aos países africanos na área de educação.

Colonialismo- A efetivação de mudanças no ensino de História sobre a  herança cultural africana "fora da visão europeia, colonialista", no currículo das  nossas escolas, é uma das medidas mais significativas a serem adotadas no  Brasil em favor do respeito à diversidade racial e  combate ao racismo. A  constatação foi feita coordenadora de educação em diversidade da Secretaria de Educação, Ana Marques. Ela  informou que aquela secretaria tem investido no DF em mudanças pedagógicas previstas pela Lei de DIretrizes Básicas da Educação(LDB) ,  que valorizam o ensino da cultura africana.
Também o secretário Veridiano Custódio, da Secretaria  Especial da Promoção da Igualdade Racial do DF, enfatizou  a necessidade de  o Estado brasileiro garantir políticas públicas para se  combater a discriminação racial no País. Ele citou como exemplos positivos  as  ações afirmativas de criação de cotas  para negros para ingresso nas universidades e também nos concursos públicos, "que ainda enfrentam resistência dos representantes das elites".

Ao final da sessão solene, vários representantes das nações africanas agradeceram a homenagem da Câmara Legislativa, ressaltando a importância da solidariedade  demonstrada pelo povo brasileiro  às lutas dos  seus povos. Entre os  embaixadores presentes compuseram a Mesa  a embaixadora da Etiópia, Sinkinesh Ejigu e o embaixador do Zimbabwe, Thomas Bvuma, entre outros. Todos eles lembraram que as mulheres africanas estão cada vez mais assumindo postos de comando na política.   

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