Laboratórios têm pouco interesse nas licitações para medicamentos contra epilepsia
Laboratórios têm pouco interesse nas licitações para medicamentos contra epilepsia

Em audiência pública da Comissão Especial em Defesa dos Direitos da Pessoa com Epilepsia, que discutiu a distribuição de medicamentos gratuitos no DF, o representante da Diretoria de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Saúde, Roberto Vicente de Araújo, alegou que a principal causa do desabastecimento de alguns medicamentos na Farmácia de Alto Custo é o "desinteresse de fabricantes e distribuidores de medicamentos de participar dos processos de licitação".
À audiência, presidida pelo deputado Rodrigo Delmasso (Podemos), nesta terça-feira na CLDF, o farmacêutico destacou que a lei de licitações impõe uma série de exigências e documentações por parte dos licitantes. Para apurar este e outros problemas em processos de aquisição de medicamentos, como clobazam e carbamozepina, foi instaurada uma comissão na Secretaria, segundo Araújo.
O deputado Rodrigo Delmasso sugeriu a adoção de um Regime Diferenciado de Contratação (RDC) para compra de medicamentos no DF. Ele lembrou que este regime não é inédito no GDF, tendo sido utilizado pela Secretaria de Obras em situações específicas. "Novas formas de contratação, como o RDC, para aquisição de medicamentos é um debate necessário que começaremos na Câmara Legislativa", afirmou.
Canabidiol – Delmasso, que é autor de lei que obriga o fornecimento do canabidiol (CBD) pela rede pública de saúde, questionou o farmacêutico sobre os motivos da judicialização dos processos de compra e a morosidade na entrega desse produto.
De acordo com Roberto Araújo, o problema se concentra na questão aduaneira. Como o canabidiol é importado e não há registro do produto no Brasil, seria necessária a contratação de uma empresa para "desembaraçar e fazer a entrega" da mercadoria, afirmou. Acrescentou que a morosidade também se deve à proibição de fazer estoque do CBD. Além disso, os processos são individuais por paciente porque é preciso ter autorização de importação em cada processo, respondeu, ao acrescentar que os processos estão "parados no jurídico". Delmasso pediu ao diretor o encaminhamento dos números de todos os processos para que a comissão possa acompanhar sua tramitação.
Franci Moraes
Fotos: Rinaldo Morelli/CLDF
Comunicação Social - Câmara Legislativa do Distrito Federal