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Jardineiro diz que categoria resiste porque tem padrinhos

Publicado em 28/04/2008 12h52
O presidente da Organização Social dos Jardineiros dos Cemitérios do DF, Cícero de Jesus Melo, disse que a categoria só continua a existir porque tem o apoio do GDF. Se dependesse da empresa que administra os cemitérios, eles teriam "sido expulsos" há muito tempo, por que "são vistos como inimigos, que estão lá para bagunçar, badernar".

Cícero surpreendeu os membros da comissão ao esclarecer que, embora seja o presidente da associação, está trabalhando como secretário parlamentar do gabinete da deputada Luzia de Paula ((PSL), nomeado para o cargo pelo atual secretário de Justiça e Cidadania, Raimundo Ribeiro.

Essa relação com políticos é antiga, segundo Cícero, e envolve também a também secretária de Ação Social, Eliana Pedrosa, e o próprio governador Arruda, que apóia os jardineiros desde antes de ser deputado federal. Só por decisão política, conforme enfatiza Cícero, podem continuar fazendo o trabalho deles.

Foi a intervenção de Arruda, por exemplo, que resolveu o problema da água em Taguatinga, e credita-se a ele e ao apoio de Raimundo Ribeiro e Eliana Pedrosa a continuidade do fornecimento de água aos jardineiros do Campo da Esperança, mesmo depois da denúncia de que a dívida de água da Organização supera os R$ 3,292 milhões.   Embora a Organização Social dos Jardineiros compreenda todos os cemitérios do DF, a associação tem apenas 200 jardineiros cadastrados, a maioria deles do próprio Campo da Esperança, Taguatinga, Gama e Sobradinho. Descalabro - A informação mais contundente prestada por Cícero aos membros da CPI - Rogério Ulysses (PSB), presidente, Erika Kokay (PT) e Reguffe (PDT) - foi a "reciclagem" da área de sepultamento social efetivada pela administração do cemitério Campo da Esperança na Q 204, setor "C", com uma retroescavadeira "jogando osso para tudo que é lado", atingindo, inclusive, túmulos particulares.
 O depoente explicou que a idéia seria reaproveitar a área para a implantação de novas campas, na concepção "cemitério-parque", que acabou não sendo levada adiante porque "o pessoal de Brasília é tradicional, gosta de plantar árvores" e resiste a esse modelo em que os jazigos são substituídos por uma plaquinha de bronze.

Cinco anos depois, sobram ossos pela área revolvida. Cícero preferiu levar os membros da comissão ao local a dizer onde se encontravam as ossadas, para não correr o risco de que fossem removidas pelos empregados da empresa. Parte dos ossos foram recolhidos, segundo ele, em sacos plásticos e guardados para os parentes, quando comparecessem ao cemitério, decidirem que destinação dar a eles.

Cícero negou ter conhecimento de que o Campo da Esperança seja ponto de tráfico de drogas ou de usuários, mesmo considerando que a fiscalização, que antes da privatização era de mais ou menos 36 pessoas, tenha passado para duas, que se concentram principalmente na entrada.

  

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