Publicador de Conteúdos e Mídias

Fim do trabalho infantil depende da sociedade

Publicado em 03/04/2008 13h31
A erradicação do trabalho infantil no Distrito Federal depende da sensibilização e conscientização de todos os setores da sociedade. Esse foi o ponto de convergência das exposições dos convidados que participaram hoje da audiência pública "Enfrentamento do Trabalho Infantil no DF", promovido por iniciativa da deputada Erika Kokay (PT).

A procuradora regional do trabalho, Ana Cláudia Bandeira Monteiro, avaliou que superar a cultura do trabalho infantil é o maior entrave que se coloca para aqueles que se dedicam a equacionar o problema. Para ela, a escola é a melhor opção de mudança, embora a responsabilidade seja igualmente compartilhada pelo Estado, pela família e a própria sociedade.

A representante do Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil do DF, Milda Moraes, disse que embora o DF esteja no último lugar em número de crianças que trabalham (23 mil), isso não chega a se constituir motivo de alegria, porque só poderá haver esse sentimento quando não houver mais nenhuma trabalhando.

Milda referiu-se à experiência do Projeto Catavento, implementado em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho - OIT, que está em vias de conclusão.
 A iniciativa demonstrou ser possível manter as crianças fora do mercado de trabalho, segundo ela, quando parte de uma construção coletiva. Adiantou, contudo, que a melhoria da renda demonstrou ser importante para as famílias, embora salientando que isso não é determinante para afastar as crianças do trabalho."Quando há um plano, os resultados são mais rápidos", disse a representante da Organização Internacional do Trabalho, Maria Cláudia Falcão, ao lembrar que o termo firmado pelo GDF com a OIT ainda não se traduziu em iniciativas concretas para prevenir e erradicar o trabalho infantil no DF. E lançou o desafio de tornar-se o DF a primeira unidade da federação a erradicar o trabalho infantil no país.

A subsecretária de Educação Básica da Secretaria de Educação, Ana Carmina Pinto Dantas Santana, admitiu que a escola pode contribuir para ajudar as crianças na construção de sua cidadania. Porém, considerou que para identificar as crianças envolvidas no trabalho infantil é preciso investir na capacitação dos professores. Adiantou, ainda, que a rede garantiu atendimento de 100% das crianças encaminhadas pela secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho.

 Para a subsecretária de Desenvolvimento Social e Trabalho do DF, Marta de Oliveira Sales, os dados sobre o trabalho infantil são incontestes, mas a "desconstrução" da cultura desse tipo de trabalho ainda levará muito tempo. Disse ter conhecimento de causa, pois aos dez anos foi encarregada pelos pais de cuidar dos afazeres domésticos, fato esse que deixou marcas profundas em sua vida. Ao final da audiência, a deputada Érika Kokay anunciou que vai apresentar requerimento sobre o cronograma de atividades da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Infantil, para que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara possa acompanhar. "É preciso garantir a interssetorialidade das ações", finalizou.

Mais notícias sobre