Fechado acordo para votar remanejamento de recursos para professores
Fechado acordo para votar remanejamento de recursos para professores

Por consenso, os deputados distritais anunciaram hoje (26) que estão prontos para votar em plenário, com urgência, o projeto de lei complementar anunciado nesta quinta-feira pelo governador Rodrigo Rollemberg que permite ao governo local remanejar cerca de R$ 140 milhões de recursos vinculados a outras áreas para antecipar parcelas dos pagamentos atrasados dos servidores da Educação .
A manifestação dos parlamentares, de vários partidos, aconteceu na comissão geral que a Câmara Legislativa realizou na tarde de hoje para ouvir o secretário de Educação, Júlio Gregório, e também representantes dos professores e dos auxiliares de ensino. A presidente da Câmara Legislativa, deputada Celina Leão (PDT), anunciou que vai adotar todas as medidas necessárias para garantir a reabertura de diálogo entre o governo local e os professores, cuja greve foi decretada ilegal pela Justiça.
Em clima tenso, sob vaias das galerias ocupadas por professores que se manifestavam com palavras de ordem cobrando o pagamento dos salários e benefícios, o secretário da Educação, Júlio Gregório, apresentou um relatório detalhado com os "valores pendentes" encontrados em 1º de janeiro, quando se iniciou o atual governo. Segundo os dados do GDF, as dívidas em relação ao pagamento dos servidores superam R$ 141 milhões. Ele também lamentou o fato de o governo não ter condições financeiras de efetuar a reforma das escolas públicas.
O deputado Wellington Luiz (PMDB), autor do requerimento para a realização da comissão geral, lamentou a gravidade da situação enfrentada pelos servidores da educação. Já o deputado Dr. Michel (PP) defendeu que o secretário de Relações Institucionais do GDF, Marcos Dantas, presente no plenário, intermediasse o envio do projeto do governo, a fim de que a assembleia dos professores, marcada para amanhã, possa analisar o retorno das aulas já para a próxima segunda-feira (2).
Também o deputado Prof. Reginaldo Veras (PDT) defendeu que os colegas estejam prontos para votar a proposta do governo tão logo ela chegue à Câmara Legislativa. "Nem que seja no domingo, a gente tem que estar aqui para garantir a aprovação", ressaltou. Ele aproveitou para criticar a posição do governo de não ter apresentado antes a mesma proposta. "Foi um desgaste desnecessário e poderia evitar esse problema enfrentados pelos professores", afirmou.
O deputado Rodrigo Delmasso (PTN) defendeu em plenário que o governador ajude a intermediar uma audiência com o ministro da Fazenda para garantir "o mais rápido possível" a viabilização do projeto de lei que foi aprovado pela Câmara Legislativa, de Antecipação de Receitas Orçamentárias (ARO).
"Estou muito triste com essa situação delicada. E também com o fato de essa greve dos servidores ter sido tratada judicialmente", criticou o deputado Prof. Israel Batista (PV). "Como não é legítimo os trabalhadores lutarem pelo pagamento dos próprios salários?", indagou, ao mesmo tempo que manifestou otimismo em relação à aprovação da proposta do governo de remanejamento dos recursos vinculados.
Debate – O líder do PT na Câmara Legislativa, deputado Chico Vigilante (PT), rebateu mais uma vez os números apresentados pelo secretário de Educação, sobre as dívidas herdadas do governo Agnelo. "Segundo o balancete contábil desta data o governo tem R$ 1,6 bilhão em caixa, sendo que desse valor, R$ 800 milhões estão desimpedidos para o governador gastar como quiser", afirmou. Ao defender o remanejamento de recursos para pagar dívidas aos professores, Vigilante disse que "faltou ao governador coragem para fazer o remanejamento que os governadores anteriores fizeram, sem que isso tenha lhes causado qualquer problema".
O líder do governo na Câmara Legislativa, Raimundo Ribeiro (PSDB), que também enfrentou muitas vaias dos professores, reafirmou a posição do governo de que não há recursos disponíveis para o pagamento dos salários atrasados. "Se havia saldo em caixa deixado pelo governo anterior por que Agnelo não pagou?", desafiou. Ele aproveitou para explicar que o governo está interessado em "um acordo para o término da greve acima de quaisquer interesses partidários".