Escolas especiais continuarão funcionando, garante secretário
Escolas especiais continuarão funcionando, garante secretário

O tom da sessão solene em comemoração ao Dia do Orgulho Autista, nesta terça-feira (18), no plenário da Câmara Legislativa, não foi só de festa. A solenidade, realizada por iniciativa do deputado Robério Negreiros (PMDB), foi marcada por reivindicações também. Familiares e professores de crianças com autismo aproveitaram para cobrar a manutenção de escolas e classes especiais no Distrito Federal.
"O fechamento de escolas especiais é um boato, elas vão continuar funcionando", garantiu o secretário de Ensino Especial da Secretaria de Educação, Antônio Leitão. O anúncio foi aplaudido pela plateia. "Essa notícia me tranquiliza, esses centros de ensino são muito importantes", comemorou o distrital Negreiros. Leitão lembrou que a rede pública do DF é referência em educação especial e que, entre 2011 e 2013, muitos estudantes migraram da rede privada para escolas do governo.
Mãe de uma menina de seis anos matriculada no ensino especial, Evellyn Diniz elogiou o fato de o autismo ter saído do "limbo" e de hoje ser possível discutir o assunto em locais como a Câmara Legislativa. A militante fez questão de reconhecer o esforço pessoal dos professores do sistema público de ensino, mas acrescentou: "É preciso mais, para que as crianças e adolescentes com autismo possam alcançar seu potencial".
Diniz elencou algumas sugestões para aprimorar o ensino de pessoas com autismo: Entre elas estão: todo o sistema deve conhecer o autismo, não só o professor; é preciso mediação em sala de aula, além do professor regente; são necessários livros adaptados; e os centros de ensino precisam ouvir mais as famílias.
Para o musicoterapeuta e psicomotricista Aluísio Maluf, as pessoas com autismo precisam ser acolhidas pelas famílias, nas escolas e, também, por uma equipe multiprofissional. "O atendimento tem que ser multiprofissional, até porque há vários níveis de autismo", completou o médico psiquiatra Alexandre Rozenwald.
Legislação – O fundador e diretor-presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab), Fernando Cotta, aproveitou a comemoração para destacar a importância da data, instituída há nove anos. "Por que ter orgulho? Tenho orgulho quando vejo meu filho, que tem autismo, ter oportunidade de se desenvolver".
Cotta lembrou que no ano passado o governo federal aprovou lei em benefício de pessoas com autismo. A luta agora, segundo ele, é para tirar os direitos previstos na legislação do papel: "Precisamos garantir que as políticas públicas se tornem realidade".