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Enfermeiros lutam por equiparação salarial com médicos

Publicado em 21/10/2013 10h11

Enfermeiros que trabalham nos hospitais públicos do Distrito Federal lotaram as galerias e o plenário da Câmara Legislativa, na manhã desta segunda-feira (21), para participarem de audiência pública sobre a carreira de enfermagem no GDF. A principal reivindicação da categoria é a equiparação salarial com médicos e odontólogos, que recentemente tiveram seus planos de carreira sancionados pelo governador Agnelo Queiroz. Iniciativa do deputado Rôney Nemer (PMDB), o debate atraiu a atenção de vários distritais, que manifestaram apoio aos enfermeiros e cobraram a abertura de um canal de negociação junto ao GDF – ao qual dirigiram muitas críticas.

"Precisamos garantir a retomada do processo de negociação. Os enfermeiros não podem ser discriminados e merecem o mesmo tratamento dado a médicos e odontólogos", defendeu Nemer. O deputado informou que o vice-governador do DF, Tadeu Filippelli, irá se reunir com líderes do movimento na próxima quinta-feira (24), para discutir a intermediação necessária para que o governador Agnelo abra negociações para a reivindicação daqueles profissionais de saúde.  

A deputada Celina Leão (PDT) anunciou aos enfermeiros que uma alternativa a ser adotada pelos distritais, em apoio ao movimento, pode ser a paralisação das votações em plenário até que o governo encaminhe projeto de lei atendendo a reivindicação da categoria. "Se o governo diz que não há recursos agora para garantir a isonomia, é porque planejou mal", afirmou a parlamentar, que criticou a postura dos secretários de Administração Pública e de Saúde do DF, Wilmar Lacerda e Rafael Barbosa, respectivamente, por terem postergado a demanda apresentada há vários meses pela categoria.

Também a deputada Liliane Roriz (PRTB) condenou o governo por tratar "de forma diferenciada" profissionais de saúde como médicos, dentistas e enfermeiros. "Não adianta a gente criticar os secretários. A decisão de aprovar o plano de carreira dos enfermeiros está nas mãos do governador", disse. E completou: "Os enfermeiros são profissionais que estão sempre ao lado dos pacientes. Já vi muitos tirarem dinheiro do próprio bolso para comprar medicamentos".

O vice-presidente da Câmara Legislativa, deputado Agaciel Maia (PTC), enfatizou não fazer sentido aprovar planos de carreira de profissionais que atuam juntos na área de saúde sem  conceder isonomia salarial. "Por que os médicos chegam ao topo da carreira com 18 anos de atuação e os enfermeiros só chegam lá depois de 25 anos de trabalho?", protestou o distrital, lembrando que o governador não pode ficar atrelado às decisões dos secretários. "É o governador quem nomeia e quem exonera. Ele tem a caneta nas mãos", concluiu.

Na mesma linha, o deputado Dr. Michel (PP) criticou as "disparidades"  salariais entre as diferentes carreiras da área da saúde. "Não somos contra o reajuste concedido aos médicos. Mas os enfermeiros precisam estar no mesmo patamar", cobrou, afirmando que "não se faz medicina só com médicos; o trabalho nos hospitais é coletivo e multidisciplinar".

"É preciso que a categoria assuma uma posição dura na luta pela equiparação salarial", ressaltou a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que foi ovacionada pelos trabalhadores ao afirmar não ter faltado "disposição ao governo para gastar R$ 480 milhões com o entorno do estádio Mané Garrincha". O distrital Professor Israel (PV) também se solidarizou com a categoria e elogiou a mobilização. "Mas acho que vocês ‘comeram mosca', tinham que ter vindo aqui antes para cobrar a equiparação", reconheceu o parlamentar.

Revolta – Entre os enfermeiros que se manifestaram na audiência pública, prevaleceu  o clima de revolta por ainda não terem sido atendidos pelo governo. A presidenta do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal, Fátima Aparecida Lemes, disse que, se preciso, a categoria irá paralisar as atividades e anunciou que a mobilização deve se intensificar nos próximos dias: "Vamos sair às ruas e mostrar nossa indignação".

O enfermeiro Luís Tocantins Jr. fez um relato emocionado sobre as dificuldades enfrentadas no cotidiano pela categoria, afirmando que muitas vezes são obrigados a suprir a ausência de médicos em plantões. "Temos que atuar como ‘quebra-galhos' e, geralmente, saímos do trabalho depois do horário. Mas as horas extras nunca vão para os enfermeiros", lamentou.

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