Em clima quente, sessão discute projeto da previdência
Em clima quente, sessão discute projeto da previdência
Deputados distritais discutem em clima acalorado as propostas de substitutivo ao projeto de lei complementar nº 122/2017, do Executivo, que reformula o sistema previdenciários dos servidores públicos do DF, durante a sessão ordinária da Câmara Legislativa desta terça-feira. O assunto está previsto para entrar em votação ainda hoje, mas alguns deputados pedem um novo adiamento.
O deputado Cláudio Abrantes (sem partido) apresentou relatórios técnicos para defender o adiamento da votação. Abrantes também informou que obteve mandado de segurança no Tribunal de Justiça questionando o quórum para votação deste tipo de projeto. O distrital sustenta que o projeto exige quórum qualificado, que necessita de 16 votos favoráveis.
A Mesa Diretora da Casa está considerando o quórum de 13 votos. Segundo Abrantes, a votação está subjudice e poderá ser cancelada, caso a Justiça concorde com sua ação. Para ele, este seria mais um argumento pelo adiamento da votação.
A galeria do plenário está tomada por manifestantes favoráveis e contrários à reformulação da previdência. Manifestações são ouvidas a cada manifestação de deputado. O presidente da Câmara, deputado Joe Valle (PDT), já teve que paralisar a sessão por várias vezes para assegurar a palavra aos parlamentares.
O líder do PT, deputado Ricardo Vale, defendeu que nenhum texto seja apreciado nesta tarde e que as discussões continuem nos próximos dias para construir uma proposta que seja boa para a sociedade e para os trabalhadores. Na opinião dele, o último substitutivo apresentado, elaborado pelo deputado Joe Valle e técnicos, e que cria o Fundo Garantidor, é perigoso, pois "as garantias dependem de outras leis".
O líder do Governo, deputado Agaciel Maia (PR), disse que foi vencido na reunião de líderes de ontem e pediu a retirada de seu substitutivo elaborado em conjunto com a assessoria técnica do PT. Segundo ele, a maioria dos distritais preferiu a proposta apresentada por Joe Valle.
Apesar do apoio à sua proposta, Valle afirmou que ainda não está seguro para colocar seu texto em votação. Valle pediu mais duas semanas para discutir o substitutivo.
O deputado Wasny de Roure (PT) se manifestou contra todos os substitutivos em discussão e contra a proposta original. Wasny destacou que o saque de R$ 1,8 bilhões no fundo do Iprev, autorizado em 2015, causou enormes prejuízos. O deputado também alertou que o governo está equivocado ao considerar sua parte de contribuição ao fundo como parte do déficit. "Vou votar contra qualquer projeto que altere a previdência dos servidores", completou.
O deputado Chico Vigilante (PT) também é contra a votação da reforma da previdência hoje.
Luís Cláudio Alves
Fotos: Carlos Gandra
Comunicação Social - Câmara Legislativa