Dia do Autismo no Orçamento é marcado por protestos
Dia do Autismo no Orçamento é marcado por protestos

"Falta de tudo para os autistas", afirma a diretora do Movimento Orgulho Autista do Brasil (MOAB), Adriana Monteiro. A frase sintetiza o protesto de pais e de representantes de entidades que lutam para garantir recursos para o tratamento de pessoas com autismo no DF, durante sessão solene no plenário da Câmara Legislativa nesta quarta-feira (9). A solenidade, realizada por ocasião do Dia do Autismo no Orçamento, foi promovida pelo deputado Robério Negreiros (PMDB). Essa data é nacional e foi instituída pelo Congresso Nacional há sete anos, para ampliar o movimento de defesa das pessoas com deficiências.
Negreiros manifestou sua solidariedade em relação às dificuldades relatadas pelos participantes da sessão solene para que as emendas parlamentares "saiam do papel". O distrital lamentou o fato de ele próprio enfrentar problemas para garantir a execução de emendas em favor de entidades que cuidam de pessoas autistas e com outras doenças. "O orçamento tem de contemplar as necessidades de todos os cidadãos. E precisa ser cumprido pelo Estado para que possamos combater, também, o preconceito contra as pessoas com deficiência", defendeu.
Em suas críticas à falta de recursos para os autistas, Adriana Monteiro ressaltou que "a lei é linda, só precisa é ser cumprida". Ela lembrou ser um equívoco as pessoas imaginarem que a ocorrência de autismo seja uma condição rara. "Para cada grupo de 92 pessoas, temos uma autista", comentou, acrescentando que só no DF são mais de 30 mil pessoas. "Precisamos de vários tipos de atendimento especializado, como terapias, fonoaudiologia e acompanhamento psicopedagógico", exortou.
Mãe de três filhos autistas, a diretora da Associação dos Amigos dos Autistas do Distrito Federal (AMA-DF), Margareth Kalil, também reclamou da falta de recursos para contratar profissionais para atenderem à demanda crescente no DF. "Os gastos com o tratamento de autistas deveriam ser considerados investimentos, pois essas pessoas conseguem servir à sociedade, realizando coisas que a gente nem imagina", afirmou, citandoexemplo vivido em sua família. "O Estado precisa reconhecer que os autistas são viáveis", pregou.
"Patinho feio" – "Os autistas são o patinho feio dos deficientes, pois se faltam recursos para essas pessoas especiais, no caso dos autistas os investimentos são ainda menores ", lamentou o presidente nacional do Movimento Orgulho Autista (MOAB), Fernando Cotta. "Será que sempre vai ser preciso a gente ir à Justiça para tirar as leis do papel e garantir recursos para o tratamento das pessoas?", questionou, ao destacar que "a falta de vontade política do Executivo deve ser combatida pela sociedade".
O especialista em orçamento voltado para pessoas com deficiências e assessor da deputada federal paraplégica Mara Gabrilli (PSDB-SP), Lennon Custódio, enfatizou que as barreiras enfrentadas no Legislativo para que as emendas orçamentárias sejam executadas pelo Executivo só serão derrubadas quando entrar em vigor a proposta do orçamento impositivo.