Publicador de Conteúdos e Mídias

Deputados defendem 2% da receita do DF para pesquisa de ciência e tecnologia

Publicado em 17/10/2012 10h39

 

O investimento nas áreas de ciência e tecnologia pode ganhar um incremento em 2014 no Distrito Federal: o retorno do repasse integral de 2% da receita orçamentária para a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAPDF). Apresentado por pesquisadores da cidade em audiência pública realizada pela Câmara Legislativa nesta quarta-feira (17), o pleito sensibilizou os distritais presentes, que se comprometeram a trabalhar pela aprovação de emenda à Lei Orgânica para restabelecer o percentual de 2% - reduzido para 0,5% em 2007, pelo Poder Executivo.

"Vamos trabalhar para votar a proposta até o final deste ano", garantiu o deputado Joe Valle (PSB), que tem no currículo passagens pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e pela Finep. Um dos autores da iniciativa da audiência, o distrital aproveitou a ocasião para propor a criação de uma frente parlamentar de ciência e tecnologia na CLDF: "Um estado não tem futuro sem ciência e inovação, as pessoas olham muitas vezes para a área com um certo distanciamento, mas estamos falando de conhecimento".

Também sensível à ampliação do investimento em pesquisa, o deputado Wasny de Roure (PT) reconheceu que o governo está atrasado na reconstrução da FAP – instituição que tem sido alvo de inúmeras críticas por parte de pesquisadores, cientistas e estudiosos. "Mas tudo isso é um processo, e é importante a mobilização da comunidade científica, até porque precisamos de 16 dos 24 votos para alterar o percentual de repasse na Lei Orgânica", destacou o petista, co-autor da proposta da audiência.

A insatisfação dos pesquisadores extrapola, no entanto, os índices de investimento na área. Eles defendem a perenidade e a continuidade do apoio. "O DF é uma das unidades da Federação que mais forma doutores, mas eles não se fixam aqui porque o investimento em pesquisa precisa ser contínuo", defendeu a diretora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), Sônia Bao.

Além disso, eles pedem o cumprimento dos prazos no repasse do fomento pela FAPDF. Para o decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, professor Isaac Roitman, os pesquisadores precisam saber quando e quanto os recursos serão liberados – de forma garantida e continuada.

Para a pesquisa de ciência, tecnologia e inovação alcançar a atenção e o planejamento que merece, o diretor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), Luís Bermudez, vai ainda além: "Essa agenda precisa ser incluída no Conselho de Desenvolvimento Econômico do DF".

20 anos da FAP – Em novembro a FAPDF completa 20 anos. Sua história acumula, além de críticas, o apoio a projetos bem-sucedidos, como a implantação do Instituto de Identificação de DNA Forense da Polícia Civil do DF.

À frente da fundação há apenas 10 dias, Alexandre Gouveia disse reconhecer as demandas e os desafios. Ele elogiou a persistência da comunidade acadêmica com vistas a melhorar a atuação da FAP e a resgatar antigas conquistas para o setor. "Me sinto na obrigação de reestruturar e retomar a capacidade orçamentária da fundação", afirmou. 

Mais notícias sobre