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Deputada denuncia situação de abrigo para crianças e adolescentes

Publicado em 07/10/2009 12h17
Meninos e meninas passam o dia sem qualquer atividade educativa ou lúdica, numa casa que não se assemelha em nada com um lar. De um lado, crianças de seis anos brincam com um carrinho. De outro, adolescentes cheiram cola. As paredes não têm pintura, os banheiros não têm divisórias e, na hora do banho, crianças compartilham sabonetes e toalhas. Essa é a situação do abrigo Reencontro (Abrire), localizado em Taguatinga Norte.
 A realidade do local foi denunciada hoje (7) pela deputada Erika Kokay (PT), durante audiência pública realizada esta manhã no plenário da Câmara."O abrigo é uma entidade público-estatal que deve proteger e abrigar crianças e adolescentes de zero a 18 anos, oferecendo atenção integral e integrada, mas infelizmente não é isso o que se vê. O Estado está violando a lei", disse a petista.

Kokay realizou três visitas ao Abrire e, em relatório sobre a situação do abrigo, apresenta um cenário preocupante: superlotação, insuficiência de recursos humanos, pessoal sem capacitação adequada etc. "É impossível realizar um trabalho de qualidade com o quadro de hoje, os servidores sentem-se impotentes", afirma.

:De acordo com Glaúcia Gomes de Oliveira Aguiar, do Conselho de Assistência Social do DF, o problema não é a falta de recursos: "Existe recurso financeiro, sim. O que atrapalha são questões como a burocracia para a liberação da verba". Ela ainda criticou a falta de fiscalização por parte de instituições como os conselhos tutelares e a seleção de cuidadores sociais sem consciência de seu papel. "A realização de um concurso público para cuidadores sociais foi, sem dúvida, uma grande conquista, mas o edital não deixou claro a real função desses profissionais. O resultado foi a seleção de pessoas sem perfil para isso. O cuidador deve ser como uma mãe ou pai: deve olhar as unhas dos meninos, ajudar nas atividades escolares, etc", disse.

:A representante do Conselho de Assistência Social do DF apresentou ainda a realidade dos jovens que, ao completarem 18 anos, devem deixar o abrigo: "Eles saem ainda mais desamparados, sem capacitação para desempenharem um trabalho, por exemplo".

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Execução orçamentária - O Serviço de Acolhida em Abrigo para Crianças e Adolescentes conta com um orçamento de R$ 551 mil em 2009. Para Kokay, esse valor, por si só, já é insuficiente para as demandas. Além disso, a deputada critica a falta de execução orçamentária. Até este mês, apenas R$ 163 mil haviam sido empenhados.

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