Celina diz que, se o governador não pede desculpa, o Legislativo assume esse papel
Celina diz que, se o governador não pede desculpa, o Legislativo assume esse papel

"Não é o papel da Casa assumir atos de outros poderes. Mas em virtude de tudo que aconteceu ontem, já que o governador ainda não se desculpou, em nome do Legislativo, peço desculpas aos professores. Toda a nossa cidade ficou manchada". Com a voz embargada, a presidente da Câmara Legislativa, deputada Celina Leão (PDT), manifestou sua solidariedade à categoria, ao final da reunião conjunta das Comissões de Educação e de Direitos Humanos, que discutiu os atos de violência praticados na quarta-feira, contra professores em greve.
"Em todos os momentos que esta Casa se posicionou durante essa crise, ela sempre esteve ao lado dos professores. E não poderia ser diferente agora", enfatizou a deputada, lembrando a todos que os deputados distritais irão continuar insistindo com o governo a retomada de negociações para o cumprimento da lei sobre o pagamento do reajuste salarial aos servidores, aprovado ano passado, em plenário, e confirmado pela Justiça, em 2015.
Como líder da Rede, o deputado Chico Leite manifestou solidariedade aos professores. "Tudo isso que aconteceu foi sectário. Não podemos aceitar atos de violência contra os professores - e também contra o Estado de Direito", afirmou o distrital, ao pregar que a bancada que representa irá cobrar a apuração do episódio.
Ao enfatizar que estava "indignado" com as agressões físicas e morais aos professores, o deputado Wellington Luiz (PMDB) foi ovacionado pelos participantes ao pregar que "quem precisa ser responsabilizado pela violência é o governador". O distrital também criticou Rollemberg por "tentar jogar a população contra os professores", em relação aos recursos utilizados pelo Fundo Constitucional.
O deputado Rodrigo Delmasso (PTN), líder do bloco "Amor por Brasília", disse que ficou "envergonhado" com a violência praticada contra os professores. "Eu faço coro a esse pedido de desculpas", enfatizou. Outro que criticou duramente a violência foi o distrital Lira (PHS). Ele fez um apelo para que o governo aceite retomar o diálogo com os professores. "Estou do lado de vocês", assegurou.
Estudantes – Além dos parlamentares, professores e estudantes também se pronunciaram durante a reunião conjunta no plenário, com protestos indignados contra a violência nas manifestações de rua. A professora Patrícia, de Sobradinho, exortou a necessidade de a Câmara Legislativa continuar trancando a pauta de votações.
"Eu amo meus professores e não aceito isso", exortou o estudante Jorge Veloso. Professores leram ainda uma carta aberta enviada pela aluna Bruna, que circula nas redes sociais, onde ela diz que chorou muito com as imagens de violência vitimando os professores. Os docentes deixaram o plenário cantando palavras de ordem em favor da continuidade do movimento: "mexeu com a formiga/tem que enfrentar o formigueiro".