Câmara Legislativa ouve versões sobre reajustes de mensalidades
Câmara Legislativa ouve versões sobre reajustes de mensalidades

"É uma falácia dizer que os reajustes são vinculados ao aumento dos professores. Enquanto os docentes tiveram perda de 4,4% nos últimos dois anos, há escolas reajustando as mensalidades em até 23%", disse o presidente do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproeb), Rodrigo de Paula, durante a audiência pública da Comissão de Educação Saúde (CES), nesta terça-feira, no Plenário da Casa.
Rodrigo também salientou a importância da Câmara Legislativa para assegurar que o debate sobre os reajustes seja justo e sugeriu a criação de uma comissão para discutir números e indicadores.
O deputado Chico Leite (PT) comprometeu-se a levar a reivindicação à deliberação dos demais membros da CES.
O diretor da União Nacional dos Estudantes, Leandro Cerqueira, ressaltou que a versão de que os impostos são responsáveis pelas altas mensalidades no ensino superior não se sustenta. "Metade das Instituições de Ensino Superior são entidades sem fins lucrativos e 35% são filantrópicas, ou seja, 85% têm uma isenção de impostos". Para pacificar a questão dos reajustes, seria necessário justificar o aumento nos gastos. "Deveria haver comissões paritárias, entre representantes dos alunos e da instituição, em que fossem apresentadas as planilhas de custos", explica Leandro.
Presente à audiência pública, o ouvidor do Procon/DF, Oswaldo de Morais, lembrou que de janeiro até o dia de hoje, a entidade recebeu 805 reclamações relativas a escolas e faculdades. "As mais freqüentes são relacionadas a reajustes, renegociações de dívidas, listas de materiais, cobrança de matrícula e retenção de documentos".
Já a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sindipes), Amábile Pacios, destacou que os reajustes não são indexados à inflação e nem aos reajustes dos professores. "Quando os reajustes são acima da inflação é devido ao projeto pedagógico", afirmou.
Amábile acrescentou que os encargos sociais são os grandes responsáveis pelo reajustes. "São 72 taxas a pagar. O governo poderia desonerar nosso setor, colocando os impostos sobre o lucro e não sobre a folha de pagamento", observou. Segundo a presidente do Sindipes, as escolas que fazem parte do sindicato terão reajustes de até 7%. "Isso porque não colocamos na planilha questão da inadimplência. Em 18 escolas, por exemplo, há 32% de inadimplência".