Câmara debate programas educacionais do GDF
Câmara debate programas educacionais do GDF

Tadeu explicou que recebeu inúmeras reclamações e denúncias, principalmente de alunos e professores, em relação à aplicação de políticas públicas de educação. Segundo o deputado, a questão principal é que no projeto lançado recentemente, os professores deixam de ser professores para serem monitores do Telecurso. Ele lamentou a ausência dos secretários Alceni Guerra e José Luiz Valente, que alegaram "compromissos assimidos anteriormente".
Paulo Tadeu disse, ainda, que está preocupado com a "lógica da terceirização e privatização de setores públicos", que já atingiu a área de saúde e agora volta-se para a educação com a aplicação do Telecurso 2000, da Fundação Roberto Marinho.
Aceleração - Para a coordenadora de Políticas Públicas do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro/DF), Valesca Leão, há falta de vontade política para que se tenha um ensino de qualidade. Para ela, o novo "projeto de aceleração", com base no Telecurso, tem como meta a melhoria dos índices estatísticos, deixando de lado o ensino regular.
O professor Raimundo Nonato Neves de Menezes, do Centro de Ensino 10 de Ceilândia, criticou o que chamou de "lógica da aprovação automática".
Essa prática adotada pelo GDF, segundo ele, desestimula alunos e pais. Criticou também a "Telematrícula", adotada pelo governo local, que inibe a busca pelos serviços públicos de ensino e vem ao encontro da idéia de privatizar o ensino e esvaziar a escola pública.
A estudante Yohana Leite ressaltou que o GDF descumpre a Constituição ao deixar de lado a educação de qualidade, que é direito de todo cidadão. Ressaltou que o projeto implantado no DF serve como barreira ao acesso dos alunos da rede pública à universidade.
Ana Luisa Reviera, promotora de justiça do Ministério Público do DF, concordou com a estudante. Destacou que educação não é só matricular, mas preparar o estudante para o ingresso no mercado de trabalho e para exercer a sua cidadania a partir de um ensino de qualidade.
Convênio - O chamado projeto de "aceleração" prevê turmas específicas nas escolas públicas para estudantes com problemas de defasagem idade-série. A idéia é "devolver" os alunos ao fluxo normal de aprendizagem em um prazo de um ano para os do segundo ciclo do Ensino Fundamental - 5ª à 8ª série – e, de um ano e meio, para estudantes do Ensino Médio. Pelo convênio, a parceria atenderá somente estudantes de 15 anos ou mais, matriculados a partir da 5ª série. O recorte foi feito porque dados apontam que a distorção é mais grave nessa fase. Aproximadamente 90 mil alunos têm idade acima da correspondente ao nível de estudo. Segundo dados do Censo Escolar de 2007 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), os maiores índices de defasagem idade-série no DF aconteceram na 1ª e 2ª séries do Ensino Médio, seguidos pela 5ª série do Ensino Fundamental.
A estimativa preliminar do governo é de que serão 38.
360 alunos, o que implicará um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões.