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Câmara busca soluções para o descarte e reciclagem de vidro no DF

Publicado em 17/10/2017 09h55

Os desafios da logística reversa do vidro no Distrito Federal foram debatidos hoje (17) em audiência pública realizada pela Câmara Legislativa, por iniciativa dos deputados Joe Valle (PDT) e Chico Vigilante (PT). O debate se segue à aprovação, em primeiro turno, do PL 1.541/2017, de autoria do deputado Chico Vigilante, que proíbe a comercialização no DF de bebidas acondicionadas em garrafas de vidro descartáveis. O projeto ainda aguarda votação em segundo turno.

O autor da proposta defendeu a restrição ao material descartável e garantiu que o PL será aprovado pelos colegas parlamentares. "O projeto foi aprovado em primeiro turno e só não o aprovamos em segundo turno ainda por um pedido do presidente Joe Valle para que houvesse mais discussões. De qualquer maneira, posso garantir que o PL será aprovado por esta Casa. Quantas mil toneladas de garrafas são descartadas por dia no lixão?", provocou.

Representando a associação das indústrias de Vidro (Abividro), Ana Paula Bernardes, destacou as qualidades do material, em especial sua alta taxa de reciclagem. "É um material inerte, natural e totalmente reciclável", afirmou. A coleta do vidro para ser reutilizado na fabricação de novos produtos foi apontada pela representante das indústrias como fundamental para a logística reversa. "Sem coleta, não há reciclagem. A Abividro já se comprometeu com o GDF a vir buscar os cacos de vidro sempre que houver 25 toneladas coletadas. Infelizmente, a coleta em Brasília não atingiu ainda o padrão de Porto Alegre, onde 60% do vidro é reciclado, um índice europeu", comparou.

Cleusimar Andrade, da cooperativa Recicle a Vida, ressaltou os desafios econômicos da reciclagem de vidro. "Nossa cooperativa foi contratada pelo GDF para fazer coleta seletiva e deveríamos encaminhar todo o vidro para o rejeito, conforme a instrução do Serviço de Limpeza Urbana, mas nós decidimos separar todo o vidro e enviar para a fábrica. O problema é que enquanto uma tonelada de plástico vale dois mil reais, o mesmo peso em vidro vale apenas cento e quarenta reais. A indústria de vidro paga pouco e não temos como remunerar os catadores pelo trabalho arriscado de separação do vidro", explicou.

Alguns empresários buscaram soluções próprias para o descarte do vidro. É o caso de Paulo Lima, proprietário do restaurante Dona Lenha, que criou estruturas para coletar vidros de todos os estabelecimentos comerciais vizinhos. "A fábrica paga pelos cacos de vidro exatamente o que gastamos com frete para enviar o material até eles, portanto, para nós o problema está resolvido", observou.

Paulo Celso dos Reis, diretor técnico do Serviço de Limpeza Urbana, defendeu que o ônus da logística reversa recaia sobre as fábricas de bebidas. "Essas mesmas fábricas pagam pela logística reversa do vidro nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Por que não querem pagar no Brasil? A responsabilidade pós-consumo sobre o produto é do produtor, não dá para jogar esse custo para governo e população", afirmou. O diretor lembrou que anualmente cerca de 300 garis e 600 catadores sofrem acidentes graves ao manipularem cacos de vidro.

Por fim, o secretário de Meio Ambiente, André Lima, defendeu uma solução intermediária. "Enterrar o vidro não é a solução, mas proibir o comércio de vidro também não resolve o problema, embora isso desperte a discussão. Espero que esse projeto contenha um dispositivo transitório estabelecendo prazo mínimo para que a lei entre em vigor e, nesse intervalo de tempo, se houver um acordo setorial sobre o tema, que esse acordo tenha força de lei", disse.

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