Publicador de Conteúdos e Mídias

Audiência pública debate destinação de recursos para idosos

Publicado em 20/10/2008 10h40
Mesmo constituindo boa parte da população do DF, os idosos não têm recebido da sociedade e do poder público a atenção necessária para assegurar-lhes a continuidade da vida com dignidade. Esse foi o tom predominante dos discursos hoje, na Câmara Legislativa, durante a audiência pública promovida pelo gabinete do deputado Cristiano Araújo (PTB), com a finalidade de discutir políticas de apoio para ampliar os recursos destinados à melhoria da qualidade de vida dos idosos.

Cristiano afirmou que o atendimento proporcionado aos idosos pode e deve melhorar e que esse debate não pode ser adiado. Enfatizou também o deputado, que até 2015 as pessoas com mais de 60 anos serão 15% da população do DF, sendo imperativo que se transforme palavras em iniciativas concretas para obtenção de recursos em benefício desse segmento.

O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil - seção DF, Jomar Alves Moreno, disse que a OAB se preocupa tanto com essa parcela da população que instituiu a Comissão do Idoso, exatamente para acompanhar e defender melhor tratamento para os integrantes da chamada terceira idade.

Jomar foi enfático ao observar que o respeito e atenção ao idoso dependem da família, da sociedade e também do Estado e que, nessa missão, cada um deve cumprir seu papel. Garantiu, ainda, que não se vive "de brisa ou discussão", sendo necessário carrear recursos para assistir os idosos em todas suas demandas.

A presidente do Conselho do Idoso do DF, Janet Henriques Mota Azevedo, defende que é realmente hora de "sair do discurso e partir para a ação". Para exemplificar, Janet lembrou que Copacabana tem mais idosos do que a Suécia e o Japão e que, no Distrito Federal, a situação não será muito diferente em alguns anos, principalmente se comparada ao declínio da taxa de natalidade.

Embora reconhecendo que os "sessentões" vivem hoje mais e melhor, os profissionais não estão preparados para lidar com os problemas específicos da terceira idade. A medicina dos idosos não congrega número suficiente de especialistas, embora o segmento esteja entre os mais promissores nichos de mercado.
  O deputado Pedro do Ovo (PMN) concordou que os recursos públicos não são utilizados "da maneira como queríamos", enquanto o coordenador de Assuntos da Terceira Idade da Secretaria de Justiça do DF, Elton da Cunha Nogueira, explicou que sua coordenadoria - criada no ano passado - ainda está se estruturando para desempenhar melhor suas funções.

A promotora Sandra de Oliveira Julião, da Promotoria de Defesa dos Direitos do Deficiente e do Idoso no DF, enfatizou a necessidade de ações em rede, com os diversos órgãos que tratam da questão articulados entre si.

"Os direitos dos idosos já estão bastante garantidos pelas leis. O que precisamos fazer é colocar em prática os instrumentos criados pelo Estatuto do Idoso para fazer valer esses direitos", completou a coordenadora do Núcleo de Defesa do Idoso da Defensoria Pública do DF, Paula Regina Ribeiro. Paula defendeu a fiscalização da aplicação de dotações orçamentárias.

Mais notícias sobre