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Audiência na CLDF defende visibilidade lésbica

Publicado em 28/08/2020 09h04

Em uníssono com o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado amanhã (29), audiência pública remota da Câmara Legislativa tratou sobre a realidade e as condições de vida das lésbicas do Distrito Federal, retratadas no Censo de Lésbicas do DF e Entorno, o LesboCenso. Com tradução simultânea em Libras, o encontro da noite desta quinta-feira (27) foi transmitido ao vivo pela TV Web CLDF e pelo canal da Casa no Youtube.

O mediador do encontro, deputado Fábio Felix (PSOL), defendeu maior espaço para a diversidade no Legislativo local e a importância dos dados e informações para tirar as lésbicas da invisibilidade e do silenciamento. Com esse propósito, as representantes da Associação Lésbica Coturno de Vênus, Melissa Navarro e Iara Alves, apresentaram o LesboCenso, instrumento usado para mapear a realidade das mulheres lésbicas a fim de recolher informações e subsidiar  formulação de políticas públicas voltadas ao segmento.

De acordo com o LesboCenso, 83% das mulheres que responderam a pesquisa afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência por serem lésbicas, a lesbofobia. "Existir e resistir na arena pública" foi o apelo da representante do Coletivo Ação Lésbica Feminista do DF, Raquel Mesquita, ao frisar que sem dados oficiais "o Estado se torna míope".

Dados

Em nome do GDF, participaram da audiência secretários adjuntos de várias pastas, como Desenvolvimento Social, Saúde, Mulher, Educação e Segurança Pública. O secretariado presente se mostrou interessado em trabalhar com os dados do LesboCenso, a exemplo do representante da Secretaria de Educação, Dymas Júnior, e da responsável pelo enfrentamento à violência na Secretaria da Mulher, Irina Storni. A diretora de estudos e políticas sociais da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Daiane Machado, reconheceu que há poucos dados oficiais disponíveis sobre a população lésbica, os quais, inclusive, são restritos e limitados. Por outro lado, disse que é intenção do órgão suprir essas lacunas nas próximas pesquisas.

Já a representante da Secretaria de Saúde, Denise Ocampos, defendeu a transversalidade de gênero na política nacional de saúde da mulher, bem como uma linha de cuidados para a população LGBT. Voltado a esse público, a secretária adjunta de Segurança Pública, Rosineide Sá, destacou as políticas internas de sensibilização e respeito na abordagem policial, e os programas de segurança preventiva.

Por sua vez, a secretária executiva de Desenvolvimento Social do DF, Ana Paula Marra, considerou que "o histórico patriarcal de heteronormatização vulnerabiliza e inviabiliza mulheres lésbicas", e argumentou pela importância de políticas públicas que as alcancem. Nesse sentido, um dos principais encaminhamentos da audiência foi uma agenda de reuniões entre os movimentos e as secretarias.

Frente

Ao final do encontro, o deputado Fábio Felix convidou os movimentos para a reunião de organização e lançamento, no próximo dia 3, da Frente Parlamentar em Defesa da População LGBTI+ da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Franci Moraes
Imagem: Reprodução TV Web CLDF
Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa

 

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