Prejudicados no vestibular da ESCS merecem respeito
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Prejudicados no vestibular da ESCS merecem respeito
04/04/2014 13h16| Em artigo, o deputado Prof. Israel Batista (PV) lamenta o erro do Cespe/UnB no lançamento das notas de redação do vestibular da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) e o consequente cancelamento das matrículas de 58 estudantes de enfermagem e medicina. "Não é possível que esses alunos sejam tratados com tamanho desrespeito após um fato que mexeu com os sonhos e com o emocional dessas pessoas", afirma. E cobra uma solução: "O Estado não pode se eximir de sua responsabilidade. Um erro como esse é muito grave para ser resolvido apenas por uma nota de esclarecimento". | |
Há cerca de duas semanas, o Cespe/UnB divulgou uma errata que mudaria a vida de estudantes dos cursos de Medicina e Enfermagem da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS). Como se fosse algo banal, apenas mais uma divulgação administrativa, a instituição responsável pela realização do vestibular de 2014 da ESCS informou que houve uma falha no lançamento das notas da redação e, assim, reclassificou os aprovados. Como resultado, 58 candidatos que já tinham até matrícula na faculdade de repente foram suspensos sem a menor expectativa de solução.
O Cespe divulgou essa nova classificação dos aprovados no dia 20 de março, por meio do Edital nº 3. Isso, mais de um mês depois do primeiro resultado. Agora, imagine a injustiça que aconteceria com todos os outros alunos que deveriam ter aparecido na primeira listagem de aprovados no vestibular e que talvez nunca soubessem que o Cespe errou. Felizmente, isso foi revertido. Mas, com a correção dessa falha, consequentemente, outro cenário de injustiça surgiu.
O fato é que 58 estudantes que, até então, imaginavam ter passado no vestibular simplesmente perderam suas vagas. Matriculados na ESCS, eles já tinham iniciado as aulas, comprado livros, jalecos... Esses estudantes comemoraram a aprovação para cursos concorridíssimos, numa instituição superior que é classificada como a 4ª melhor no País! Há casos de alunos que deixaram de assumir vagas em universidade federais ou que saíram de outros estados e fecharam contrato de aluguel para estudar em Brasília. Nunca imaginariam que o sonho se transformaria em pesadelo.
E é sobre esse pesadelo na vida desses estudantes e de suas famílias que quero chamar a atenção. Querem que esses 58 estudantes, que não têm culpa alguma do ocorrido, se conformem com a situação, se calem perante uma simples nota de esclarecimento. Como se um erro tão absurdo como esse pudesse ser apagado com um simples pedido de desculpas, aliás, pedido esse que nem existiu.
Para esta falha gravíssima, a instituição alegou que o problema ocorreu na identificação dos autores das redações, em um processo de programação que ainda não entendemos exatamente como foi. Aliás, a detecção do erro só foi possível porque um candidato que tirou uma nota alta na prova pediu a revisão do certame, já que ele não teve sua redação corrigida. E se ele não tivesse pedido essa revisão?
Não é possível que esses alunos sejam tratados com tamanho desrespeito após um fato que mexeu com os sonhos e com o emocional dessas pessoas. Isso sem falar dos impactos, inclusive financeiros. É responsabilidade do Estado fazer a devida justiça a esses estudantes, que tiveram que ingressar com mandados de segurança individuais para assegurar o direito de frequentarem as aulas. Essa medida jamais deveria ter sido necessária.
Desde o início dessa história, tenho acompanhado e buscado cobrar de instituições ligadas ao ocorrido e que possam atuar para chegarmos à solução do problema: Cespe, ESCS, Secretaria de Saúde, OAB e até o Ministério Público do Distrito Federal. Trouxemos a discussão para a Câmara Legislativa e aprovamos requerimento para a realização de uma audiência pública para tratar do assunto. O Estado não pode se eximir de sua responsabilidade. Um erro como esse é muito grave para ser resolvido apenas por uma nota de esclarecimento. Os prejudicados no vestibular da ESCS merecem mais respeito! Merecem uma solução!
*Prof. Israel Batista é deputado distrital pelo PV.