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Voltar Liliane Roriz - Por uma cultura acessível a todos

Sempre pensei que a arte é uma arma poderosa de transformação do ser humano. Por meio dela, o indivíduo consegue refletir sobre a vida, enxergar novas possibilidades diante do mundo. Mas, pensando melhor sobre o tema, concluí que muito além da arte está a cultura.

A cultura inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, as leis e os costumes dos homens. É tudo aquilo que uma sociedade precisa para seguir o caminho do desenvolvimento, da justiça social.

Na teoria, o significado da palavra seria a solução para erradicar as diferenças sociais. Mas na prática, a cultura esbarra na burocracia.

Infelizmente, em Brasília a cultura é mais uma vítima da burocracia. E são muitos os exemplos que desenham esse cenário na Capital.

Veja o Teatro Nacional projetado por Oscar Niemeyer. No início do ano, bailarinos se viram proibidos de se apresentar no teatro porque esse não havia alvará do Corpo de Bombeiros. A decisão foi do Juizado da Infância e da Juventude, pois no espetáculo haveria crianças no palco.

Até hoje, nada foi feito no Teatro Nacional. No mês passado, o Ministério Público do DF pediu a suspensão de atividades no local. O Corpo de Bombeiros encontrou 112 irregularidades nas dependências do prédio. O teatro oferece grandes riscos para o público. Não há saídas de emergências.

Mesmo após tragédias como a da boate Kiss em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, o GDF não iniciou as obras de reforma no teatro e alega que está aguardando a finalização do projeto de reforma para poder dar início ao processo de licitação.

No Museu de Arte de Brasília, mais um exemplo da burocracia. O espaço está completamente abandonado. O GDF chegou a anunciar, em 2013, um projeto de reforma tocado pela Secretaria de Cultura. No entanto, o prédio do MAB ainda aguarda verba para iniciar as reformas. Enquanto isso, o museu é um criadouro de doenças, com vidros quebrados e móveis entulhados. É o retrato do descaso ao patrimônio público.

Num piscar de olhos o GDF consegue R$ 2 bilhões para construir um estádio, mas cria dificuldade para restaurar e preservar uma parte importante da cultura de nossa cidade.

O descaso com a população é o que mais chama a atenção. Não se faz valer a voz das ruas que clama por mais cultura, por teatros aptos a receber grandes espetáculos, por museus em condições de abrigar obras de artistas brasileiros e internacionais.

Observem o que aconteceu com o Museu Nacional da República. Por causa de má gestão, o governador do DF resolveu entregar de mão beijada o museu para o Ministério da Cultura. Sem ouvir a população, o espaço passaria a ser de responsabilidade da União. Às pressas fui à Justiça para tentar impedir a transferência. Até o momento, nada de concreto foi decidido e o brasiliense aguarda o destino de mais um patrimônio cultural da nossa cidade.

Em três anos de governo, muito pouco foi feito pela cultura do DF. Será que o fim dessa história será marcado por mais uma derrota da nossa cultura?

*Liliane Roriz é deputada distrital  pelo PSD

Deputada Liliane Roriz