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Voltar Ata Circunstanciada Sessão Ordinária 104/2025

DCL n° 259, de 26 de novembro de 2025 - Suplemento
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CCÂÂMMAARRAA LLEEGGIISSLLAATTIIVVAA DDOO DDIISSTTRRIITTOO FFEEDDEERRAALL

TERCEIRA SECRETARIA

Diretoria Legislativa

Setor de Registro e Redação Legislativa

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33ªª SSEESSSSÃÃOO LLEEGGIISSLLAATTIIVVAA DDAA 99ªª LLEEGGIISSLLAATTUURRAA

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PRESIDENTE DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Sob a proteção de Deus, iniciamos os

nossos trabalhos.

Sobre a mesa, expediente que será lido por mim.

(Leitura do expediente.)

PRESIDENTE DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Há somente a minha presença, deputado

Chico Vigilante.

Como não se verifica o quórum mínimo de presença, suspendo os trabalhos até que ele se

complete.

(Os trabalhos são suspensos.)

PRESIDENTE DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Reinicio os trabalhos. Está aberta a

sessão.

Passo a presidência ao deputado Ricardo Vale.

(Assume a presidência o deputado Ricardo Vale.)

PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Dá-se início ao comunicado de líderes.

Concedo a palavra ao deputado Chico Vigilante.

DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT. Como líder.) – Senhor presidente, senhoras e senhores

deputados, eu volto ao assunto do momento, que é esse escândalo monumental envolvendo o Banco

Master, o Banco de Brasília e um conjunto enorme de fundos de pensões.

Eu tenho aqui uma matéria do UOL, de uma jornalista respeitadíssima, que diz o seguinte:

“Operação para unir Master e BRB teve Rueda e Ciro Nogueira como padrinhos”. Quem é o Antônio

Rueda? Ele é o presidente do União Brasil. Quem é o Ciro Nogueira? Ele é o presidente do Partido

Popular. Eu não estou chamando PP para não parecer PT. É Partido Popular.

A matéria diz: “A aproximação do BRB, Banco de Brasília, com o Banco Master – que levou a

uma oferta para comprar o Master, barrada pelo Banco Central – contou com a ajuda dos presidentes

do União Brasil, Antônio Rueda, e do Partido Popular, Ciro Nogueira.

Os partidos são aliados ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, MDB, cuja

administração controla o BRB, banco estatal.

No final do ano passado, Vorcaro procurava um comprador para o banco, e a influência dos

dirigentes partidários no Governo do Distrito Federal abriu as portas no BRB.

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A proximidade de Ciro e Rueda com o banqueiro foi essencial na negociação com o banco

estatal, já que Ibaneis precisa dos 2 partidos para uma aliança nas eleições de 2026.”

Quem são os 2 partidos? União Brasil, do Antônio Rueda, e o PP, Partido Popular, do Ciro

Nogueira.

Sabe o que me assusta, deputado Ricardo Vale, deputado Fábio Félix e deputada Jaqueline

Silva? O que me assusta é verificar que esse pessoal teve a capacidade de fazer com que o Banco de

Brasília comprasse papéis podres do Master. É cédula que não existe, é cédula falsa, são fake news.

Assim, deputado Ricardo Vale e deputado Fábio Félix, eu digo que tenho uma cédula, vendo-

a por R$12 bilhões, mas a cédula não existe, não há lastro. Não há como o Banco de Brasília

resgatar esse valor, e lá se foram R$12.200.000.000. Enquanto isso, servidores do Governo do

Distrito Federal e outros servidores, inclusive da Câmara Legislativa, estão superendividados em

razão dos juros pagos. Houve gente até se suicidando. Eu sei de suicídios de professores e de

trabalhadores da saúde que aconteceram em função de não darem conta de pagar o que estavam

devendo ao BRB.

Eles não tiveram a capacidade de fazer um Refis para esses trabalhadores e essas

trabalhadoras – algumas viúvas –, mas tiveram a capacidade de dar R$12.200.000.000 a um

picareta, um vagabundo, chamado Vorcaro. Esse sujeito gastou, deputado Ricardo Vale, R$15

milhões na festa de aniversário da filha dele. Como é possível gastar R$15 milhões em uma festa?

Essa festa foi em cima de cadáveres – de pessoas que morreram, porque não deram conta de pagar

os juros absurdos. Isso é crime! Isso tem que ser punido! Mais pessoas têm que ir para a cadeia em

função de tudo o que elas cometeram, inclusive contra a economia do Distrito Federal – empresários

também!

Eu cito um fato do qual todo mundo se lembra: as ações contra nosso ilustre vizinho, o

Correio Braziliense. Está lembrado, deputado Fábio Félix, do que o Banco de Brasília fez com o

Correio Braziliense? Todo mundo se lembra do que o Banco de Brasília fez para proteger o picareta

Vorcaro, um vagabundo que tem que apodrecer na cadeia por tudo o que ele fez contra esta nação.

Obrigado, presidente.

PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Chico Vigilante.

Concedo a palavra ao deputado Fábio Félix.

DEPUTADO FÁBIO FÉLIX (Bloco PSOL-PSB. Como líder.) – Presidente, quanto mais nós lemos

e sabemos sobre essa história, mais nos envergonhamos e nos indignamos com o que está

acontecendo neste momento no Distrito Federal. O governador Ibaneis conseguiu colocar o BRB nas

páginas policiais do Brasil inteiro. Hoje, a notícia é o papel que o BRB cumpriu na tentativa de salvar

e camuflar a crise, a corrupção e a fraude dentro do Banco Master.

Nós avisamos, desde o início, nesta casa, sobre a situação que estava sendo desenhada: a

falta de transparência, a falta de dados e o horror que estava sendo feito com o Banco de Brasília.

Eles não quiseram ouvir isso, porque eles estão lá, no alto da arrogância deles.

Nós sabemos como somos tratados na Câmara Legislativa no debate de qualquer projeto. Lá,

no alto da arrogância deles, eles não quiseram nos ouvir – ninguém! Nós falamos o que estava

sendo feito: uma operação de salvamento, que agora sabemos que não era de salvamento. Eles

faziam investimento com dinheiro público em um banco privado.

Tratava-se de transferência de dinheiro para um banco privado de um banco público, e os

ativos comprados eram fraudulentos. Tratava-se de uma farsa que se fazia com dinheiro do Banco de

Brasília, cujo sócio majoritário – com 70% das ações – é o Governo do Distrito Federal, ou seja, tudo

passa pelo governador do Distrito Federal. Porém, com a voz mansa do presidente Paulo Henrique,

ele foi entubando isso. Deputado Max Maciel e deputado Chico Vigilante, os deputados nem sequer o

cobraram a vir a esta banca para uma audiência pública e prestar contas do que era a operação. Ele

só veio à Câmara Legislativa falar a portas fechadas. Essa é a situação!

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No passado, lutamos para aprovar uma lei para que o BRB não cometesse abusos contra os

servidores. O BRB comete abusos contra os servidores, confiscando salários, tirando dinheiro do

cartão de crédito dos servidores e fazendo cobranças indevidas. Sabemos que o BRB comete práticas

bancárias abusivas, e a Defensoria Pública do Distrito Federal já comprovou isso. Quando o BRB fez

isso, não abriram diálogo e falaram que eram práticas concorrenciais.

Que prática concorrencial é essa de investir R$16 bilhões em um banco falido? Quem tomou

essa decisão contra a população do Distrito Federal, enquanto os professores faziam empréstimo

consignado, não conseguiam pagar as contas, e o BRB não os ajudava? Na pandemia, esse banco

público não fez um crédito para os microempreendedores desta cidade! Enquanto os servidores

passam uma série de dificuldades e recebem cobranças indevidas, o BRB investe R$16 bilhões num

banco! Depois, deputado Chico Vigilante, de o Banco Central dizer “não” à compra do Banco Master,

o BRB investiu mais R$2.800.000.000,00 no Banco Master. Isso aconteceu depois da negativa do

Banco Central. Essa é a situação.

Esse é um escândalo de dimensão gigantesca que eles precisam explicar para a população

do Distrito Federal! Não é possível – não é possível! – que o Governo do Distrito Federal não preste

contas disso!

A primeira pessoa que o governador indicou para ocupar a presidência interina do BRB já

declinou. Já enviaram a mensagem para a Câmara Legislativa com o nome da segunda pessoa

indicada para ser o presidente do BRB.

A sabatina dessa pessoa nesta casa tem que ser o quanto antes! Nós queremos saber todas

as informações do Banco de Brasília. Inclusive, todos os diretores que ficaram no banco e não foram

afastados têm que ser convocados. Nós podemos assinar uma convocação conjunta. Eles têm que vir

a esta casa se explicar. A população do Distrito Federal quer saber o que houve.

Não sei se isto tem acontecido com os outros deputados, mas eu tenho recebido mensagens

de pessoas que têm CDB. Não são pessoas que têm muito dinheiro, não! As pessoas que têm

qualquer quantia no BRB estão com medo. A última coisa que nós queríamos era gerar qualquer tipo

de pânico, mas quem gerou pânico não fomos nós! Quem gerou pânico foi o governador do Distrito

Federal e a equipe que preside o Banco de Brasília!

Agora é a hora. Na hora de aprovar a lei, a Câmara Legislativa não teve a postura altiva que

devia ter tido. É possível ser base de governo de forma crítica e séria. No primeiro mandato do

governador, várias vezes convidamos autoridades a fim de as questionar e mudamos projetos.

Porém, a forma como o projeto foi aprovado nesta casa é uma novidade. A Câmara Legislativa se

prestou a funcionar como um cartório e não debateu o projeto da devida forma. Nós autorizamos

essa compra.

Por sorte, outras instituições não tiveram a mesma postura que esta casa. O Banco Central, o

Ministério Público Federal e o Ministério Público do Distrito Federal – 3 instituições! – não tiveram a

mesma postura da Câmara Legislativa, e a operação não teve êxito e não foi finalizada. Seria uma

tragédia ainda maior se essa operação tivesse sido finalizada.

Presidente, eu queria, mais uma vez, repudiar o trato do Governo do Distrito Federal com a

coisa pública, com o Banco de Brasília, que é uma empresa da população do Distrito Federal.

Eu gostaria também de deixar muito clara uma contradição inaceitável. Vejam a forma como

tratam os servidores públicos. Vejam a forma como o banco trata, todos os dias, os servidores

públicos e, especialmente, os superendividados, para os quais chamamos mais a atenção. Muitos

deles são aposentados cujos salários estão defasados.

Vejam a forma como o BRB trata o banqueiro! O banqueiro é amigo da elite política, é do

centrão, é amigo do Rueda e do Ciro Nogueira! O banqueiro é tratado nas salas, nos jantares, com

bilhões de reais oferecidos por um banco público para salvar as contas fraudulentas e corruptas dele!

É isso que eles fazem!

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Essa é a forma como a elite – que não pisa no chão da realidade do Distrito Federal, que não

conversa com o povo, o qual luta por moradia e usa o transporte urbano de péssima qualidade; elite

que não entra nas UPAs e nas UBS – trata a população.

Para a população mais pobre: nada! Para os superendividados do BRB: nada e porta fechada!

Para os servidores aposentados: nada! Aumento para os servidores públicos: zero! No entanto, para

o banqueiro amigo: bilhões! Para o amigo do centrão: bilhões!

Eles fizeram conchavos com um objetivo. É preciso ficar claro que o objetivo deles era

eleitoral! O objetivo deles era construir uma conjunção eleitoral para 2026. Eram negócios com

objetivo eleitoral.

Estou falando isso com base em todas as matérias jornalísticas e análises que estão sendo

feitas. O uso da coisa pública para fechar a coligação de 2026 é inaceitável. A história não vai

perdoar o silêncio desta casa.

Por isso, é a nossa hora de atuar e instalar a CPI.

PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Fábio Félix.

Não há mais líderes presentes, somente o deputado Gabriel Magno. Vou falar pela Minoria.

Peço ao deputado Chico Vigilante que assuma a presidência para que eu possa falar.

(Assume a presidência o deputado Chico Vigilante.)

PRESIDENTE DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Concedo a palavra ao deputado Ricardo

Vale.

DEPUTADO RICARDO VALE (Minoria. Como líder.) – Senhor presidente, senhoras e senhores

deputados, na semana retrasada, esta casa teve uma importância muito grande para proteger os

aposentados e pensionistas do Distrito Federal, quando aprovou um projeto de lei – apresentado por

nós – que impedia o Governo do Distrito Federal, no caso o Iprev, de fazer aquela cobrança injusta a

61 mil aposentados e pensionistas do Distrito Federal. O Iprev queria cobrar deles um retroativo do

ano de 2020, referente a 2 meses daquele ano. Felizmente, esta casa teve bom senso, e a maioria

dos deputados votou a favor do projeto. Embora tenha havido uma pressão muito grande para que

retirássemos o texto, nós o mantivemos.

Na semana seguinte, o governador Ibaneis sancionou a lei. Portanto, a lei já está em vigor. A

primeira parcela já havia sido cobrada de alguns servidores, mas eles já estão recebendo a

devolução desse recurso. O projeto foi um sucesso. Ficamos muito felizes com tudo o que aconteceu,

mas confesso que estou muito preocupado com o Iprev, porque sabemos que já vem trabalhando de

forma deficitária.

Se não houver juízo, se o Governo do Distrito Federal não construir políticas públicas para

aumentar o caixa, para fazer o caixa do Iprev crescer, é possível que, em poucos anos, o GDF tenha

dificuldade para pagar os salários desses aposentados e pensionistas. Minha preocupação maior é

justamente porque o Iprev é o segundo maior acionista do BRB, depois do próprio banco. Quase

19% das ações do banco pertencem ao Iprev.

Toda essa corrupção no BRB pode impactar ainda mais o caixa do Iprev, porque,

evidentemente, as ações do banco vão cair – já estão caindo assustadoramente. Muitos pequenos e

médios empresários, muitos correntistas vão deixar de investir no banco, e a tendência é essas

ações começarem a desvalorizar, o que reduzirá o recurso. Precisamos ter muita atenção com isso.

Hoje, deputado Chico Vigilante, nossa bancada apresentou um requerimento à diretora do

Iprev, justamente para que ela responda a algumas perguntas. Vou ler 4 pontos do requerimento.

Queremos que a diretora Raquel, do Iprev, responda, o mais rápido possível, não só para a bancada

do PT, mas para todos os parlamentares desta casa, para a nossa instituição, para o povo do Distrito

Federal, para os aposentados e pensionistas, se há ou houve qualquer aplicação financeira dos

recursos do Iprev no Banco Master. Em caso positivo, diga qual foi o valor investido e qual

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rentabilidade foi apurada. Outra solicitação foi a relação atualizada de todos os recursos do Iprev

aplicados no mercado financeiro. Também queremos saber a quantidade de ações do BRB de

prioridade do Iprev-DF, além do valor atual dessas ações. Por fim, questionamos o valor dos

dividendos recebidos pelo Iprev com essas ações. Isso é muito importante.

Esse levantamento que solicitamos ao Iprev, o qual deve ser encaminhado a esta casa, é

muito importante para que saibamos, de fato, o que pode vir a acontecer com os recursos que

pertencem aos aposentados e aos pensionistas do Distrito Federal. Evidentemente, a situação é tão

grave que insistimos, deputado Chico Vigilante e deputado Max Maciel, na abertura de uma CPI

nesta casa.

Esse é um assunto muito sério. Ontem falei e vou falar isto de novo: muitos servidores têm

me procurado e relatado que, diante do que está ocorrendo dentro do banco, a possibilidade de o

BRB quebrar em função dessas operações fraudulentas, desse esquema de corrupção, é muito

grande. Nada melhor do que uma CPI para acompanharmos bem de perto essa situação, sobretudo,

deputado Chico Vigilante, no que diz respeito ao Iprev.

Fica aqui o meu pronunciamento com o apelo à diretora Raquel para que nos comunique

imediatamente o que o Governo do Distrito Federal e o BRB fizeram com esses recursos e com as

ações do Iprev em operações com o Banco Master.

Era isso, senhor presidente. Muito obrigado. Quero parabenizar vossa excelência, deputado

Chico Vigilante, líder dessa bancada, o deputado Gabriel Magno e o nosso mandato por esse cuidado

com os aposentados e pensionistas do Distrito Federal.

PRESIDENTE DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Convido o deputado Ricardo Vale a

reassumir a presidência.

Encerra-se o comunicado de líderes.

Dá-se início ao comunicado de parlamentares.

Concedo a palavra ao deputado Max Maciel.

(Assume a presidência o deputado Ricardo Vale.)

DEPUTADO MAX MACIEL (PSOL. Para comunicado.) – Obrigado, presidente.

Boa tarde a quem nos acompanha presencialmente ou pela TV Câmara Distrital.

Presencialmente, vejo apenas o deputado Chico Vigilante e algumas cadeiras que deveriam estar

ocupadas nesta casa. Também estão presentes o deputado Fábio Félix e o deputado Ricardo Vale.

Desde ontem, após o plenário, todos nós começamos a conversar com vários setores, várias

pessoas, vários públicos – nacionais e locais – sobre a situação em que o Distrito Federal amanheceu

no dia de ontem. Quero saudar o jornalista Vladimir Porfírio, da Record – eu acompanho um pouco o

seu programa à noite e ele sempre faz um comentário. Salvo engano, a nossa equipe levantou que o

Porfírio, durante o último ano, havia realizado 4 denúncias sobre o BRB na TV Record. Ele mostrou

problemas com contratos fraudulentos, relações duvidosas, assédio e uma série de questões dentro

do banco, sobre os quais ele vinha nos alertando.

Eu confesso que muitos desses pontos tratamos aqui, outros não.

Eu cito um repórter, porque isso não ficou, deputado Fábio Félix, restrito à oposição, como

muitos pensam. Acreditam que apenas a oposição vê cabelo em ovo. Isso não é verdade. É todo

mundo. Isso é pauta nacional e internacional. Jornais nacionais, deputado Chico Vigilante, estão

debatendo a situação do banco público da capital do país, porque isso interfere no Brasil inteiro.

Tive acesso à informação, hoje, deputado Fábio Félix, de que só de ontem para hoje o BRB

perdeu R$1 bilhão em investimentos. Uma grande operadora de investimentos que tinha ações e

títulos no BRB já fez a retirada deles. Os investidores começam a ter perdas, sobretudo diante da

possível federalização do banco. Como muitos sabem, o BRB é um dos poucos bancos públicos que

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não foi federalizado ou privatizado. As pessoas começam a temer pela liquidez e pela segurança dos

investimentos, e isso gera uma debandada.

Esse é o risco. O que pedimos, além da CPI, é que o governo, que – não publicamente, mas

nos jornais, nas entrelinhas – afirma não temer nada, abra a negociação ocorrida e esclareça para

onde foram os R$16 bilhões. Qual é o impacto dos R$12 bilhões em fundos sem lastro? Como o

presidente tinha total autonomia em um banco que possui 70% das ações pertencentes ao Estado –

sendo o governador diretamente responsável pela direção da instituição, ainda assim, não estava

enxergando tudo isso?

Nós alertamos sobre essa operação o tempo todo. Sei que não somos videntes, apenas

estudamos e temos acesso aos números. Nós vínhamos alertando, deputado Chico Vigilante, sobre a

falta de segurança desses títulos e sobre a relação deles com o Banco Master, mas o presidente

simplesmente dizia que era para comprar, que era um bom investimento. Eu acho que o governador

Ibaneis deveria nos agradecer, porque, se ele tivesse comprado o banco, a notícia seria pior hoje.

Deputado Ricardo Vale, hoje a notícia seria pior! Uma operação afastando o presidente de

um banco público, prendendo o presidente do outro banco, que o Governo do Distrito Federal queria

comprar por R$2 bilhões, talvez para abafar toda essa problemática que o próprio banco criou... Esse

banco, como já foi dito muito bem aqui, é da população do Distrito Federal. Ele é dos investimentos

do Distrito Federal, do pagamento de uma série de benefícios.

Esse banco faz a gestão, por exemplo, da bilhetagem da mobilidade. O BRB Mobilidade

ganha 4% por cada transação que passa na catraca. Esse banco paga o Cartão Prato Cheio, o Cartão

Material Escolar, o Cartão Creche – tudo isso passa pelo Banco de Brasília. Então, essa situação toda

é muito séria. O que esperávamos era uma postura firme da base, pois, se isso tivesse ocorrido em

outro governo, haveria indignação. Eles estariam gritando, dizendo que isso era um absurdo.

Precisamos colocar o pé no chão e dizer que o futuro é do Distrito Federal.

Aguardem, caso surjam novas informações, a situação pode derrubar o governador. Nós

estamos tendo a oportunidade de descobrir os fatos anteriormente, de olhar com clareza, de ter

tranquilidade para saber separar quem é culpado e quem não é. Porém, pode ser que, deputado

Ricardo Vale, na semana que vem, acordemos com outras notícias. Nesse caso, não será mais

pedido de CPI, será pedido de impeachment. O desastre em que o Banco de Brasília entrou é algo

inimaginável na história do Distrito Federal.

Um banco que já esteve sob ameaça de quebra várias vezes, como eles próprios diziam, que

foi retirado do alvo da Polícia Federal, agora volta com tudo a ser alvo de investigação da Polícia

Federal, e pior: com documentos que comprovam um crime financeiro gravíssimo sem precedentes

na capital do país. É um banco forte, mas nós podemos vir a perdê-lo mais uma vez.

Então, deputado Ricardo Vale, fica o alerta aos parlamentares sobre a gravidade do caso. Eu

tenho até medo do novo nome indicado para presidir o BRB. Esse senhor irá sentar-se em uma

cadeira sem saber o que está acontecendo. Se houvesse sensatez, todos diriam para uma auditoria

ser realizada. “Não querem CPI? Coloquem aqui os diretores!” “Abram as contas!” “Onde está o

entrave?” “Como iremos acertá-lo?” O Fundo Garantidor possui R$120 bilhões, sendo R$41 bilhões

disponibilizados recentemente para pagar pessoas físicas – fora os CNPJs, que provavelmente

entrarão com ações judiciais quando houver a liquidação de vez dos bens do banco. São R$41

bilhões do Fundo Garantidor! Nenhum cotista está feliz com isso. Isso é brincadeira! É coisa de

moleque o que fizeram!

Eu me recordo de que, antes de o Banco Master ser o que ele é, os próprios banqueiros o

chamavam de tamborete, porque era um banco pequeno, sem lastro. Porém, impressionantemente,

os governos da direita sempre apostaram nele. Assim, mesmo sabendo dos títulos podres, dinheiro

foi injetado nesse banco.

Agora, nós queremos saber: para salvar quem? Quem estava interessando na compra desse

banco? Quem estava interessado na compra de títulos sem lastro, que está gerando agora um rombo

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no Banco de Brasília?

Obrigado, senhor presidente.

PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Deputado Max Maciel, obrigado.

Concedo a palavra ao deputado Chico Vigilante.

DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT. Para comunicado.) – Presidente, ainda nesse assunto

BRB e Banco Master, eu apresentei nesta casa no dia de hoje um requerimento de convocação do

senhor Paulo Henrique Costa, presidente afastado do Banco de Brasília, para ele vir prestar

esclarecimentos à Câmara Legislativa. Apresentei também a convocação do senhor Dario Oswaldo

Garcia Júnior, que é diretor afastado do BRB. Estou convocando-os, já que os deputados da base do

governo não querem a CPI. Acho que eles perderam o juízo. Eles deveriam estar todos aqui prontos

para que pudéssemos efetivamente instalar a CPI.

Conforme vossa excelência já falou, nós apresentamos um requerimento conjunto da nossa

bancada do Partido dos Trabalhadores – eu, vossa excelência e o deputado Gabriel Magno – para

sabermos se o Banco de Brasília entrou nessa farra, farrambamba, nessa gastança dos títulos do

Banco Master comprados pelo Instituto de Previdência dos Servidores.

Eu verifiquei que mais de 20 estados estão nessa lambança. Inclusive a prefeitura de

Cajamar, que me parece ser uma cidade pequena do interior de São Paulo, está nesse negócio

também. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que é do Partido Liberal, comprou essa

porcaria por R$2 bilhões do fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro. A Polícia Federal

está no rastro do Castro também. Certamente ele vai parar na cadeia.

É muito grave tudo isso que está acontecendo. Eu fico imaginando como estão os servidores

dos municípios envolvidos nessa compra fraudulenta dessas cédulas que não valem nada. Isso é pior

do que o conto do paco. Todo mundo sabe o que é o conto do paco na linguagem popular.

O que me assusta também, deputado Ricardo Vale, é os deputados da chamada base do

governo não virem aqui debater, explicar a situação. Eu queria muito que o representante do Partido

Popular, hoje do Ciro Nogueira, viesse aqui explicar a participação do Ciro nessa farrambamba e que

o representante do União Brasil viesse também. Que história é essa do Rueda, que foi um dos

intermediários, uma espécie de corretor dessa venda fraudulenta? Então, é importante que falemos

tudo isso.

Quero abordar um segundo ponto, deputado Ricardo Vale, sobre umas visitas que fiz às

escolas hoje em Planaltina. Quero ressaltar o trabalho belíssimo feito pela diretora da Escola Classe 3

na Vila Buritis, que, de maneira errônea, o pessoal chama de Pombal. Foi um trabalho bonito o que a

vice-diretora Antônia fez. Ela me contou, deputado Ricardo Vale, que ela já assistiu a 57 assassinatos

em volta da escola, inclusive de alunos, mas que hoje eles conseguiram pacificar a região. Dentro da

escola não existe nenhuma pichação, e os alunos realmente estão todos integrados. Ela levou paz

efetiva àquela escola.

Tive a oportunidade de conversar também com a supervisora, que foi aluna da escola,

formou-se na Universidade de Brasília, fez mestrado e doutorado. Hoje, a doutora Antônia é

supervisora daquela escola em Planaltina, na Vila Buritis II. Isso é a demonstração de que a

educação transforma as pessoas, e o que a educação precisa é de mais apoio. Elas criaram lá uma

sala de podcast. Inclusive, tive a oportunidade de liberar recursos para que a fizessem. Que situação

belíssima está acontecendo naquela escola! Quero parabenizar a professora, coordenadora e doutora

Antônia Antônia, vice-diretora da escola; e a Rita, que é diretora, pelo belíssimo trabalho de

transformação que elas fazem naquela escola.

Parabéns, professora Rita; parabéns, doutora e professora Antônia, por tudo que vocês estão

fazendo no CEF 3 de Planaltina.

Obrigado, presidente.

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PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Chico Vigilante. É muito

importante essa iniciativa de vossa excelência de convocar o ex-presidente do BRB Paulo Henrique e

o diretor financeiro para virem a esta casa explicar todas essas operações, tudo o que vem sendo

divulgado pela mídia.

O Paulo Henrique, muitas vezes, veio aqui de forma voluntária, para sentar-se com os

deputados na sala de reuniões e apresentar números e mais números dizendo que o banco estava

crescendo e que era boa a saúde financeira da instituição ano após ano, indicando sucesso total.

No entanto, hoje, as notícias e as informações recebidas são contrárias. Uma informação

muito importante, deputado Chico Vigilante, é que, no intervalo de 1 ano, de junho de 2024 até

junho de 2025, a carteira de crédito consignado para pessoas físicas do BRB dobrou de tamanho,

passando de R$13,4 bilhões para R$32,1 bilhões, um crescimento de 138% – um desempenho

impressionante. Nesse período, o BRB liberou cerca de R$1,5 bilhão por mês em crédito consignado

para servidores aposentados.

É justamente nessas operações de expansão de crédito que a Polícia Federal tem alertado

para a ocorrência de muitas fraudes. Por esse motivo, considero fundamental a presença dele –

espero que ele venha – nesta casa, para que explique para todos nós o que realmente foi feito, o

que de fato aconteceu nessas transações e nessa relação espúria com o Banco Master.

Parabéns pela sua iniciativa, deputado!

Registro a presença dos estudantes e professores da Escola Classe Vila Nova, em São

Sebastião. São alunos participantes do programa Conhecendo o Parlamento, sob a coordenação da

Escola do Legislativo.

Solicito à TV Câmara Distrital que registre imagens da garotada.

Sejam bem-vindos a esta casa, que é a casa do povo e, portanto, de vocês também. Ficamos

muito felizes com a presença de todos vocês. Parabéns por estarem estudando! Parabéns por

visitarem a Câmara Legislativa! Parabéns à escola e a toda a direção por oportunizarem a vinda dos

alunos a esta casa.

Alguém mais quer fazer uso da palavra? (Pausa.)

Apenas 3 deputados estão presentes: o deputado Max Maciel, o deputado Chico Vigilante e

eu, deputado Ricardo Vale.

Dá-se início à ordem do dia.

(As ementas das proposições são reproduzidas conforme ordem do dia disponibilizada pela Secretaria

Legislativa; as dos itens extrapauta, conforme PLe.)

PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Como não há quórum, vou encerrar a

sessão.

Desejo um ótimo feriado para todos que estão em casa e para todos que estão no plenário,

especialmente para essas crianças que vieram nos visitar. Fiquem com Deus.

Boa tarde a todos.

Como não há mais assunto a tratar, declaro encerrada a sessão.

Observação: nas notas taquigráficas, os nomes próprios ausentes de sites governamentais oficiais são reproduzidos

conforme informados pelos organizadores dos eventos.

Todos os discursos são registrados sem a revisão dos oradores, exceto quando indicado, nos termos do Regimento

Interno da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Siglas com ocorrência neste evento:

CDB – Certificado de Depósito Bancário

Ata de Sessão Plenária Circunstanciada da 104ª S.O. (2433209) SEI 00001-00049275/2025-80 / pg. 8

CEF – Centro de Ensino Fundamental

GDF – Governo do Distrito Federal

Iprev-DF – Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal

Refis – Programa de Recuperação Fiscal

UBS – Unidade Básica de Saúde

UOL – Universo Online

UPA – Unidade de Pronto Atendimento

As proposições constantes da presente ata circunstanciada podem ser consultadas no portal da CLDF.

Documento assinado eletronicamente por MMIIRRIIAAMM DDEE JJEESSUUSS LLOOPPEESS AAMMAARRAALL -- MMaattrr.. 1133551166, CChheeffee ddoo SSeettoorr

ddee RReeggiissttrroo ee RReeddaaççããoo LLeeggiissllaattiivvaa, em 24/11/2025, às 19:00, conforme Art. 30, do Ato da Mesa Diretora

n° 51, de 2025, publicado no Diário da Câmara Legislativa do Distrito Federal nº 62, de 27 de março de

2025.

A autenticidade do documento pode ser conferida no site:

http://sei.cl.df.gov.br/sei/controlador_externo.php?acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0

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00001-00049275/2025-80 2433209v9

Ata de Sessão Plenária Circunstanciada da 104ª S.O. (2433209) SEI 00001-00049275/2025-80 / pg. 9