Ata Circunstanciada Sessão Ordinária 103/2025
DCL n° 259, de 26 de novembro de 2025 - Suplemento
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TERCEIRA SECRETARIA
Diretoria Legislativa
Setor de Registro e Redação Legislativa
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PRESIDENTE DEPUTADO PASTOR DANIEL DE CASTRO (PP) – Sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos.
Convido o deputado Thiago Manzoni a secretariar os trabalhos da mesa.
Sobre a mesa, expediente que será lido pelo secretário.
(Leitura do expediente.)
PRESIDENTE DEPUTADO PASTOR DANIEL DE CASTRO (PP) – Há quórum regimental. Está
aberta a sessão.
Dá-se início ao comunicado de líderes.
Concedo a palavra ao deputado Rogério Morro da Cruz. (Pausa.)
Concedo a palavra ao deputado Roosevelt Vilela. (Pausa.)
DEPUTADO THIAGO MANZONI (PL) – Presidente, pela ordem.
PRESIDENTE DEPUTADO PASTOR DANIEL DE CASTRO (PP) – Concedo a palavra.
DEPUTADO THIAGO MANZONI (PL) – Presidente, quero parabenizá-lo pela sessão solene
ocorrida na semana passada, em que houve a concessão do título de cidadão honorário de Brasília
ao senhor Luiz Eduardo Baptista, presidente do Clube de Regatas do Flamengo. Foi uma grande
manhã em que recebemos não só o presidente e parte da diretoria do clube, mas também a torcida
do Flamengo no plenário. Parabenizo vossa excelência pela iniciativa e deixo-lhe um abraço. O Raul
Plassmann, goleiro histórico do Flamengo da década de 1980, e o melhor lateral direito da história
do futebol, Leandro, estavam presentes.
A Câmara Legislativa foi agraciada com a concessão do título de cidadão honorário de
Brasília ao presidente do Flamengo. Parabenizo-o pela iniciativa, deputado.
PRESIDENTE DEPUTADO PASTOR DANIEL DE CASTRO (PP) – Somente quero registrar que
eu sou pé-quente. O Flamengo segue líder do campeonato.
Concedo a palavra ao deputado Iolando.
DEPUTADO IOLANDO (MDB. Como líder.) – Parabéns, presidente. O rubro-negro está à
frente do campeonato.
Cumprimento as senhoras e os senhores deputados presentes, a TV Câmara Distrital, que
nos acompanha nesta tarde. Queremos agradecer a Deus por tudo o que ele tem feito por nós.
Com relação à COP30, quero falar de um tema bastante importante. Tenho participado, há
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alguns meses, da CPI do Rio Melchior. Identificamos diversas situações recorrentes relativas ao meio
ambiente no Distrito Federal. É claro que essa COP30 trata sobre o meio ambiente, sobre o formato
de proteção, de guarda à nossa saúde, ao nosso ar, àquilo que produzimos e àquilo que precisamos
cuidar e tratar.
Subo a esta tribuna hoje para ecoar uma reflexão necessária sobre os acontecimentos da
COP30 e, sobretudo, sobre a situação real da nossa Amazônia, reflexão recentemente apresentada
pelo ex-ministro Aldo Rebelo, cuja trajetória política lhe confere autoridade para apontar erros
excessivos e omissões. Aldo Rebelo foi presidente da Câmara dos Deputados, filiado ao PCdoB e
apoiador dos governos Dilma e Lula, entre outros.
No último sábado, assistimos à chamada Marcha dos Povos, organizada em Belém. No
entanto, aquilo que deveria ser um grande ato político e social se revelou, segundo palavras do ex-
ministro, um evento esvaziado, praticamente capturado por uma pauta conduzida por ONGs
internacionais desconectadas da vida real do povo da Amazônia. O ex-ministro não poupou nomes.
Ele criticou diretamente 2 ministras do governo Lula presentes na marcha, a ministra Marina Silva,
hoje ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima; e Sonia Guajajara, ministra dos Povos
Indígenas. Segundo Aldo Rebelo, ambas, após o evento, retornaram ao conforto de São Paulo, onde
possuem domicílio e mandatos, enquanto a Amazônia permanece sendo utilizada como palco de
agendas externas e continua ostentando os piores índices sociais do país – mortalidade infantil
alarmante, falta de saneamento, comunidades isoladas sem energia elétrica e populações inteiras
vivendo em abandono.
Nada disso aparece no centro da COP30. Não há metas, não há incentivos, não há
investimentos, não há políticas concretas. O povo da Amazônia não está sentado à mesa; está, mais
uma vez, do lado de fora.
Outro ponto grave também destacado por Aldo Rebelo é o fato de a COP30 ter sido
esvaziada internacionalmente. Nem os países do Brics, nem os países do Mercosul compareceram à
conferência. O presidente dos Estados Unidos também não compareceu, tampouco encaminhou nem
que fosse um porteiro da Casa Branca.
O povo da Amazônia não está sentado à mesa, ele está de fora. Isso revela o isolamento
diplomático que o Brasil vem sofrendo justamente no governo que prometeu o retorno ao
protagonismo internacional. No meio desse cenário, enquanto países como Guiana, Reino Unido e
Noruega expandem sua exploração de petróleo, o Brasil insiste em uma agenda que impede o uso
pleno de seus próprios recursos.
O governo federal tenta impedir o progresso do Brasil, uma contradição que o ex-ministro
identificou com clareza: o Brasil parece ser o único país proibido de se desenvolver. Não é possível
aceitar que o Brasil seja sempre o país proibido, contido, acuado ou acusado. Como disse Aldo
Rebelo, não podemos tolerar tamanha intolerância.
É lamentável que os ministros envolvidos tratem a Amazônia como palco para discursos, e
não como região habitada por milhões de brasileiros que precisam de emprego, de infraestrutura, de
saúde e de energia digna. Por fim, o apelo do ex-ministro é claro e merece eco: é preciso enfrentar
agendas que, sob o pretexto de proteger a Amazônia, na prática impedem seu desenvolvimento e
prejudicam seu povo.
Não podemos aceitar que interesses estrangeiros ditem os rumos da nossa soberania, nem
que se neutralize o abandono social da região que guarda a maior riqueza ambiental do planeta.
Senhoras e senhores, não estamos discutindo ideais ou ideologias. Estamos discutindo soberania
nacional e respeito ao povo amazônico. É justamente isto que falta na condução da COP30 pelo
governo Lula: compromisso real com quem vive na Amazônia, e não com agendas confortáveis de
governos estrangeiros ou ONGs que jamais responderão à população brasileira.
Senhor presidente, senhoras e senhores deputados, este debate não é ideológico, é nacional.
Trata-se de soberania, desenvolvimento, justiça social e respeito ao povo brasileiro. A crítica feita por
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Aldo Rebelo é dura, mas justa, e precisa ser ouvida por este parlamento.
Muito obrigado, senhoras e senhores deputados.
(Assume a presidência o deputado Ricardo Vale.)
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Assumo a presidência.
Concedo a palavra ao deputado Chico Vigilante.
DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT. Como líder.) – Senhor presidente, senhoras e senhores
deputados, acredito que todos nós, brasilienses e demais brasileiros, estamos estarrecidos com a
negociata realizada entre o BRB e o Banco Master. A ação da Polícia Federal que aconteceu hoje
mostra as vísceras desse processo terrível.
Há pouco, vi uma matéria veiculada na Globo News, de uma jornalista respeitadíssima, a
Malu Gaspar, que dá conta, deputado Ricardo Vale, de que essa negociata envolveu R$12,2 bilhões
de títulos podres, que não serão recuperados. Colocaram o Banco de Brasília em risco!
Se não fosse a atuação da nossa bancada junto ao Banco Central, ao Ministério Público e à
Polícia Federal, certamente, aquela negociata teria acontecido e, hoje, o BRB estaria sob intervenção,
ou melhor, sob liquidação, como ocorre agora com o Banco Master. Alertamos, à época, sobre a
necessidade de apreciação pela Câmara Legislativa; tentaram dizer que não haveria a necessidade; o
governador Ibaneis foi obrigado a enviar o projeto a esta casa e, infelizmente, ele foi aprovado.
Foi preciso a ação do Ministério Público Federal. Nós denunciamos no Ministério Público
Federal. Nós encaminhamos a denúncia em uma audiência que tivemos com o Galípolo, presidente
do Banco Central. E agora a imprensa divulga a maracutaia que aconteceu no Distrito Federal.
A Polícia Federal pediu a prisão do senhor Paulo Henrique. O juiz não concedeu a prisão, mas
ele foi afastado e, certamente, isso é só o começo. Quando vierem outras operações, certamente ele
irá parar na cadeia.
É fundamental que a sociedade de Brasília tome consciência do risco ao qual o Banco de
Brasília foi exposto. O banco pertence ao povo do Distrito Federal, não ao governador Ibaneis. Ele
não poderia, em hipótese nenhuma, ter feito essa negociata. Nós alertamos! E, nesta casa, havia
muitos deputados que diziam que era um bom negócio. Quero ver se haverá alguém agora dizendo
que o governo estava certo e que nós estávamos atrapalhando o desenvolvimento da cidade. Foi isso
o que disseram a nosso respeito, quando estávamos na luta para salvar o Banco de Brasília, que é
patrimônio efetivo do povo do Distrito Federal e do povo brasileiro.
Nós estamos com um pedido de instalação de uma CPI. Esta casa precisa apurar o caso! Já
existem 6 assinaturas. É preciso que outros deputados se disponham a assinar e que tenhamos 13
assinaturas para ultrapassar 2 CPIs preventivas e viabilizar a investigação.
Esta casa tem CPI preventiva. Uma CPI é proposta para que outra não surja. Mas, com 13
assinaturas, nós derrubaremos as CPIs preventivas e poderemos, efetivamente, instalar a CPI para
investigar o Banco de Brasília.
Portanto, presidente, espero que os demais deputados assinem o pedido, para que possamos
instalar imediatamente essa CPI.
Obrigado.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Chico Vigilante.
Registro a presença dos estudantes e professores da Escola Classe 6 do Cruzeiro,
participantes do programa Conhecendo o Parlamento, sob a coordenação da Escola do Legislativo.
Sejam todos bem-vindos a esta casa.
Peço que a TV Câmara Distrital filme os alunos.
Ficamos muito felizes com a presença de vocês, garotada!
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DEPUTADO IOLANDO (MDB) – Presidente, pela ordem.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Concedo a palavra.
DEPUTADO IOLANDO (MDB) – Presidente, apenas para esclarecer em relação à fala do
deputado Chico Vigilante sobre o Banco de Brasília. Estão afirmando que esta casa tem
responsabilidade perante a população e a sociedade por ter votado favoravelmente à compra do
Banco Master.
O Executivo encaminhou para esta casa uma proposta, que foi devidamente avaliada. No
entanto, a própria esquerda trabalhou para que fosse elaborado um substitutivo para ser
apresentado e votado. O substitutivo foi votado, mas a esquerda votou contra o substitutivo que ela
própria criou. É aquele negócio: se der certo, estaremos bem; se der errado, estaremos isentos de
qualquer tipo de responsabilidade.
Quero dizer que todos os deputados têm responsabilidade sobre essa situação. Não acredito
que estejamos fugindo de qualquer compromisso com a sociedade do Distrito Federal, especialmente
no que diz respeito à transparência, à ética e à moral, valores que esta casa sempre prezou.
Obrigado, Presidente.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado.
Concedo a palavra ao deputado Roosevelt Vilela. (Pausa.)
Concedo a palavra ao deputado Fábio Félix.
DEPUTADO FÁBIO FÉLIX (Bloco PSOL-PSB. Como líder.) – Presidente, acompanhei
atentamente a repercussão de tudo que estamos vendo hoje na imprensa. A vice-governadora
afirmou que não tem compromisso com o erro. A vice-governadora Celina Leão falou que o Governo
do Distrito Federal não tem compromisso com o erro, mas, na verdade, tem cometido erros desde
2019 e continua errando agora, em 2025, em relação ao BRB.
O que está acontecendo agora não é qualquer coisa, não; não é de se ignorar. É lamentável,
inclusive, que este plenário esteja vazio, pois o que está acontecendo agora no Distrito Federal é
gravíssimo: o presidente do banco público do Distrito Federal está afastado por decisão judicial; o
Daniel Vorcaro, operador e dono do Banco Master, está preso; estão em andamento no país diversos
mandados de busca e apreensão relacionados à operação de compra do Banco Master pelo BRB, o
Banco de Brasília, o nosso banco público.
Essa é a situação que vivenciamos atualmente, e a gravidade dela pede uma resposta do
Governo do Distrito Federal, principal acionista e detentor de 70% das ações do banco.
Alguma providência precisa ser tomada, pois quem idealizou essa compra foi o próprio
governo, o governador do Distrito Federal. Esse projeto de lei não chegou voando à Câmara
Legislativa do Distrito Federal. Ele foi enviado pelo governador Ibaneis Rocha e, pasmem, foi
aprovado nesta casa em tempo recorde! Apenas 5 dias após ter sido protocolado, o projeto de lei foi
aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal, contra o nosso voto. Nós avisamos que havia
falta de transparência e interesses privados por trás dessa operação.
Deputados e todos que nos acompanham, sabem quanto foi investido no Banco Master
depois que o Banco Central negou a compra? R$2.800.000.000. Esse foi o aporte de recursos que o
BRB investiu no Banco Master após a rejeição. Antes mesmo desse processo de tramitação, o BRB já
havia investido, ao todo, R$16 bilhões no Banco Master, no processo preparatório.
Há algo muito estranho por trás do que está acontecendo. E quem vai pagar essa conta?
Este governo diz que não tem compromisso com o erro, mas segue errando. Este governo não
resolve os problemas da saúde. Na semana passada, houve uma operação que atingiu assessores
diretos do governador – agora exonerados – no caso do IGESDF. Este governo, hoje, mantém muitas
obras atrasadas, paradas e aditivadas no Distrito Federal; é um governo cheio de problemas.
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Acabei de ler agora, na Folha de S.Paulo, o seguinte: “Clima de fim de festa no governo
Ibaneis”. Esse é o clima. Só que eles estão direcionando esse fim de festa para interesses privados,
com aquilo que pertence à população desta cidade. Não podemos aceitar isso. Só para exemplificar,
para quem acha que não tem nada a ver com o que está acontecendo: 17% do BRB é do Iprev; o
acionista é o Iprev. O Iprev é quem paga a aposentadoria de todos os servidores desta cidade. O
Banco de Brasília precisa prestar contas à população do Distrito Federal.
Eu queria dizer o seguinte: temos aqui um requerimento de CPI com 6 assinaturas. Já que a
governadora Celina Leão disse que não tem compromisso com o erro, convido os deputados da base
da governadora Celina Leão a assinarem a CPI. Vamos assinar e fazer uma CPI unitária para
investigar o Banco Master e o BRB. Muitos dos partidos de vossas excelências assinam CPIs na
Câmara dos Deputados e no Senado, para resolver problemas. Então, vamos assinar e fazer uma CPI
unitária para investigar essa situação.
Todos aqui sabem o que está acontecendo. Há uma questão grave por trás dessa compra.
Existem interesses privados, investimentos bilionários, dinheiro público sendo usado para salvar um
banco privado. E isso é inaceitável, é intolerável e precisa ser investigado. Mas, para isso, o Poder
Legislativo precisa ter coragem e independência política agora.
Por isso, convido meus colegas – que, espero, também não tenham compromisso com o
erro, diferentemente do GDF – a assinarem, presidente, o nosso requerimento para que essa CPI
seja instalada na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A investigação tem de ser agora, é para
ontem.
Estamos falando de um aporte bilionário, de possíveis esquemas de corrupção e,
provavelmente, de prejuízos para o Distrito Federal, para a população. E isso atinge – todos nós
sabemos – justamente quem mais precisa. Então, essa CPI precisa existir para honrar o Distrito
Federal. É o mínimo que o Poder Legislativo deve fazer.
Encerro dizendo, presidente, que eu esperava ver este plenário lotado hoje, dada a gravidade
do que foi noticiado. O fato de não termos este plenário lotado hoje me chama a atenção. A falta de
preocupação de muitos e muitas sobre esse tema me chama a atenção. O momento é de urgência.
Alguns virão aqui e tentarão mudar de assunto, porque não querem falar daquilo que realmente
importa: a corrupção que está acontecendo neste governo e que está sendo investigada agora.
Obrigado, presidente.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Fábio Félix.
Concedo a palavra ao deputado Pastor Daniel de Castro. (Pausa.)
Concedo a palavra à deputada Paula Belmonte. (Pausa.)
Concedo a palavra ao deputado Gabriel Magno.
DEPUTADO GABRIEL MAGNO (Minoria. Como líder.) – Boa tarde, presidente. Boa tarde a
todos. Boa tarde, estudantes, professores e trabalhadores da escola que estão aqui hoje,
acompanhando a sessão no plenário.
Presidente, este é um dia muito importante para a história do Distrito Federal. Hoje, nós
acordamos com o maior escândalo de corrupção da história do Distrito Federal.
Nós vamos completar, deputado Ricardo Vale, neste novembro, 16 anos da operação Caixa
de Pandora. A operação Caixa de Pandora, na época, apontou desvios de dinheiro público da ordem
de R$500 milhões, R$600 milhões. Em valores atualizados, nós estamos falando de R$3 bilhões que
foram desviados, roubados dos cofres públicos na operação Caixa de Pandora.
Hoje, nós estamos falando de uma operação, deputado Max Maciel, que começou com, pelo
menos, R$12 bilhões aplicados pelo BRB para comprar títulos falsos do Banco Master. É o que aponta
a denúncia do Ministério Público e a operação, hoje, da Polícia Federal, que prendeu o dono do
Banco Master e que levou ao afastamento imediato do presidente do BRB, que não está no Brasil, e
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de parte da diretoria do banco. Essa operação vai pegar muitas pessoas, deputado Ricardo Vale. É o
maior escândalo de corrupção da história desta cidade, da capital do país.
E olhem que esse governo acumula escândalo de corrupção! Semana passada, foi preso e
exonerado o assessor direto do governador, pelos escândalos de corrupção no IGESDF. Nós vimos o
secretário de Economia condenado por corrupção. Nós vimos as denúncias do Ministério Público e a
investigação da Polícia Civil de esquema de corrupção – a denúncia diz – na Novacap. Nós vimos o
escândalo que foi a privatização da CEB. Nós vimos o que aconteceu na pandemia com o secretário
de Saúde e o presidente do IGESDF, que foi preso.
Então, este governo – o governo Ibaneis, o governo Celina – acumula escândalos de
corrupção. Hoje, aconteceu o maior escândalo da história desta cidade. E é curioso que este plenário
esteja vazio.
Presidente, a pergunta que parece que ainda não tem resposta, mas vai ter, é: por que o
governador Ibaneis e a vice-governadora Celina Leão queriam tanto comprar esse banco? Fizeram de
tudo para comprar o Banco Master. Quiseram votar projeto de lei nesta casa às pressas.
Não adianta o líder do governo dizer que todos os deputados têm responsabilidade. Não têm,
não. Nós avisamos aqui, deputado Ricardo Vale. Nós acionamos a Polícia Federal, nós acionamos o
Ministério Público, a CVM, o Banco Central. Nós alertamos que havia algo muito podre acontecendo
na gestão temerária do BRB. E nós vimos – é só resgatar, já que está tudo gravado – as várias
entrevistas do governador Ibaneis durante esse processo, dizendo que o PT estava atrapalhando a
cidade, dizendo que a oposição, deputado Max Maciel, não estava deixando o BRB crescer.
O governador Ibaneis chegou até a ameaçar a democracia, dizendo que ela estava faltando
neste país, porque ele não podia comprar um banco – o banco de um amigo que estava muito
enrolado. Era um negócio fraudulento e, hoje, nós vemos nas páginas policiais, infelizmente, mais
uma vez, o Distrito Federal.
Nós estamos recolhendo assinaturas – faltam mais 2 – para protocolar o requerimento de
instalação da CPI. Nós acabamos de protocolar no Tribunal de Contas um requerimento para pedir
imediatamente, não só o afastamento de toda a direção do BRB... A direção do BRB não tem mais
condições de tocar o banco.
Aliás, o governador Ibaneis deve respostas a esta cidade. É muito grave o que está
acontecendo. Deve-se parar imediatamente de pagar pelos títulos do Banco Master. O BRB comprou
mais de R$12 bilhões de carteiras desse banco. Isso é inaceitável. O BRB ia virar pó.
Nós temos de verificar, nessas operações, quem assinou, quem comprou, quais foram os
critérios para comprar e quais as garantias que o BRB precisava ter, porque o papel desta casa hoje
é investigar. E, fundamentalmente, o papel desta casa é proteger o BRB. Essa turma ia transformar o
BRB em pó. O BRB, hoje, seria liquidado, como o Banco Master foi liquidado pela ação e pela decisão
do Banco Central. Isso é de uma irresponsabilidade criminosa com a cidade. O BRB é um patrimônio
do Distrito Federal, é banco público de desenvolvimento. O BRB devia aplicar recursos no
desenvolvimento social desta cidade, para melhorar a saúde, a educação e os serviços públicos. Ele
não pode ser instrumento para fazer negócios por governo nenhum. É muito grave, presidente.
Encerro dizendo que isso é fundamental. Faço, mais uma vez, o apelo para que os
parlamentares, se não têm compromisso com o erro, assinem a CPI. Precisamos fazer uma CPI
assinada e convocada pelos 24 deputados, para esta casa mostrar independência e compromisso
com esta cidade, para investigar aqueles que tentaram liquidar e transformar o BRB em pó e que
surrupiaram o patrimônio desta cidade. Essas pessoas precisam responder. Mas também é preciso,
presidente, salvar o BRB. Esta casa precisa fazer este pacto com a sociedade de Brasília: salvar o
BRB das mãos daqueles que tentaram sequestrar o Banco de Brasília e o Distrito Federal. Esta casa
precisa também dar uma resposta para a sociedade.
O governador Ibaneis e a vice-governadora Celina têm muita coisa para explicar: por que
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queriam tanto comprar o Banco Master? Por que queriam tanto fazer esse negócio, que hoje ficou
provado ser um negócio fraudulento?
Obrigado, presidente.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Gabriel Magno.
Concedo a palavra ao deputado Pastor Daniel de Castro. (Pausa.)
Não há mais ninguém aqui para falar no comunicado de líderes. Foram todos embora.
Dá-se início ao comunicado de parlamentares.
Concedo a palavra ao deputado Max Maciel.
DEPUTADO MAX MACIEL (PSOL. Para comunicado.) – Boa tarde, deputado Ricardo Vale, que
preside esta sessão. Saúdo todos os presentes e os estudantes que estão na galeria. Sejam sempre
bem-vindos a esta casa.
Presidente, parece que só sobramos nós nesta casa. Hoje, logo cedo, no Distrito Federal já
havia um debate sobre algo gravíssimo, sério, que merece a atenção de toda a população e,
sobretudo, da política do Distrito Federal. De fato, era para a Câmara Legislativa estar reunida
debatendo, como nós, como sociedade, para dar resposta ao conjunto da população a algo que
aconteceu.
Parece-me que os R$2 bilhões que foram apresentados para a compra do Banco Master
viraram troco na negociata. Nós já achávamos um absurdo R$2 bilhões e, inclusive, nós falávamos o
que era possível fazer com esse valor em investimento na cidade. O que era um valor de R$2
bilhões, na verdade, virou R$12 bilhões. O mais grave foi publicado pela Malu Gaspar, em O Globo:
em depoimento, o presidente do BRB assumiu e confessou que fez as transações, mas não avisou
isso a ninguém. Como assim não avisou a ninguém, se já sabíamos que havia algo errado ali? Como
assim não avisou a ninguém, se já estávamos percebendo que alguma coisa não estava bem
esclarecida? E o cheiro de podre não era só dos títulos, não.
É um absurdo um banco de desenvolvimento regional comprar títulos que foram
grosseiramente falsificados, conforme pontuou a Polícia Federal e determinou o juiz na ação de hoje
– títulos grosseiramente falsificados, sem lastro, que levam recursos! Talvez a ânsia de comprar o
Banco Master fosse relacionada ao desejo de abafar o problema que viria. Isso não foi mais possível.
O debate nesta casa, senhoras e senhores, não é de direita ou de esquerda, é da sociedade
do Distrito Federal. O próprio Governo do Distrito Federal deveria enviar uma ordem à sua bancada
para assinar o pedido de criação da CPI, para instaurarmos uma mesa isenta para o debate e
chamarmos todos os partícipes. Por que digo isso? Porque o próprio governo afastou – e disse que
afastou em definitivo – o presidente do BRB e falou que não tinha compromisso com o erro. Se não
tem compromisso com o erro, qual é o problema de assinar a criação da CPI? Se não tem
compromisso com o erro, qual é o problema de nos sentarmos à mesa com todos aqueles que
participaram, assentiram, abonaram, assinaram e permitiram que o BRB tivesse relação com um
banco visivelmente cheio de problemas? No dia da votação dessa matéria nesta casa, nós elencamos
vários pontos. Depois estourou a Carbono Oculto, que revelou a relação de um monte de fintechs,
inclusive aliadas a este Banco Master, com o crime organizado na Faria Lima.
Agora, Lilian Tahan e Isadora, no Metrópoles, anunciam que a justiça pediu também o
bloqueio dos bens do BRB. Ora, deputado Ricardo Vale, a justiça não declararia o bloqueio dos bens
de um banco se não tivesse mais informações. Eu penso que esta casa tem de aproveitar a
oportunidade para assumir, deputado Fábio Félix, o protagonismo e tentar dar os rumos para esse
problema que a gestão do Distrito Federal criou. E falo “nós” porque o BRB é dos contribuintes do
Distrito Federal. O maior acionista do BRB, salvo engano, é o Iprev, dos aposentados, deputado
Ricardo Vale. Imagine se esse banco começa a perder recursos e entra em uma crise profunda? São
os aposentados que serão afetados – aqueles em cujos bolsos eles queriam meter a mão há pouco
tempo, mas o senhor conseguiu, com uma articulação belíssima, evitar que houvesse os descontos.
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O Iprev é o maior acionista do BRB e está em risco agora. Todos nós que temos investimento
no BRB estamos em risco, porque, quando o mercado financeiro percebe que um banco está
envolvido com problemas de R$12 bilhões – detalhe, com R$16 bilhões de investimentos em títulos
podres –, obviamente haverá uma fuga de clientes, com risco de nosso banco inclusive quebrar – e
de quebrar junto com ele o Distrito Federal!
O que pode acontecer, em vez de esta casa assumir esse compromisso, é acordarmos com
uma CPMI no Congresso Nacional, porque isso ultrapassou fronteiras. Chega à Bahia, a São Paulo e
a outros tantos estados.
Então, senhoras e senhores, a seriedade do debate é gravíssima. Nós estamos – como
sempre estivemos, desde quando esse problema apareceu, desde quando esse pedido surgiu – tanto
indo ao Banco Central quanto dialogando com o Senado e com vários autores para dizer que não tem
sentido o BRB se envolver em uma compra com o Banco Master, diante da precariedade deste
banco.
Os debates nesta casa são imensos. Houve relação política para pressionar essa compra,
relação política para permitir empréstimos, relação política para comprar os títulos. Talvez amanhã
acordemos lendo no Metrópoles, lendo no Correio Braziliense, lendo em O Globo, ou assistindo pela
TV Globo a mais uma fase dessa operação. Nós não queremos, mas talvez o novelo comece a chegar
a mais pessoas fora do banco. E aí a casa pode demorar demais a dar uma resposta.
Então, firmes e fortes, seguimos nesse compromisso de defender o Distrito Federal, com a
seriedade que a situação exige e com a seriedade que esta casa e todos aqueles que nos elegeram
também esperam de nós.
Com coragem para enfrentar esses problemas, pedimos a todos os colegas: vamos instaurar
a CPI, vamos chamar para uma rodada, vamos convidar quem ficou na direção do BRB, convocá-los
para ouvir como vamos sair desse imbróglio. Não há saída fácil, não esperem que o silêncio de
muitos passe despercebido, porque lá fora, no Brasil e em Brasília, não está passando.
Obrigado, presidente.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Concedo a palavra ao deputado Chico
Vigilante.
DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT. Para comunicado.) – Presidente, eu estou vendo a
manchete do Metrópoles neste momento: “Justiça autoriza bloqueio de bens do BRB e do Banco
Master”. Isso é muito grave, porque os servidores públicos do Distrito Federal recebem por meio do
Banco de Brasília. A indústria, o comércio, a construção civil em Brasília dependem efetivamente do
Banco de Brasília. A agricultura depende como nunca do Banco de Brasília. Portanto, é uma situação
gravíssima que está acontecendo. É preciso que seja esclarecido até onde vai esse bloqueio dos
bens, porque, repito, o patrimônio líquido do Banco de Brasília é de R$3,2 bilhões. Se é de R$3,2
bilhões, o patrimônio não dá para pagar o que eles fraudaram. Banco vive de confiança.
Eu estou nesta casa há muito tempo e, sempre que se falou de BRB, eu tive o maior cuidado
de não expor o banco, só que esses rapazes foram traquinas demais. O Paulo Henrique junto com a
sua diretoria são muito traquinas, levaram efetivamente o banco a essa situação de hoje, em que
corre risco.
Nós já passamos por algumas fases, como a história da bezerra de ouro e operações que
ocorreram em vários governos – só não houve nos governos de Cristovam Buarque e Agnelo
Queiroz, mas em todos os outros governos houve operação. No entanto, essa situação de hoje é
gravíssima. O novelo não foi todo desenrolado ainda. Eu imagino como, neste momento, está a
situação dos empresários de boa-fé das instituições empresariais desta cidade que assinaram uma
carta a pedido do governador em que diziam que era bom o BRB comprar o Banco Master. O
governador enganou o empresariado, acreditou nas falácias do Paulo Henrique, e agora está aí o
desastre. Está aí, agora, a situação gravíssima que a cidade vive.
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Eu pergunto: e o Iprev? Pergunto isso porque 30% das ações do BRB são do Iprev. Como é
que esse instituto vai se sustentar para garantir o pagamento das aposentadorias dos servidores?
Não se sustenta. Isso é muito, muito grave! Não é questão de base ou de oposição, é questão de
cidade. É preciso que a Câmara Legislativa verifique tudo o que está acontecendo e saia em defesa
do Distrito Federal, da nossa sociedade, do nosso povo. É preciso que isso aconteça.
A Polícia Federal vem investigando isso desde 2024 – mais de 1 ano de investigação –, com
a tranquilidade do estilo da atual gestão da Polícia Federal, de fazer as coisas sem alarde, mas bem-
feitas. E é isso que a Polícia Federal fez neste caso do BRB.
Obrigado, presidente.
(Assume a presidência o deputado Gabriel Magno.)
DEPUTADO FÁBIO FÉLIX (PSOL) – Presidente, pela ordem.
PRESIDENTE DEPUTADO GABRIEL MAGNO (PT) – Concedo a palavra.
DEPUTADO FÁBIO FÉLIX (PSOL) – Presidente, eu queria que toda a população do Distrito
Federal prestasse atenção, neste momento, ao fato de estamos no plenário da Câmara Legislativa e
ele estar vazio, num dia em que houve um escândalo estratosférico nesta cidade: prisão do Vorcaro e
afastamento – que virou uma demissão em definitivo – do presidente do BRB. No dia em que
votamos a autorização para a compra do Banco Master, este plenário estava lotado, inclusive de
assessores do governo que trabalharam por essa votação. Hoje ele está vazio. O papel principal do
Poder Legislativo é fiscalizar, é pressionar o governo. E estamos aqui, hoje, às traças, sem poder
fazer o debate que a população quer ver, sem dar as respostas que deveríamos dar para a
população, sem cumprir o nosso papel.
Faço esse registro.
PRESIDENTE DEPUTADO GABRIEL MAGNO (PT) – Concedo a palavra ao deputado Ricardo
Vale.
DEPUTADO RICARDO VALE (PT. Para comunicado.) – Senhoras e senhores deputados
presentes – pouquíssimos –, primeiro quero me solidarizar com os 5 mil servidores diretos e os 8 mil
servidores indiretos do banco, com toda a população do Distrito Federal, todos os acionistas do
banco, todos os trabalhadores que têm conta no BRB, por acordarem hoje vendo o BRB em todas as
páginas policiais dos telejornais e blogs. Eu lamento profundamente que um banco tão importante
para o povo do Distrito Federal esteja sendo visto dessa forma. Eu lamento profundamente toda a
insistência do Governo do Distrito Federal em fazer com que o BRB comprasse o Banco Master por
R$2 bilhões. Eu lamento o que estamos escutando, na imprensa, sobre os R$16 bilhões investidos
pelo BRB em títulos podres no Master. A informação que tenho de alguns servidores é que esses
R$16 bilhões investidos podem até quebrar o banco. A gravidade do que esse pessoal fez com o BRB
pode até fazer um dos melhores bancos públicos do Brasil quebrar.
Então, é fundamental – mais que isso: é obrigação desta casa – que esta casa investigue e
acompanhe esse caso. Nós fomos eleitos para fiscalizar as contas do governo, para fiscalizar e
acompanhar tudo o que é transação do ponto de vista financeiro, seja das empresas públicas, seja
do Governo do Distrito Federal, seja das secretarias. Está aí o pedido de abertura de CPI protocolado
pela oposição. Faço um apelo aos deputados da base – infelizmente não há nenhum aqui, neste
momento, mas sei que há muitos nos gabinetes – para que abramos essa CPI. Digo a esses
deputados que eles foram enganados pelo presidente do banco e pelos diretores que vieram aqui
várias vezes mentir para nós, deputado Chico Vigilante, dizendo que essa era uma transação que iria
fortalecer o banco, que iria fazer o banco crescer. Pelo que estamos vendo agora, eles mentiram com
interesses espúrios. Essa situação do BRB é muito séria. Eu chamo a atenção de todos os deputados
desta casa para que abramos essa CPI e façamos uma investigação para descobrir quem são os
responsáveis, sejam eles do próprio banco, sejam do Governo do Distrito Federal, sejam de outros
estados. Como estão dizendo, todo um sistema foi criado para quebrar o banco. Que façamos uma
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investigação séria! Fica esse apelo aos deputados da base.
Eu lamento profundamente que os bens do banco tenham acabado de ser bloqueados, como
foi divulgado pelo Metrópoles. Olhem a gravidade disso! Os bens do BRB foram bloqueados
justamente porque o rombo é extremamente grande. Vamos acompanhar com muita seriedade a
situação.
Espero que instalemos essa CPI. Se o Governo do Distrito Federal realmente não tem nada a
ver com isso, deveria ajudar a Câmara Legislativa a fazer uma investigação séria, porque temos o
poder de abrir uma CPI, convocar todos esses diretores, o presidente e todos que participaram desse
processo. Se não falaram a verdade anteriormente, falem a verdade agora. Que eles venham aqui e
digam o que queriam, o porquê de toda essa ansiedade e essa vontade de comprar desse Banco
Master!
Mais uma vez, eu lamento o que aconteceu e quero me solidarizar com toda a população do
Distrito Federal por ver esse banco – o banco de todos nós e do qual o povo do Distrito Federal tem
muito orgulho – envolvido nisso.
Deputado Chico Vigilante, em todos os governos do Distrito Federal, os presidentes do BRB
foram presos. Os únicos governos em que não houve um presidente do BRB preso ou envolvido em
maracutaia foram o de Agnelo Queiroz e o de Cristovam Buarque. No governo Roriz, no governo
Arruda, no governo Rollemberg e agora no governo Ibaneis, infelizmente, os presidentes do BRB
foram presos. O Paulo, atual presidente do BRB, só não foi preso porque está nos Estados Unidos.
Deixo essa mensagem para a população do Distrito Federal fazer uma análise sobre tudo o
que está acontecendo. Mais uma vez, lamento, neste momento, o plenário estar completamente
vazio.
Muito obrigado, presidente.
(Assume a presidência o deputado Fábio Félix.)
DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Presidente, pela ordem.
PRESIDENTE DEPUTADO FÁBIO FÉLIX (PSOL) – Concedo a palavra.
DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Presidente, neste dia triste, eu quero me solidarizar
com os professores e professoras do Distrito Federal e com o Sindicato dos Professores.
Durante o governo Rollemberg, os professores fizeram uma greve. O Rollemberg foi à justiça
e, numa decisão que julgo inconstitucional, aplicou uma multa de R$3 milhões ao Sindicato dos
Professores. O sindicato tentou uma negociação, inclusive com parcelamento da dívida. Hoje, o
Governo do Distrito Federal não aceitou o parcelamento. A partir de hoje, deputado Fábio Félix, eles
começaram a cobrar, de uma vez, uma multa de R$4 milhões. Em vez de cobrar R$3 milhões, estão
cobrando R$4 milhões em função de uma greve justa e honesta por condição de trabalho.
Portanto, fica aqui toda a minha solidariedade, o apoio a esses lutadores e essas lutadoras
que são os educadores do Distrito Federal. É uma vergonha o Governo do Distrito Federal aplicar
essa multa. Isso é inconstitucional. Está na hora de a justiça do Distrito Federal parar de perseguir o
movimento sindical no Distrito Federal. O direito de greve é assegurado pela Constituição. Portanto,
jamais poderiam aplicar essa multa. Isso tem muito a ver com os procuradores do Governo do
Distrito Federal porque, em cada ação executada, eles ganham 10% além do salário que recebem.
Por isso, deram parecer contrário à negociação para o parcelamento da dívida.
(Assume a presidência o deputado Ricardo Vale.)
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Chico Vigilante.
Informo que a deputada Dayse Amarilio, que pertence ao bloco PSOL-PSB, está licenciada.
Por isso, sua excelência não está presente no plenário.
Concedo a palavra ao deputado Gabriel Magno.
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DEPUTADO GABRIEL MAGNO (PT. Para comunicado.) – Obrigado, presidente deputado
Ricardo Vale. Quero saudar o deputado Fábio Félix, o deputado Chico Vigilante e o deputado Max
Maciel. Estamos aqui apenas nós e as devidas assessorias que nos acompanham.
Presidente, eu disse e repito: este é o maior escândalo de corrupção da história do Distrito
Federal. Eu quero não só me solidarizar, mas também, mais uma vez, colocar nossos mandatos e
nossas bancadas à disposição da população desta cidade, dos servidores públicos desta cidade.
A notícia é muito grave: o governo Ibaneis-Celina tentou utilizar o BRB, tentou
instrumentalizar o banco público desta cidade, onde mais de 100 mil servidores têm conta e com o
qual mais de 30 mil servidores estão superendividados. As dívidas dos servidores públicos com o BRB
não somam 1% do valor apontado hoje pela Polícia Federal e pelo Ministério Público na operação
que revelou o negócio fraudulento que a gestão temerária do BRB produziu a mando do governo
Ibaneis-Celina. Não somam 1% do montante desse escândalo que estamos vendo hoje.
O governador não está cuidando da cidade e da saúde – que está um caos, com um assessor
direto seu preso e exonerado por envolvimento na operação de desvio e corrupção no IGESDF. Ele
deveria cuidar desta cidade, dos sindicatos, dos servidores públicos, de quem todos os dias está lá
na ponta atendendo à população.
Hoje, ironicamente, decidiram pela aplicação da multa – inconstitucional e imoral – que o
governo quer impor ao Sindicato dos Professores. Quem deveria estar respondendo – e tem que
responder –, eu falo novamente, é o governador Ibaneis e a vice-governadora Celina Leão. Eles
devem explicações a esta cidade, devem explicações a esta casa. Por que eles queriam tanto
comprar o Banco Master? O governo tem tratado de forma truculenta os servidores da saúde, os
servidores da educação, os servidores da segurança pública, os servidores da assistência social, os
servidores da administração direta. Eles têm sido muito maltratados por este governo, que avança na
privatização, que avança na precarização. Nossos servidores estão adoecidos. Falo, em especial, dos
trabalhadores e das trabalhadoras da educação, que passaram por uma greve dura, truculenta, que
o governador – que endureceu – tentou criminalizar. Agora o governo quer aplicar uma multa, em
vez de negociar com as categorias. Ele esquece que foi ele que prometeu aos servidores tratamento
de negociação e de valorização e não cumpriu. Quem deve respostas para esta cidade e para esta
casa é o governador Ibaneis, é a vice-governadora Celina Leão.
Então, presidente, volto a esta tribuna não só para manifestar nossa solidariedade aos
servidores, mas para afirmar, mais uma vez, nosso compromisso com esta cidade, com os servidores
públicos, com os sindicatos que têm lutado arduamente em defesa dos interesses coletivos da
sociedade e contra o desmonte do governo Ibaneis-Celina. Manifesto a disposição de luta da nossa
bancada, dos nossos mandatos. Contem com nossa luta, contem com nossa energia! Nós vamos
continuar aqui, deputado Ricardo Vale, fazendo denúncias. Nós vamos continuar aqui cobrando. Nós
vamos continuar aqui mostrando que dinheiro e orçamento existem, o que não existe é vontade
política. O que existe é a decisão de um governador que prefere colocar o dinheiro público onde
estamos vendo: nos escândalos de corrupção desta cidade, e não na melhoria da qualidade de vida
da população e na valorização dos servidores. Obrigado, presidente.
DEPUTADO MAX MACIEL (PSOL) – Presidente, pela ordem.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Concedo a palavra.
DEPUTADO MAX MACIEL (PSOL) – Presidente, a cada minuto vão se revelando as coisas e
vai ficando pior essa história. Não tem 1 minuto, deputado Gabriel Magno, que o Rioprevidência, que
é quem paga as aposentadorias e as pensões de 235 mil servidores do estado do Rio de Janeiro,
aplicou R$2,6 bilhões em fundos do Banco Master. Isso não é só sobre o Distrito Federal. Outros
fundos previdenciários também investiram nessa história. Precisamos saber por que escolheram o
Banco Master para esse tipo de investimento. Além disso, 2 minutos depois, o Fundo Garantidor de
Crédito anunciou que estava guardando os dados dos investidores do Master para pagar as
garantias.
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O Fundo Garantidor, para quem não sabe, é cotizado pelo conjunto dos bancos. Os outros
grandes bancos devem estar muito felizes agora, ao assistir à lambança que estavam vendo e
prenunciando com essa negociação do Banco Master.
Presidente, há mais: o Fictor, que foi anunciado ontem como possível comprador do Banco
Master, avisou agora que desistiu da compra e vai respeitar a decisão do Banco Central. Porém, os
investigadores estão afirmando que o Fictor, na verdade, foi só uma simulação para o Vorcaro fugir
do país.
É um negócio impressionante o que isso está virando, em menos de 24 horas. Certamente
amanhã isso aqui vai estar um lamaçal, quando outros estados vierem à tona, com outros fundos
investidos nessa lambança, com outros fundos que vão estar em risco de perder uma série de
garantias e de recursos financeiros.
Então, presidente, quero mais uma vez reforçar a necessidade de esta casa assumir o seu
papel, de estar na vanguarda e tratar com seriedade o assunto, chamar os responsáveis, obviamente
punir aqueles que comprovadamente forem culpados e pedir a devolução dos recursos.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Max Maciel.
DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Presidente, pela ordem.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Concedo a palavra.
DEPUTADO CHICO VIGILANTE (PT) – Presidente, há mais uma matéria aqui, do Leonardo
Sakamoto, do Canal Uol, que diz o seguinte: “Prisão do dono do Master pode impactar chapa
Tarcísio-Ciro Nogueira?” Ciro Nogueira é aquele senador do Piauí, do PP, que em tudo que for
maracutaia neste país está envolvido. E ele está envolvido nessa também.
O Leonardo Sakamoto, que é um jornalista respeitadíssimo neste país, traz a ponta do
iceberg, dando conta de que o Ciro Nogueira está envolvido num negócio aí. Nós sabíamos. Vossa
excelência se lembra das audiências que fizemos, em que nos eram feitas afirmações com ressalva,
ou seja, pediam que não as divulgássemos. Mas já havia, efetivamente, a certeza de que o Ciro
Nogueira estava envolvido nessa questão do Banco Master com o BRB.
Presidente, só estamos nós aqui; eu vou embora também.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Obrigado, deputado Chico Vigilante.
DEPUTADO FÁBIO FÉLIX (PSOL) – Presidente, pela ordem.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Concedo a palavra.
DEPUTADO FÁBIO FÉLIX (PSOL) – Presidente, eu queria contar só uma curiosidade. No dia
da reunião dos parlamentares com o presidente do BRB, deputado Chico Vigilante, eu perguntei para
o presidente do BRB onde fora o jantar, qual fora o local onde eles estavam quando definiram que o
BRB compraria o Banco Master. Foi na casa de quem? Eles estavam almoçando onde? Onde foi o
cafezinho, o chope, o uísque? Onde isso foi decidido, onde se deliberou sobre isso? Ele me
respondeu: “Deputado Fábio Félix, não foi assim. Na verdade, foi um ofício que o Banco Master
mandou para o BRB no dia 6 de janeiro de 2025.”
Foi neste ano. Foi um ofício. Eles receberam o ofício, o BRB o leu e se interessou pela
compra, mesmo quando todo mundo falava dos ativos podres, mesmo com todo o sistema financeiro
brasileiro desconfiado com o Banco Master. O ofício devia ser muito bem escrito. Talvez o ofício mais
bem escrito na história deste país seja aquele escrito pelo Vorcaro, em que ofereceu seu banco para
compra!
Eu conto essa história, presidente, apenas para ilustrar o que estamos passando nesse
momento e a importância de esta casa se posicionar, porque não é brincadeira! É uma história que
ridiculariza a inteligência dos parlamentares, ridiculariza a inteligência da população do Distrito
Federal, mas que nos traz ainda mais responsabilidade – que já é a nossa – de investigar um caso
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como esse. A Câmara Legislativa precisa assumir a sua responsabilidade.
Esse é o meu recado neste momento. Não falta informação sobre a lambança que tentaram
fazer com o Banco de Brasília.
PRESIDENTE DEPUTADO RICARDO VALE (PT) – Registro a presença do presidente, deputado
Wellington Luiz, que estava em reunião até agora há pouco, na sala de reuniões.
Pergunto se algum deputado ainda deseja fazer uso da palavra.
Registro a presença do deputado Fábio Félix, do deputado Chico Vigilante, do deputado
Gabriel Magno, do deputado Max Maciel, do deputado Wellington Luiz e do deputado Ricardo Vale,
que vos fala.
Como não há mais assunto a tratar, declaro encerrada a sessão.
Observação: nas notas taquigráficas, os nomes próprios ausentes de sites governamentais oficiais são reproduzidos
conforme informados pelos organizadores dos eventos.
Todos os discursos são registrados sem a revisão dos oradores, exceto quando indicado, nos termos do Regimento
Interno da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Siglas com ocorrência neste evento:
CEB – Companhia Energética de Brasília
COP – Conference of the Parties; em português, Conferência das Partes
COP30 – 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
CVM – Comissão de Valores Mobiliários
IGESDF – Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal
Iprev-DF – Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal
Mercosul – Mercado Comum do Sul
ONG – Organização Não Governamental
Rioprevidência – Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro
As proposições constantes da presente ata circunstanciada podem ser consultadas no portal da CLDF.
Documento assinado eletronicamente por MMIIRRIIAAMM DDEE JJEESSUUSS LLOOPPEESS AAMMAARRAALL -- MMaattrr.. 1133551166, CChheeffee ddoo SSeettoorr
ddee RReeggiissttrroo ee RReeddaaççããoo LLeeggiissllaattiivvaa, em 23/11/2025, às 23:41, conforme Art. 30, do Ato da Mesa Diretora
n° 51, de 2025, publicado no Diário da Câmara Legislativa do Distrito Federal nº 62, de 27 de março de
2025.
A autenticidade do documento pode ser conferida no site:
http://sei.cl.df.gov.br/sei/controlador_externo.php?acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0
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