(Do Sr. Deputado Gabriel Magno)
Dá nova denominação à Casa de Cultura do Guará.
A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL decreta:
Art. 1º A Casa de Cultura do Guará, localizada na Área Especial do Cave, QE 23 – Guará II, Brasília/DF, passa a ser denominada Casa de Cultura do Guará Sônia Dourado.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
JUSTIFICAÇÃO
O Projeto de Lei visa alterar o nome Casa de Cultura do Guará para “Casa de Cultura do Guará Sônia Dourado”.
A medida atende a anseio da comunidade, que identifica Sônia Dirce Barreto Dourado, conhecido como Sônia Dourado, como uma personagem importante da vida cultural do Guará.
Sônia Dourado nasceu em Lapão, região da Chapada Diamantina, na Bahia. Primogênita de oito irmãos, desde cedo mostrava interesse pelo magistério e pelas artes.
Chegou à recém-inaugurada capital da República no final da década de 60 e se instalou na Vila do IAPI, destino de vários nordestinos. Na década de 70, formou-se em Artes Plásticas e foi aprovado em concurso da Secretaria de Educação para o cargo de professora de artes. Começou, então, a lecionar para alunos do Guará, no recém inaugurado Centro Educacional 1, incentivando os estudantes a participarem de movimentos culturais, como criação de bandas musicais e peças teatrais. Também lecionou em outras escolas do Guará. No início dos anos 80, foi curadora de projetos culturais como Projeto Plateia e Mostra de Cinema nas Escolas.
Ao levar os filhos para participar do Grupo Escoteiro João 23, então situado no CDS, ao lado da quarta DP, Sonia assumiu o cargo de “Akelá”, chefe dos lobinhos, e em seguida alçou o posto de chefe-geral do grupo. Em sua gestão, o grupo conseguiu uma sede própria no Park Way, que até hoje é a maior sede de grupos escoteiros do Distrito Federal.
Depois de férias em Salvador, inspirada no eterno caldeirão cultural da cidade baiana, voltou com a ideia fixa de fundar a Casa de Cultura do Guará, a primeira do Distrito Federal.
No final da década de 80, depois de colher centenas de assinaturas em um abaixo-assinado, foi até o então governador pedir autorização para ocupar um local que estava abandonado. E, assim, em 1989, foi criada a Casa da Cultura do Guará.
Além de shows, saraus e peças teatrais, Sônia conseguiu levar diversos cursos gratuitos para a população, como de manicure, cabelereira, modelo e manequim, violão, serigrafia, capoeira, corte e costura, entre outros. Mas a professora sabia que, para levar cultura aos moradores, era preciso ir onde o povo estava. E, assim, todo o final de semana, uma praça do Guará era presenteada com eventos culturais que duravam o dia todo. Sônia também conseguiu levar aos moradores da cidade shows gratuitos de artistas como Alceu Valença, Beto Guedes, Sá e Guarabira; além de sempre ter dado espaço para as bandas locais.
Isenta de qualquer preconceito, ela fez questão de dar voz a movimentos até então marginalizados, como o rap, o funk e o reggae.
Foi também conselheira de cultura do Distrito Federal, sendo integrante do primeiro Conselho de Cultura do DF, onde lutou para levar ainda mais arte para os guaraenses.
Sônia montou ainda um circo, ao lado da Casa da Cultura, conhecido como Circo Alternativo, com capacidade para 5 mil pessoas. O circo foi famoso na década de 90 por levar arte e cultura para a população, sempre de graça. Dessa forma, a Casa de Cultura foi expandida.
Depois da sua aposentadoria, ela se reinventou e foi convidada a participar da Secretaria de Educação da região meio-oeste da Bahia.
Nos anos 2000, voltou ao Guará e participou ativamente de ações para angariar insumos e mantimentos para o Lar de Idosos Francisco de Assis.
No dia 26 de Abril de 2023, a professora partiu, deixando um legado cultural que jamais será esquecido pelos moradores do Guará e do Distrito Federal.
iante do exposto, atendidos os requisitos previstos no art. 2º, inciso I, alíneas “a” e “b”’, da Lei nº 4.052, de 10 de dezembro de 2007, rogo aos pares a aprovação da presente proposição, a fim de que esta Casa de Leis preste a devida homenagem a Sônia Dourado.
Deputado GABRIEL MAGNO