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Câmara debate criação da Universidade Pública do DF

Publicado em 13/08/2015 16h45

O Distrito Federal e o estado de São Paulo são as unidades da Federação com a pior relação de equilíbrio entre ensino público e privado. No Brasil inteiro, existem 2.090 instituições de ensino privado e apenas 250 universidades públicas, observou o professor Mourad Ibrahim Belaciano durante comissão geral que debateu a criação da Universidade Pública do DF em parte da tarde e início da noite de hoje (13). Mourad é diretor-executivo da Fundação Universidade Aberta do Distrito Federal (Funab) e um dos responsáveis pelo projeto da Universidade Distrital.

"Não sou o primeiro deputado a levantar essa questão e o assunto não é novo. O projeto em curso é motivo de comemoração mas, ao mesmo tempo, ainda não obteve êxito em sua plenitude, daí a motivação deste debate", explicou Wasny de Roure (PT), um dos parlamentares que propuseram a realização da comissão geral e autor de um projeto de emenda à Lei Orgânica que destina um percentual do orçamento do DF para o ensino superior. A proposta já foi aprovada em 1º turno.

Um dos problemas da proporção desequilibrada entre universidades públicas e privadas, segundou Mourad, é que essas últimas formam para o mercado, restando poucos profissionais com perfil para o serviço público. "Falta uma instituição que forme para o desenvolvimento econômico e social, de modo particular da Região Metropolitana de Brasília, onde há estudantes migrando para os estados vizinhos". O diretor da Funab frisou que Goiás implantou em pouco tempo sua universidade estadual, já presente em 50 cidades goianas.

O deputado Chico Leite (PT) lembrou que apenas DF e Sergipe não possuem universidades estaduais, mas argumentou que a luta não deve ser para "formar muita gente", mas pela "capacitação para a transformação". O deputado defendeu a criação da figura do docente pesquisador e disse que "a cidade que não investe em ciência e tecnologia é uma cidade morta". Assim como outros expositores, Chico Leite destacou que a nova universidade precisa se espelhar no sucesso da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) e cobrou a reestruturação da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (FEPECS).

A professora Natália de Souza Duarte, representando o Fórum Distrital de Educação, apresentou outro índice desfavorável ao DF para reforçar a necessidade de implantação da universidade pública: 85% da população jovem do Distrito Federal está matriculada em faculdades privadas, enquanto a média nacional gira em torno de 75%.

Natália credita o sucesso da ESCS à formação sustentada na política do Sistema Único de Saúde (SUS). A Universidade Distrital, na sua opinião, tem que focar na solução de problemas públicos como a erradicação da pobreza e a manutenção dos direitos civis, entre outros. "A Universidade Distrital será capaz de fazer pelo DF a mesma coisa que a ESCS fez pela saúde", declarou.

O estudante Yuri Zago, presidente do Centro Acadêmico da ESCS, testemunhou a "simbiose" entre ensino e comunidade, currículo e problemas da saúde pública na escola onde estuda, exibindo com orgulho o crachá que lhe dá acesso a todos os hospitais públicos e postos de saúde do DF. "Sou parte desse sistema", afirmou. Zago só acha que a Escola tem que se expandir para ser capaz de formar equipes multidisciplinares. A mesma cobrança foi feita pelo presidente do Conselho de Saúde do DF, Helvécio Ferreira. Hoje só existem na ESCS os cursos de Medicina e Enfermagem.

O Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF, Paulo Sérgio Bretas Salles foi além, sugerindo que a Escola Superior de Ciências da Saúde ofereça também cursos de especialização. Para ele, um dos maiores desafios do ensino superior público no Distrito Federal é a falta de uma política que dê objetivos comuns às instituições existentes.

Participaram também do debate a diretora da ESCS, Maria Dilma; o diretor de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), Demétrio Filho, representando o reitor; o diretor-executivo da FEPECS, Armando Raggio, representando o Secretário de Saúde; a deputada federal Érica Kokay (PT-DF) e o deputado distrital Reginaldo Veras, presidente da Comissão de Educação da Câmara.

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