Publicador de Conteúdos e Mídias

CPI da Pedofilia debate o que fazer com o agressor em casos de abusos sexuais

Publicado em 17/11/2017 15h45

Especialistas discorreram sobre possíveis métodos e adoção de políticas públicas voltadas para o agressor em casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes em audiência pública realizada pela CPI da Pedofilia na tarde desta sexta-feira (17). O presidente da comissão, deputado Rodrigo Delmasso (Podemos), lembrou que o tema se insere num dos eixos dos trabalhos da CPI, que é a discussão e elaboração de políticas de combate e prevenção ao abuso sexual contra crianças e adolescentes.

Especialista em atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica (PUC), a psicóloga Rozangela Justino disse que o abusador "precisa de limites". Defendeu a "quebra de silêncio" e alertou para a invisibilidade dos casos de abusos sexuais contra meninos, uma vez que as campanhas de prevenções são majoritariamente voltadas para meninas. A psicóloga, que trata de vítimas e de abusadores, foi assertiva ao afirmar que mais de 90% das vítimas são abusadas por pessoas que elas conhecem e confiam. Justino se opôs, com veemência, à "normalização dos abusos sexuais e da pedofilia" que, segundo ela, vem ocorrendo no País.  

Uma mudança de paradigma foi a abordagem do psicólogo, mestre em Psicologia e Cultura (UnB), Bruno Costa. De acordo com ele, "violência e vingança não geram soluções" e é necessário tratar o agressor para não haver reincidência. Ele explicou que o perfil do abusador é amplo e complexo; acrescentou, inclusive, que não existe uma relação direta de causalidade entre indivíduos que foram abusados na infância se tornarem abusadores. Para ele, deve haver "diferentes terapêuticas para diferentes perfis" e o Estado deve adotar "políticas públicas que desenvolvam competências em habilidades sociais e relações saudáveis".

Castração química - A advogada Thais Maia, que é mestre e especialista em Bioética e Saúde Pública (UnB), disse que a castração química, como método para ser ministrado em agressores, apresenta falhas que não podem ser ignoradas. Segundo Maia, a castração química inibe os impulsos e pensamentos sexuais, contudo seus efeitos duram apenas de seis a oito meses, além de provocar danos colaterais ao organismo, como depressão e outras disfunções.

Audiência pública – Durante a audiência, questionamentos do público foram encaminhados aos especialistas, entre eles o posicionamento do Estado em relação à prevenção e reincidência dos casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes. Delmasso anunciou que a prevenção será um dos temas da próxima audiência pública da CPI da Pedofilia no dia 27, às 10h 30, na sala de reunião das comissões. 

Mais notícias sobre

Ver também

Não há notícias para esta página no momento.