Publicador de Conteúdos e Mídias

Audiência sobre escolas de atendimento especial vira repúdio a corte em benefício social

Publicado em 07/12/2016 12h03

A audiência pública realizada nesta quarta-feira (7) em plenário sobre as escolas de atendimento especial, onde estudam pessoas com deficiência, transformou-se em um amplo protesto contra a proposta anunciada pelo governo federal de reduzir para menos de um salário mínimo o valor do benefício social. A medida consta na proposta de Reforma da Previdência Social encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional nesta semana.

"Temos que nos conscientizar sobre as perdas e nos unirmos no enfrentamento a essas propostas", disse o deputado Wasny de Roure (PT) aos participantes da audiência, que reuniu a Associação Pestalozzi de Brasília, o Centro Educacional de Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (CEAL), a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais e Deficientes de Taguatinga e Ceilândia (APAED), entre outras entidades.  

Ao ser vaiada pelas galerias, a representante da região Norte e Centro-Oeste do INSS, Talita Cintra, disse concordar com a reação: "Essa proposta é absurda e merece vaia mesmo". Talita, que é analista de seguro social, acrescentou que é uma grande falácia o que está sendo dito porque não há rombo na Previdência Social.

Repasse – Participantes do evento protestaram contra os constantes atrasos no repasse de verbas às escolas e entidades de atendimento especial. "Reivindicamos sustentabilidade financeira e respeito; não podemos ser vistos como coitados e depósitos de deficientes", declarou a representante do Conselho de Entidades de Promoção de Assistência Social (CEPAS), Daise Lourenço.

"O CEAL corre o risco de fechar porque o repasse não é feito; como vou fazer para pagar fonoaudiólogos e professores especializados para minha filha?", questionou Eliane Alves, mãe de uma estudante com deficiência auditiva, aluna do CEAL há sete anos. Vários outros pais também se manifestaram durante a audiência, entre eles Vanessa Monteiro, também mãe de aluno do CEAL: "Vocês precisam nos ajudar a lutar contra esse descaso", afirmou. "O CEAL é referência no País, é um marco na vida do deficiente auditivo, nossos filhos não podem perder essa oportunidade", acrescentou.

O deputado Ricardo Vale (PT) esclareceu que os parlamentares vão intermediar a questão para "ao invés de fechar, fortalecer o CEAL". Ao elogiar o trabalho da instituição, o deputado Joe Valle (PDT) lembrou que o CEAL tem o direito de receber o repasse do governo federal. "O recurso está lá, eles é que não repassam", informou. "As instituições que estão aqui hoje sofrem como se estivessem devendo favor ao governo, mas elas estão é fazendo um favor ao governo ao cuidar das pessoas com deficiência", argumentou Valle.

De acordo com o deputado Agaciel Maia (PR), que é presidente da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças, o caminho é cobrar a liberação dos recursos dos dois executores dos contratos feitos em 2015 no Ministério da Fazenda. "Precisamos nos reunir com o secretário de Saúde para tirar isso a limpo e estabelecer um cronograma de pagamento", avaliou.

A secretária adjunta do Desenvolvimento Social, Marlene Azevedo, garantiu que os recursos para o CEAL vão ser transferidos ainda neste mês, mas ela acrescentou que não há verba para todas as entidades.

Transporte e policiamento – Os participantes do evento protestaram ainda contra a falta de transporte escolar e policiamento nas escolas. "Quem tem uma criança com deficiência sabe como eles sentem falta da escola", disse Divino Espírito Santo, responsável por um aluno com paralisia cerebral, ao dizer que o garoto, presente no plenário, está sem ir à escola porque não há transporte especial. "Não é a lei que faz a vida; é a vida que faz a lei", argumentou.

"Os nossos alunos não têm condições de entrar nos ônibus comuns", reforçou Heloisa Bezerra, da APAED. Também se manifestou em plenário o estudante da Pestalozzi, Luciano Araújo. "Queremos ônibus", disse, ao lembrar o lema da Pestalozzi: "Nada sobre nós sem nós".

O representante da Secretaria de Mobilidade, Márcio Antônio de Jesus, justificou que os carros que antes faziam o transporte escolar de pessoas com deficiência foram retirados de circulação porque eram veículos antigos e não adaptados. Acrescentou que faltam recursos para viabilizar os veículos com acessibilidade.

Os participantes reforçaram ainda a falta de policiamento nas escolas, onde, segundo os depoimentos de funcionários, traficantes usam os deficientes como "aviõezinhos" para transportar drogas. O coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos, da Secretaria de Segurança Pública, alegou que não há efetivo suficiente para atender as demandas de todas as escolas. 

Mais notícias sobre

Ver também

Não há notícias para esta página no momento.