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Audiência defende humanização do parto e do nascimento

Publicado em 18/11/2019 17h10

A humanização do parto e do nascimento foi defendida por participantes de audiência pública na tarde desta segunda-feira (18) na sala das comissões da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O mediador do debate, deputado Fábio Felix (PSOL), argumentou pelo respeito à atuação das doulas em hospitais do DF. Nesse sentido, sugeriu a divulgação da legislação que resguarda esse direito, por meio da circulação de cartilhas em hospitais.  

A deputada Júlia Lucy (Novo) citou que os bebês que nascem em partos humanizados recebem os melhores índices de Apgar, teste que avalia a vitalidade do recém-nascido. Ao destacar a excelente avaliação da Casa de Parto de São Sebastião, que adota o parto humanizado, a parlamentar disse que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, prometeu-lhe concluir a construção das casas de parto em Ceilândia, no Gama e na Asa Sul. "Vamos batalhar pelas casas de parto e continuar pressionando", afirmou. Lucy, que está à frente da Promotoria da Mulher da Câmara Legislativa do Distrito Federal, criticou a intervenção do Estado no corpo da mulher em contraponto à autonomia "para parir como quiser", posição corroborada pelo deputado Leandro Grass (Rede), que frisou "a saúde da mulher em primeiro plano".

A presidente da Associação de Doulas do DF, Marilda Castro, reforçou a importância da assistência à mulher no ciclo gravídico puerperal. Ela lembrou o Estatuto do Parto Humanizado, que abarca, entre outros, o direito de a mulher ter uma doula durante o parto. Castro discorreu sobre as implicações da migração do parto domiciliar para o hospitalar, "mais frio e inadequado para a mulher", e suas consequências, como o aumento do número de cesarianas e nascimento de crianças prematuras. Castro e várias doulas presentes na audiência relataram dificuldades e impedimentos para entrar em hospitais a fim de acompanhar os partos.  

Nesse sentido, a representante da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa), Dafne Harter, destacou o protagonismo da mulher no "plano de parto" e sua autonomia para escolher a forma e o acompanhante nesse momento.

Pré-natal – Segundo a representante da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Sislândia Freitas, o parto é um evento social familiar. Ginecologista e obstetra, com atuação no Hospital Universitário de Brasília por duas décadas, Freitas considerou que a assistência não começa no trabalho de parto, mas no pré-natal. "Não se discute parto humanizado sem falar em pré-natal humanizado", frisou.

Por outro lado, a presidente da Liga Acadêmica de Parto Humanizado da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), Caroline Souza, disse que a institucionalização do parto começa nas próprias escolas e academias, onde se ensina que a gestante é submissa à equipe de saúde. A estudante de enfermagem teceu ainda considerações sobre a questão da cultura machista e racista nesse processo.

Também enfermeira, a chefe da Assessoria de Redes de Atenção à Saúde da Secretaria de Saúde, Camila Gaspar, defendeu o envolvimento das escolas de saúde nas boas práticas de nascimento. Ela destacou a participação do DF na Rede Cegonha, programa do Ministério da Saúde para ações de atendimento voltadas à mãe e ao filho, do pré-natal aos dois anos de idade. Já a secretária adjunta de políticas para crianças e adolescentes do DF, Adriana Faria, argumentou que as consequências de partos traumáticos influenciam, inclusive, a primeira infância. Faria apoiou a criação da Semana de Atenção ao Parto, evento que poderá colocar na agenda social os temas debatidos hoje na audiência.

Franci Moraes
Fotos: Carlos Gandra/CLDF
Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa

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