CLDF homenageia projeto “Não Temas, Maria” por atuação no acolhimento de mulheres no DF
CLDF homenageia projeto “Não Temas, Maria” por atuação no acolhimento de mulheres no DF
A cerimônia foi proposta pelo deputado distrital João Cardoso (PL) e reuniu representantes do poder público, da Igreja Católica e integrantes da rede de proteção às mulheres
Foto: Sara Marques / Agência CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na noite desta segunda-feira (11), sessão solene em homenagem ao projeto “Não Temas, Maria”, iniciativa da Arquidiocese de Brasília voltada ao acolhimento e apoio de mulheres em situação de vulnerabilidade e violência.
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A cerimônia foi proposta pelo deputado distrital João Cardoso (PL) e reuniu representantes do poder público, da Igreja Católica e integrantes da rede de proteção às mulheres.
Criado por meio de parceria com o Governo do Distrito Federal, o “Não Temas, Maria” promove ações de acolhimento, escuta qualificada e orientação a mulheres em situação de fragilidade emocional, social e familiar. A iniciativa também atua na prevenção da violência doméstica e no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
Ao abrir a solenidade, o deputado João Cardoso destacou o alcance social da iniciativa e o papel do projeto no apoio às mulheres e famílias. Segundo o parlamentar, o “Não Temas, Maria” ultrapassa os espaços religiosos e chega diretamente às comunidades, de forma a promover dignidade humana, valorização da vida e apoio emocional, espiritual e material a mães e filhos.
“Proteger a vida é um compromisso ético, social e humano que passa pelo cuidado com as mães e pelo apoio das famílias, especialmente quando a mulher passa por momentos de maior fragilidade. Nenhuma mulher deve enfrentar essa dor sozinha”, afirmou João Cardoso.
Também presente, a deputada Paula Belmonte (PSDB) ressaltou a importância das redes de apoio entre mulheres em diferentes momentos de vulnerabilidade: “Não Temas Maria chama as mulheres para que estejamos juntas, apoiando-nos em momentos de violência, solidão, pós-parto ou climatério. Precisamos nos conectar”, declarou. Paula Belmonte defendeu o fortalecimento da autonomia feminina por meio da educação e do incentivo aos sonhos e projetos de vida das jovens.
O evento contou, ainda, com a presença da governadora do DF, Celina Leão. Ela fez um balanço de ações do governo voltadas à proteção dessas mulheres. "Na nossa gestão, saímos de 14 para 31 equipamentos públicos de proteção. Hoje temos o auxílio-aluguel para a mulher ameaçada e o auxílio para o órfão do feminicídio, que garante assistência a famílias que estavam totalmente desassistidas. Temos o programa Viva Flor e não perdemos nenhuma mulher sob este monitoramento", destacou a chefe do Executivo.
Representando a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, a secretária executiva institucional e de Políticas de Segurança Pública interina, Regilene Siqueira Rozal, enfatizou a necessidade de atuação conjunta entre Estado, sociedade e lideranças religiosas no enfrentamento à violência contra a mulher.
Segundo Regilene, a Igreja possui capacidade de alcançar espaços onde, muitas vezes, o poder público não consegue chegar. “Precisamos superar o ditado de que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’; a gente mete a colher sim para salvar vidas. Se nos omitimos, somos responsáveis”, afirmou.
Acolhimento
A psicóloga e colaboradora do projeto, Fernanda Alcântara, falou sobre os impactos emocionais da violência doméstica e destacou a importância da escuta acolhedora no processo de reconstrução das vítimas: “A violência doméstica começa muito antes da agressão física; começa quando o afeto dá lugar ao medo e ao controle. O projeto nasce para ser escuta onde há silêncio”, disse.
Fernanda também explicou que muitas mulheres não conseguem identificar a violência que vivenciam e ressaltou que o trabalho desenvolvido pelo projeto busca restaurar a dignidade e fortalecer relações familiares baseadas no respeito: “Homenagear as mães hoje também é necessário, pois fortalecer a mãe é fortalecer a família. A violência fere o coração, mas o acolhimento reorganiza a esperança. Que ninguém precise sofrer sozinho”, concluiu.
Ao final da solenidade, foram entregues moções de louvor a colaboradores e apoiadores do projeto.
Ágata Vaz (sob supervisão de Noelle Oliveira)
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