Segurança no perímetro escolar é tema de audiência
Segurança no perímetro escolar é tema de audiência

A necessidade do aumento do efetivo do Batalhão Escolar foi um consenso entre os debatedores da audiência pública sobre segurança pública no perímetro escolar, realizada na tarde desta sexta-feira (22) no plenário da Casa. O deputado Prof. Reginaldo Veras (PDT) mediou a audiência, uma iniciativa da Comissão de Educação, Saúde e Cultura.
O tenente-coronel Júlio César Lima, comandante do 1º Batalhão de Policiamento Escolar, explicou que a atuação do batalhão é preventiva, comunitária e repressiva. Ele disse que haverá o reforço de sessenta policiais neste semestre. Por causa dos crimes com uso de facas ocorridos recentemente, Lima defendeu revistar estudantes em sala de aula.
Professores, coordenadores e diretores de escolas públicas e privadas relataram diversas situações de violência. Entre eles, o professor Claudio Barbosa, do Centro de Ensino Educacional 4 de Ceilândia, para quem o aumento de sessenta policiais é "insuficiente para atender a demanda das escolas". Ele disse que os "professores e estudantes estão amedrontados" com a ação de traficantes nas imediações da escola, que causou a evasão de 73 alunos neste ano. "Precisamos de rondas ostensivas", afirmou.
Ações coordenadas foram defendidas pelo tenente-coronel Robson Cardoso, assessor da Secretaria de Segurança Pública. "Não podemos esperar que apenas o árduo trabalho da PM resolva as situações de violência", afirmou. Na mesma perspectiva, a assessora do Secretário de Educação, Iara Rezende, disse que violência requer "ações integradas". Iara anunciou a contratação de empresas terceirizadas de vigilância, as quais, segundo ela, vão atender 476 escolas.
"A violência está ultrapassando os muros das escolas, foram 56 ocorrências no perímetro escolar neste ano", afirmou a dirigente do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro/DF), Delzair Amâncio. De acordo com ela, toda a comunidade escolar é vítima dessa situação e "os professores querem uma proposta de política pública da Secretaria de Educação e não a terceirização dos problemas".
Particulares - Segundo o diretor administrativo do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe), Jarbas Toledo Guimarães, a violência escolar não está localizada apenas nas escolas públicas, mas também nas particulares, inclusive com forte ação de traficantes de drogas. Ele lembrou que a situação também envolve o ensino superior: "É rara a semana em que não há ocorrência nos arredores das faculdades". Contudo, Toledo se disse contrário à varredura policial em sala de aula.
A mesma opinião manifestou o professor Rodrigo de Paula, diretor do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinproep). "O espaço da escola não pode ser violado, nem os alunos revistados; a escola é um espaço de construção do saber", argumentou. Para Rodrigo, a comunidade escolar hoje é "vítima de uma falência do Estado".
"A violência chegou onde jamais deveria ter chegado", alegou o representante da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa), Luiz Claudio Megiorim. Ele elogiou a atuação do batalhão escolar, "policiais comprometidos" com um problema que, segundo ele, não começou agora.
Plano Distrital de Educação – O deputado Prof. Israel Batista (PV), também integrante da comissão de educação, disse que a questão da segurança escolar deve integrar o Plano Distrital de Educação, em fase de discussão na Casa.