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Noélia Ribeiro declama "Eis o mistério da fé" e envolve o público na Feira do Livro

Publicado em 09/08/2018 16h14

A poetisa Noélia Ribeiro narrou sua trajetória literária e declamou poemas de sua autoria no encontro entre escritores e mediadores de leitura na tarde desta quarta-feira (9) no foyer do plenário. O encontro é uma das novidades da 4ª edição da Feira do Livro da CLDF, evento que se encerra hoje à noite com sarau literário da Academia Cruzeirense de Letras.

Conhecida como a musa da geração mimeógrafo, Noélia Ribeiro colhe, nesta fase de sua carreira, o reconhecimento do público obtido com as obras Atarantada (Verbis Brasília, 2009), Escalafobética (Vidráguas, 2015) e Espevitada (Penalux, 2017). Com a trilogia, Noélia voltou à cena literária de Brasília após mais de duas décadas do lançamento de seu primeiro livro, Expectativa, em 1982. Os adjetivos pouco usuais que dão título às obras espelham facetas de seus poemas e de si mesma, revelou a autora. "Meus poemas têm história", afirma, ao declamar o "Eis o mistério da fé", composição em que o sagrado e o profano se fundem, finalizado após a missa em celebração a um mês de falecimento de sua mãe. 

Graduada em Letras, com dupla habilitação em Português e em Inglês, pela Universidade de Brasília (UnB), Noélia foi técnica do Tesouro Nacional e taquígrafa da Câmara Federal, órgão pelo qual se aposentou. Mãe de dois filhos, a autora discorreu sobre a dificuldade de conciliar os vários papeis que desempenha com a tarefa de escritora. "Preciso de momentos de solidão", explica ela, que considera, por outro lado, os saraus literários, as feiras e as bienais de livro, cenários onde ela recita seus poemas, como instantes complementares de sua poesia. "É o olho no olho", diz, com a mesma intensidade de seus poemas.

Sensibilização - A sensibilização pela literatura é uma ferramenta usada pelo professor José Vicente Silva, que trabalha no Centro de Referência em População em Situação de Rua de Brasília e participou do encontro com escritores na tarde de hoje (9). A formação como mediador de leitura reforçou esse apelo, disse. Ele cita, por exemplo, a atualidade da obra "O cortiço", de Aluísio Azevedo, publicada originalmente em 1890. Segundo Zé Vicente, a identificação entre as pessoas em situação de rua e os personagens do livro, "forjados na vida", é imediata. Nesse sentido, a literatura "pode mudar a vida das pessoas", discorre o professor, que circula com o carro cheio de livros para a livre escolha dos grupos com os quais trabalha, a exemplo da Escola Meninos e Meninas do Parque, voltada a alunos que vivem em abrigos em Brasília. Para ele, a poesia é outro gênero que sensibiliza os alunos na medida em que os auxilia a sair do "contexto de desilusões" a que estão submetidos, considera.

Para José Vicente, o encontro entre os mediadores de leitura, como ele, e os escritores locais, como Noélia Ribeiro, é uma atividade necessária, pois possibilita a "discussão que fortalece o argumento e a literatura", e cria um "contraponto em meio a leitura rápida e imediatista das redes sociais".

EIS O MISTÉRIO DA FÉ!

Vira e mexe

Estás aqui a me abraçar

Com teus braços compridos

E mãos que me cabem

Mãos que me cobrem

 

Vira e mexe

Estás aqui a me procurar

Com teu corpo gigante

E tua boca generosa

Que me investiga

 

Vira e mexe

Estás aqui comigo

A sorrir e a cobiçar

O gozo abençoado

Que os anjos aplaudem de pé

 

E eu viro e mexo

Porque creio em nós


Eis o mistério da fé!


Franci Moraes
Fotos: Diogo Gandra/CLDF
Comunicação Social - Câmara Legislativa

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