Jardineiro diz que categoria resiste porque tem padrinhos
Jardineiro diz que categoria resiste porque tem padrinhos

Cícero surpreendeu os membros da comissão ao esclarecer que, embora seja o presidente da associação, está trabalhando como secretário parlamentar do gabinete da deputada Luzia de Paula ((PSL), nomeado para o cargo pelo atual secretário de Justiça e Cidadania, Raimundo Ribeiro.
Essa relação com políticos é antiga, segundo Cícero, e envolve também a também secretária de Ação Social, Eliana Pedrosa, e o próprio governador Arruda, que apóia os jardineiros desde antes de ser deputado federal. Só por decisão política, conforme enfatiza Cícero, podem continuar fazendo o trabalho deles.
Foi a intervenção de Arruda, por exemplo, que resolveu o problema da água em Taguatinga, e credita-se a ele e ao apoio de Raimundo Ribeiro e Eliana Pedrosa a continuidade do fornecimento de água aos jardineiros do Campo da Esperança, mesmo depois da denúncia de que a dívida de água da Organização supera os R$ 3,292 milhões. Embora a Organização Social dos Jardineiros compreenda todos os cemitérios do DF, a associação tem apenas 200 jardineiros cadastrados, a maioria deles do próprio Campo da Esperança, Taguatinga, Gama e Sobradinho. Descalabro - A informação mais contundente prestada por Cícero aos membros da CPI - Rogério Ulysses (PSB), presidente, Erika Kokay (PT) e Reguffe (PDT) - foi a "reciclagem" da área de sepultamento social efetivada pela administração do cemitério Campo da Esperança na Q 204, setor "C", com uma retroescavadeira "jogando osso para tudo que é lado", atingindo, inclusive, túmulos particulares.
O depoente explicou que a idéia seria reaproveitar a área para a implantação de novas campas, na concepção "cemitério-parque", que acabou não sendo levada adiante porque "o pessoal de Brasília é tradicional, gosta de plantar árvores" e resiste a esse modelo em que os jazigos são substituídos por uma plaquinha de bronze.
Cinco anos depois, sobram ossos pela área revolvida. Cícero preferiu levar os membros da comissão ao local a dizer onde se encontravam as ossadas, para não correr o risco de que fossem removidas pelos empregados da empresa. Parte dos ossos foram recolhidos, segundo ele, em sacos plásticos e guardados para os parentes, quando comparecessem ao cemitério, decidirem que destinação dar a eles.
Cícero negou ter conhecimento de que o Campo da Esperança seja ponto de tráfico de drogas ou de usuários, mesmo considerando que a fiscalização, que antes da privatização era de mais ou menos 36 pessoas, tenha passado para duas, que se concentram principalmente na entrada.