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Falta planejamento integrado para mobilidade sustentável, alertam especialistas

Publicado em 01/11/2013 10h39

A falta de planejamento integrado para garantir mobilidade urbana e acessibilidade no Distrito Federal para todos os cidadãos foi duramente criticada em audiência pública na Câmara Legislativa nesta sexta-feira (1º). Proposto pelo deputado Joe Valle (PDT), o evento atraiu para o plenário da Casa especialistas em transporte público, técnicos do governo, representantes de organizações não-governamentais e ciclistas. Durante cerca de três horas, eles discutiram a questão da mobilidade sustentável e apontaram alternativas para o DF.

Valle abriu a audiência manifestando preocupação com os problemas de mobilidade urbana enfrentados pelos moradores do DF. Ele criticou o fato de que muitas ações propostas por técnicos que estudam melhorias para o sistema de transporte público foram deixadas de lado pelos gestores públicos, ao longo dos anos. E se comprometeu a levar as sugestões e reivindicações feitas durante o debate para o governador Agnelo Queiroz.

O  professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), Benny Schvarsberg, enfatizou em seu discurso que o DF precisa "pensar e planejar" a mobilidade urbana de forma integrada e sistêmica, envolvendo várias secretarias, como as de Educação, Saúde, Transporte e Turismo. Ele criticou a continuidade do processo de expansão urbana "de 360 graus" e defendeu a criação de um "conselho de cidade" para analisar a sua integralidade. "Sou contra um conselho específico de mobilidade urbana", acrescentou.

Do movimento Rodas da Paz, Renata Florentino defendeu que o uso da bicicleta deveria ser  entendido como "um fator de transformação da cidade". Criticou  a política de instalação das ciclovias, "de forma desordenada e sem garantir segurança", lembrando que as calçadas continuam sem conservação e que prédios públicos, como a Câmara Legislativa, não oferecem bicicletários à população.

A representante da ONG Inesc na audiência, Cléo Manhas, condenou a "participação restrita" da sociedade na elaboração de políticas públicas para a mobilidade urbana, afirmando que prevalece o espírito de "segregação"  aos que optam por formas alternativas de transporte, como a bicicleta, e citando as dificuldades de acesso a espaços públicos – a exemplo do Mané Garrinha – por parte das pessoas que moram longe do centro da cidade.

Preocupação – O secretário de Turismo do DF, Luiz Otávio Rocha Neves, disse aos participantes que o governador tem preocupação em corrigir os problemas de mobilidade urbana do DF e que tem acompanhado de perto a execução de obras, como as ciclovias.  Neves comentou que, no caso do desenvolvimento do turismo, a cidade precisa oferecer alternativas eficazes, que ultrapassam o transporte rodoviário.

O diretor da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), Marcelo Dourado, criticou o que chamou de "falta de interesse" do poder público de enfrentar a situação "pré-caótica" da mobilidade urbana nas grandes capitais. Ele criticou o "lobby" dos adeptos da expansão das rodovias, alertando que se o governo não investir em ferrovias e outras modalidades de transporte sobre trilhos "os moradores não terão como sair de casa, já em 2020". 

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