Câmara debate destino do programa Esporte à Meia Noite
Câmara debate destino do programa Esporte à Meia Noite

O estado de abandono em que se encontra o programa Esporte à Meia Noite, que já foi considerado pela Unesco referência mundial no combate à violência infanto-juvenil (2003), foi o tema da Comissão Geral realizada no plenário na tarde de hoje (17), por iniciativa dos deputados Chico Leite (PT), Júlio César (PRB) e Reginaldo Veras (PDT).
O núcleo inicial do programa em Planaltina, que chegou a contar com uma equipe de 12 profissionais, agora dispõe de apenas três professores de educação física, atuando sem segurança, com um único policial que precisa se ausentar quando há uma ocorrência nas proximidades. O professor Carlos Henrique Moraes, um desses professores, colocou a proposta dos profissionais que ainda estão no projeto para reestruturá-lo. "Para continuar a trabalhar dessa forma, é preferível que o programa seja extinto", declarou.
O objetivo do Esporte à Meia Noite, criado em 1999 durante o governo de Joaquim Roriz, é combater, de forma preventiva, a criminalidade juvenil por meio do desenvolvimento de ações esportivas, de qualificação profissional e de lazer, voltadas à construção da cidadania e auto estima dos jovens atendidos. O horário de funcionamento é de 22h às 2h da madrugada.
O primeiro núcleo começou a funcionar na comunidade de Pombal, com a participação do professor Carlos Henrique. Trata-se de um dos bairros mais violentos do Brasil, que vitimou 52 jovens, 300% a mais do que em toda a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, segundo dados de 2011 do jornal O Globo. Naquele ano, 18 jovens foram vítimas de homicídio na Rocinha. No mesmo ano, ocorreram 65 homicídios em Planaltina, 80% deles no Pombal.
O jovem Divino, morador do bairro e um dos beneficiados pelo programa, perdeu um irmão de 13 anos para o tráfico. "Ele não estudava, não fazia nada e acabou sendo cooptado pelo tráfico. Os jovens do Pombal querem ser traficantes porque é só o que eles veem como exemplo. Sei que, quando pessoas capacitadas mostram para gente que existem outros caminhos, a coisa pode ser diferente", declarou Divino no plenário da Câmara.
O deputado Rodrigo Delmasso (PSDB) participou do programa em Taguatinga Norte e saiu para ser atleta federado do Minas Tênis Clube, da liga brasiliense de voleibol. "Sou testemunha do que o esporte pode fazer por uma pessoa", disse o parlamentar. "Nunca bebi, nunca coloquei um cigarro na boca porque meu treinador dizia que aquilo podia prejudicar meu rendimento. Estudava mais porque ele só me escalava se eu tirasse de 8 para cima".
Para Delmasso, o esporte não pode mais ser tratado como segunda categoria. "Deve ser uma política de saúde e de educação". O parlamentar acredita que o Esporte à Meia Noite pode, inclusive, ajudar a tornar Brasília um eixo de formação de atletas. Júlio César, que foi secretário de Esportes, considera o programa "uma medida simples e capaz de prevenir a criminalidade". O parlamentar informou que tem um projeto de lei de sua autoria que "garante a execução do programa".
O coronel Marcos, que representou a Polícia Militar na audiência, disse que os recursos da corporação são limitados e que o Esporte à Meia Noite não é o único projeto em que a PM atua com finalidades parecidas.
Manutenção - Vênus Dea Vargas, coordenadora de Educação Física, Desporto e Lazer da Secretaria de Educação, disse que em nenhum momento se falou em extinção do programa na secretaria. Pelo contrário: a pasta quer que os professores de educação física que nele atuam voltem para seus quadros, que a secretaria exerça a coordenação pedagógica e o gerenciamento de pessoal e que haja processos seletivos periódicos para garantir o acesso de outros profissionais que queiram atuar no projeto. "Fizemos uma reunião para acolhimento desses professores mas creio que fomos mal entendidos. Estamos à disposição para encontrar uma solução", declarou Vargas.
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