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Câmara discute situação das monitoras da Secretaria de Educação

Publicado em 26/03/2008 14h03
A situação de 178 monitoras de creche da Secretaria de Educação, que trabalharam para o GDF até o final do governo passado sem carteira assinada ou contrato de trabalho e foram demitidas sem qualquer direito trabalhista, foi o tema do debate promovido hoje pela Câmara Legislativa por iniciativa do presidente da Comissão de Educação e Saúde (CES), deputado Raad Massouh (DEM).

Raad contou que foi procurado no início de 2007 pelo grupo de ex-monitoras e que passou todo o ano acompanhando-as na negociação com várias instâncias do governo - do próprio governador, passando pela Secretaria de Educação até a corregedoria do GDF - na busca de uma solução para o caso. No início de 2008, a Secretaria de Educação anunciou que faria um processo de seleção para contratação de monitores de creche baseado em prova de títulos, o que, segundo o parlamentar, tranqüilizou todo o grupo, pois estavam seguras de que tinham experiência profissional comprovada suficiente para garantir-lhes as vagas. No entanto, quando o resultado da seleção foi divulgado houve uma supresa geral: entre os quase 500 convocados não constava o nome dessas ex-monitoras.

:Um abaixo-assinado do grupo à CES provocou a convocação da audiência pública da qual participaram os deputados Bispo Renato (PR), presidente da Comissão de Segurança; Eurides Brito (PMDB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça; Erika Kokay (PT), presidente da Comissão de Defesa dos Direiros Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar; e Luzia de Paula (PSL); a coordenadora da Associação dos Trabalhadores em Assistência Social, Luciene Gomes da Silva, e a secretária-adjunta de Educação do DF, professora Eunice Ferreira dos Santos.

Indignação - "O que fizemos de errado?", questiona Lucilene Gomes da Silva, a porta-voz do grupo, "o secretário de Educação nos deu plena certeza de que nossas vagas estavam garantidas!"e denuncia: "nós temos provas de que pessoas sem qualquer qualificação foram contratadas".

:Para o deputado Bispo Renato, membro da CES, está claro que "há muita coisa errada" na situação. Como advogado, o parlamentar ressalta que, especialmente, no que diz respeito ao direito trabalhista há claras falhas e sugere ao presidente da Comissão que peça, por requerimentoao GDF, o esclarecimento sobre os critérios usados para a selação das novas monitoras. Bispo Renato disse acreditar que se encontrará uma solução negociada para o problema.

Histórico - A deputada Eurides Brito, ex-secretária de Educação em vários períodos distintos, lembrou que o problema configurou-se no início de 1990 quando a Secretaria passou a administrar as creches dos CAICs - Centros de Atenção Integral à Criança. Na estrutura do GDF de então, a educação pré-escolar era atribuição da Secretaria de Ação Social. Na época, a solução foi um convênio entre as secretarias.

Em 1999, com mudanças na legislação federal, o ensino pré-escolar passou a ser atribuição da Secretaria de Educação e o problema agravou-se. Eurides Brito disse que, então, inciou um movimento para a criação da categoria de monitores de educação infantil na carreira da secretaria de forma a permitir a realização de concurso público para contração dos profissionais necessários."Mas não onseguimos", disse a parlamentar segundo a qual a solução  foi fazer uma licitação "para que instituições sociais tomassem conta das creches". Três Organizações Sociais foram selecionadas e a Secretaria definiu os critérios para contratação de monitores e "encaminhou as pessoas a serem contratadas". Eurides Brito ressaltou que os contratos eram todos temporários o que, segundo a deputada, levou alguns monitores à Justiça contra as Organizações Sociais. A ex-secretária acredita que o problema só terá solução quando for possível criar a categoria de monitores na carreira da Educação.

Terceirização - A subscretária de Educação do governo Arruda, Eunice Ferreira dos Santos, ex-consultora jurídica da Secretaria, abriu seu pronunciamento lembrando a todos que o gestor público não tem a "prerrogativa de fazer o que quer ou o que acha certo". "O gestor público tem que fazer o que manda a lei", disse Eunice para justificar o processo seletivo efetivado pela Secretaria para contratar monitores de creches no início deste ano.

Eunice Ferreira dos Santos disse que durante todo o ano de 2007 a Secretaria  buscou uma solução para o problema e que a terceirização do serviço - permitida pela Lei 1.169/69 - foi a opção para que em 2008 as creches voltasem a funcionar regularmente. O processo de seleção, contestado pelas ex-monitoras, foi, segundo a sub-secretária, "claro e tranasparente". Dos mais de onze mil candidatos que tiveram sua documentação analisada por um grupo de servidores da Secretaria, 429 foram contratados.
 Eunice acredita que a dificuldade de entender as exigências feitas pelo edital foi a principal causa de desclassificação de candidatos que não conseguiram comprovar, com a documentação mínima necessária, a experiência mínima requerida.

A subsecretária mostrou exemplos do que dizia e colocou todos os envelopes com a documentação dos concorrentes à disposição da Câmara Legislativa e informou às interessadas que, em razão dos questionamentos, o prazo para recursos foi estendido.

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