Audiência reivindica melhoria do ensino nas unidades de internação
Audiência reivindica melhoria do ensino nas unidades de internação
A melhoria da qualidade do ensino nas unidades de internação foi uma das reivindicações feitas pelos participantes da audiência pública que debateu a situação dos adolescentes no sistema socioeducativo do DF, na tarde desta sexta-feira (6), no auditório da Casa.
"Foi a educação que me ajudou a sair da criminalidade; é a escola o principal caminho da mudança", afirmou a ex-detenta do Caje, Ravena Carmo, que atualmente cursa Ciência Naturais na Universidade de Brasília (UnB). Ao narrar sua experiência no antigo Caje, como era conhecida a Unidade de Internação do Plano Piloto, Rovena defendeu o investimento em professores qualificados para atuar com os internos. Segundo ela, houve retrocesso nas escolas das unidades de internação. "Onde está o sócio e onde está o educativo?", questionou a estudante, que pretende pesquisar medidas socioeducativas em curso de mestrado na UnB.
Integrante do Coletivo das Cidades e morador de Santa Maria, Luís Fernando Torres, argumentou contra o preconceito e a exclusão de moradores "periféricos", as principais vítimas da evasão escolar no DF. Luís Fernando criticou a cobrança da taxa de R$ 100 de inscrição para o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB, que, segundo ele, impede o acesso de muitos estudantes do Ensino Médio a única universidade pública do DF.
"Adolescentes Protagonistas" – O representante do Instituto de Estudos Socioeducativos (INESC), Tiago David, apresentou os resultados do projeto "Adolescentes Protagonistas", sobre os direitos das crianças e dos adolescentes, realizado por alunos de escolas públicas do DF. Estudantes de escolas do Guará, Paranoá e Santa Maria defenderam o direito à saúde, à cultura, ao esporte e, até mesmo, o "direito de brincar" em suas cidades. Alunos da Cidade Estrutural protestaram, em performances, contra o preconceito por serem moradores daquela localidade e reclamaram, principalmente, da falta de escolas de ensino médio na cidade.
Orçamento - A prioridade absoluta para crianças e adolescentes nas execuções orçamentárias foi a defesa do deputado Wasny de Roure (PT), mediador da audiência. O parlamentar defendeu o cumprimento das diretrizes do Fundo dos Direitos da Criança e Adolescente, previsto pela Lei Orgânica do DF. Também defensora da priorização de crianças e adolescentes, a deputada Luzia de Paula (PSB), disse que "o pior tipo de preconceito é aquele relacionado à situação socioeconômica das pessoas".
O representante da Secretaria de Educação, Álvaro Sebastião, prometeu levar as reivindicações apresentadas no evento ao governador Rodrigo Rollemberg. Também participaram da audiência o reitor do Instituto Federal de Brasília (IFB), Adilson César; o presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA), Fábio Félix; o promotor de justiça da Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Público, Anderson de Andrade, entre outras autoridades, além de membros de conselhos tutelares de diversas cidades do DF.