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Associação denuncia existência de poços d'água clandestinos nos cemitérios

Publicado em 30/04/2008 13h19
O presidente da Organização Social dos Jardineiros dos Cemitérios do DF, Cícero de Jesus Melo, contou hoje aos deputados da CPI, na reunião extraordinária dessa manhã, que o Cemitério Campo da Esperança tinha quatro ou cinco poços supostamente artesianos, cujas águas eram utilizadas na sua manutenção. A existência desses poços foi denunciada à Agência Reguladora de Águas e Saneamento - Adasa, que os lacrou por duas vezes.

A questão da água nos cemitérios foi um dos pontos mais debatidos hoje. O deputado Reguffe (PDT) apresentou cópia do convênio assinado em 2002 entre a empresa Campo da Esperança Ltda. e a Organização dos Jardineiros, autorizando-os a cuidar dos túmulos, desde que se responsabilizassem pelo pagamento das contas de água.

Reguffe questionou o fato de que nenhuma conta foi paga e mais de seis anos depois alcançou a cifra de R$ 3,196 mil, enfatizando que esse não é um débito apenas com a Caesb, mas com toda a sociedade.
 Numa situação normal de inadimplência a água é cortada, mas no caso dos jardineiros foi religada por influências políticas, conforme admitido pelo próprio depoente, criticou o deputado.

Brunelli (DEM) avaliou que o governo pode "anistiar" a conta dos jardineiros dos cemitérios, da mesma forma como perdoa impostos devidos por empresários, bastando que mande um projeto de lei à Câmara Legislativa com essa finalidade. "É uma dívida social", concluiu. Para a deputada Erika Kokay (PT), a proposta é injustificável e não tem qualquer respaldo legal.   A deputada acredita que há ingerência política para permitir que os jardineiros continuem utilizando a água mesmo sem o pagamento da conta. Isso, na sua opinião, se configura como uma "relação de promiscuidade que precisa ser apurada." A água não é usada nos cemitérios apenas pelos jardineiros, afirmou Cícero Melo.
 Segundo o presidente da associação, há dois hidrômetros no Campo da Esperança: um, que registra o consumo da administração e das capelas, e outro, próximo ao Instituto Médico Legal, que contabiliza o que é gasto na própria manutenção do cemitério.

:Como essa manutenção é feita, em parte, pela própria empresa, via contratos firmados com as famílias dos mortos, ela tem responsabilidade sobre a conta, segundo Cícero Melo. Com a transformação da concepção para cemitério-parque, os túmulos são cobertos por grama, que tem de ser sempre irrigada para manter o verde.

 

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