(Do Sr. Deputado Fábio Felix)
Manifesta pesar pelo falecimento da atriz Léa Garcia.
Senhor Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal:
Com base no art. 144 do Regimento Interno desta Casa, proponho aos nobres pares a presente Moção de Pesar pelo falecimento da atriz Léa Garcia, ocorrido durante o Festival de Cinema de Gramado, em sua homenagem.
JUSTIFICAÇÃO
A presente Moção tem como objetivo manifestar nossos sentimentos de pesar em razão do falecimento da aclamada atriz carioca Léa Garcia, que nos deixa em meio ao Festival de Cinema de Gramado, em que seria homenageada por profícua carreira artística nos palcos e em frente às câmeras.
Léa Lucas Garcia de Aguiar nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de março de 1933, e foi uma das atrizes negras mais reconhecidas no teatro e no cinema brasileiros. Amante também da poesia, teve sua obra influenciada pelos escritores Cruz e Sousa e Langston Hughes. Estreou nos palcos em 1952, com a peça Rapsódia Negra, de Abdias do Nascimento, interpretando a poesia de Castro Alves.
A atriz também se consagrou nos palcos com as peças Anjo Negro e Perdoa-me por me traíres, de Nelson Rodrigues; Cenas Cariocas; Orfeu da Conceição de Vinícius de Morais e Tom Jobim, dirigida por Léo Jusi; Casa Grande e Senzala sob a direção de João Mendonça; Soraia Porto 2, de Pedro Bloch; Piaf, com Bibi Ferreira; Para as mulheres que pensaram em suicídio quando basta o arco-íris, de Ntosake Shango; Romeu e Julieta, sob direção de Sérgio Brito; O maior amor do mundo de Cacá Diegues; Pequenas raposas de Lillian Hellman, sob a direção de Naum Alves; entre outras.
Em sua carreira no cinema, Léa concorreu à Palma de Ouro de 1957, conquistando o segundo lugar no Festival de Cannes pela sua atuação como Serafina no filme Orfeu negro de Marcel Camus. Foi destaque, também nos longas Ganga Zumba, de Cacá Diegues; Cruz e Sousa, poeta do Desterro, de Sylvio Back; O maior amor do mundo de Cacá Diegues, entre outros.
O ativismo antirracista também se apresenta de forma proeminente em sua obra. Destaque para o a interpretação de Léa como Leila, na novela Marina (1980), em que interpreta uma professora de um colégio de elite, em São Paulo, onde conta a história verdadeira de Zumbi dos Palmares.
Léa faleceu hoje, dia 15 de agosto de 2023, em meio ao Festival de Cinema de Gramado, no dia em que seria homenageada, ao lado da também atriz Laura Cardoso, pela sua brilhante carreira como atriz. Sua presença nos palcos, na televisão e nos cinemas será sentido pelo Brasil e pelo Mundo, assim como o imaginário cultural jamais esquecerá dos papéis que Léa desempenhou com tanto talento e dedicação.
Em razão disso, convido os nobres pares a se juntarem a nós, transmitindo em nome dessa Casa e da população do Distrito Federal, nosso mais sinceros sentimentos pela passagem de Léa Garcia.
Sala das Sessões, em …
Deputado FÁBIO FELIX