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Crianças e adolescentes protestam contra o trabalho infantil

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"Educação. Educação. Educação". Essa foi a receita dada pelo deputado Joe Valle (PDT) para que  a sociedade  tenha sucesso na difícil luta contra o trabalho infantil, no Brasil. O apelo foi feito  na  audiência pública da Câmara Legislativa, proposta e presidida pelo distrital, na manhã desta  sexta-feira (12),  quando se comemora o Dia Internacional de  Erradicação do Trabalho Infantil.

Dezenas de  jovens  estudantes da rede pública e também representantes de entidades  que  atuam na defesa dos interesses da infância e adolescência participaram do evento, no plenário, com o mesmo discurso: em vez de repressão precisamos de  mais investimentos em educação , pelo Estado. Eles também foram unânimes em condenar a proposta de redução da maioridade penal que está sendo apreciada  no Congresso Nacional.

Ao abrir o debate, que contou também  com a participação da deputada  Luzia de Paula (PEN), Joe Valle enfatizou  a gravidade do antigo problema  da prática do trabalho infantil, em  todo o País. Segundo lamentou, no DF  existe hoje cerca de 17 mil crianças e adolescentes expostos a  essa situação. "Temos que garantir recursos no Orçamento para serem aplicados em políticas públicas em favor dos  nossos jovens, garantindo a eles educação de qualidade", ressaltou.

O representante do PET-DF, Fórum de Prevenção e Erradicação do  Trabalho Infantil  do Distrito Federal, Coraci  Coelho, pregou a ampliação do controle social  para o combate ao problema . Além da melhoria da qualidade de ensino e de mais escolas integrais, defendeu a  ampliação dos espaços culturais a serem frequentados pelos jovens, "expostos nas ruas em situações de risco".

"O problema é grave. Persiste ainda na sociedade um tabu cultural   sobre a infância e adolescência  que diz que é melhor trabalhar do  roubar, como se essas fossem as  únicas opções para os jovens. O melhor para eles  é estudar", enfatizou, ao criticar a "lacuna do Poder Público" no enfrentamento dessa situação. O presidente da Associação  Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Carlos Eduardo Lima, endossou as críticas à situação de omissão do poder público lamentando que  "há uma aceitação social" do trabalho infantil".

 Reivindicações – "Mais cultura, mais saúde e educação para nós, jovens da periferia". O  protesto foi feito pelo  estudante  Wiliam Souza, de 15 anos, morador da Estrutural, entre vários outros  que puderam se manifestar na audiência pública. Dyrle Viana, militante do Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil,  29 anos, denunciou  a falta de resposta da sociedade ao "extermínio das crianças negras,  expostas  à criminalidade crescente".

Depois de ouvir  as manifestações dos jovens e dos representantes das entidades, a socióloga Márcia Rollemberg (mulher do governador do DF) colocou-se à disposição de todos os envolvidos  para participar das ações  em defesa de mais recursos no  Orçamento  em favor dos jovens, a fim de garantir a  permanência dos alunos nas escolas. Ao elogiar o nível das intervenções feitas no debate, Luzia de Paula defendeu que, além da criação de mais escolas integrais, o DF necessita  ampliar também o número de creches, " importantes tanto para as famílias carentes, como para a classe média, pois nossas crianças não podem ficar abandonadas nas ruas", exortou. 

Zildenor Ferreira Dourado

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