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Desafios da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) marcam debate na CLDF

Desafios da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) marcam debate na CLDF

Sex, 12 Abr 2019 20:24

Desafios da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) marcam debate na CLDF

Desafios da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) marcam debate na CLDF

A Comissão de Educação, Saúde e Cultura (Cesc) da Câmara Legislativa realizou audiência pública nesta sexta-feira (12) para discutir o projeto político-pedagógico da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs). A entidade tem entre suas atribuições a manutenção da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), que desde 2001 oferece o curso de medicina e, desde 2009, o de enfermagem. Demandas relacionadas ao corpo docente e à infraestrutura das duas faculdades dominaram o debate, que contou com a participação de gestores, professores e estudantes.

"Sei o desafio de estudar numa escola pública ainda sem o reconhecimento que precisa ter. Essa audiência é para que possamos conhecer o propósito da nova gestão e as principais dificuldades, para que a Casa possa desempenhar uma de suas principais funções: a de fiscalizar", afirmou o deputado Leandro Grass (Rede) ao abrir o debate.

Já a deputada Arlete Sampaio (PT), que é médica de formação, destacou que a ESCS é o "embrião" do que vem sendo defendido há anos: a criação de uma universidade distrital. Ela elogiou os princípios cultivados pela instituição, entre eles a igualdade de condições para o acesso e a permanência nos cursos, o pluralismo de ideias e a valorização da experiência extraescolar. A distrital lamentou o nível de investimentos e apontou um antigo problema da Escola: a falta de um corpo docente próprio.

O diretor executivo da Fepecs, Marcos de Sousa Ferreira, apresentou o planejamento estratégico da fundação, deixando clara a intenção de criar novos cursos de graduação e de constituir um complexo universitário para a Secretaria de Saúde do DF. Além disso, expôs alguns projetos em andamento, como a implantação de um laboratório de simulação realística. Números sobre o desempenho da ESCS também foram apresentados: o curso de medicina, por exemplo, já formou 1.014 profissionais e registra 521 alunos matriculados; no caso da enfermagem, foram formados 368 profissionais e 244 estão em formação. Conforme destacou, a Fepecs mantém, também, cursos técnicos – como de análise clínica e saúde bucal – e de pós-graduação e extensão.

Demandas – O diretor da ESCS, Ubirajara Picanço, explicou que a entidade está passando por processo de revisão de sua estrutura física e técnico-acadêmica, em resposta ao crescente número de estudantes. Em sua opinião, contudo, a situação do corpo docente é uma das principais preocupações.

A ESCS não conta com quadro próprio e, desde que foi criada, os professores – que são servidores da Secretaria de Saúde – dividem a carga horária entre as atividades como médicos ou enfermeiros e o ensino em sala de aula. "Não somos meros profissionais de educação. Somos profissionais de saúde desenvolvendo educação. Somos da assistência e do ensino, mas não somos entendidos, plenamente, pelos órgãos de controle e de governo", reclamou. E cobrou: "Nossa função precisa ser reconhecida política e legalmente".

O coordenador do curso de enfermagem da ESCS, Rinaldo Neves, lembrou que a organização curricular dos dois cursos da Escola Superior visa a promover a articulação entre teoria e prática. "Essa é a nossa principal potencialidade. Somos enfermeiros e médicos da assistência e estamos na docência. Vivenciamos problemas que acontecem nas unidades básicas e nos hospitais e levamos para a prática pedagógica. Na sala de aula, trabalhamos com problemas reais", disse.

O enfermeiro aproveitou para elencar três problemas prioritários para a graduação em sua área. O primeiro é o déficit de docentes: o número ideal é 86 professores, mas o curso conta atualmente com 67 – dos quais, quatro atuam na gestão do curso e sete estão de licença médica ou maternidade. A segunda reclamação tem a ver com a infraestrutura física do campus de Samambaia, onde é ofertado o curso de enfermagem. Neves cobrou calçamento ao redor da escola e na parte interna; a ampliação e pavimentação do estacionamento, que só tem capacidade para 30 carros; mais salas de aula; a construção do centro acadêmico e de um laboratório de informática, a ampliação do acervo físico e digital da biblioteca, entre outras demandas. A terceira questão tem a ver com a força de trabalho: o professor pediu legislação para promoção e incentivo à qualificação acadêmica.

Bastante mobilizados pela melhoria da Escola Superior de Ciências da Saúde, diversos estudantes usaram o microfone para apresentar suas reivindicações. A presidente do CA de Enfermagem, Gabriele Nunes, pediu a unificação dos campi de enfermagem e medicina e a alternância entre médicos e enfermeiros na direção da entidade. Ela defendeu, ainda, a atualização do acervo da biblioteca e que 30% dos docentes atuem, exclusivamente, na ESCS, desempenhando funções de coordenação, orientação de trabalhos de conclusão de curso (TCC), entre outras.

Além disso, a estudante fez questão de destacar que, todos os meses, os internos realizam 4 mil atendimentos à população, e isso apenas aqueles que estão concluindo os cursos.  "Se não houvesse essa participação, o déficit de atendimento na saúde pública seria ainda maior", comentou.

Por sua vez, o estudante de medicina José Renato da Costa Nóbrega saiu em defesa do corpo docente da ESCS. "Falam que a gente ‘rouba' da assistência, mas os docentes dividem carga horária", disse. Ele criticou também o valor da gratificação paga aos professores: "Não condiz com o nível dos profissionais". Finalmente, o estudante cobrou bolsas melhores para os estudantes. "Quem vem de fora não tem condições de se manter. Não tem moradia nem restaurante universitário", disparou.

O presidente da CESC, deputado Jorge Vianna (Podemos), concordou com a crítica ao valor da gratificação paga aos docentes. "Para a Secretaria de Saúde é uma maravilha: ela tem mestre e doutor pagando R$ 1.500,00 a mais", afirmou. O distrital disse, também, que em algum momento terá de haver concurso público específico para dar aula na ESCS, "para afastar o Tribunal de Contas, que está na cola".

Denise Caputo
Fotos: Rinaldo Morelli/CLDF
Comunicação Social – Câmara Legislativa