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Curtas destacam memória, luta indígena e violência em sessão no Cine Brasília

Curtas destacam memória, luta indígena e violência em sessão no Cine Brasília

Sex, 21 Set 2018 15:19

Curtas destacam memória, luta indígena e violência em sessão no Cine Brasília

Curtas destacam memória, luta indígena e violência em sessão no Cine Brasília

A quarta sessão da Mostra Brasília, que exibe os filmes concorrentes ao Troféu Câmara Legislativa, reuniu na noite desta quinta-feira (20) seis curtas-metragens com temáticas e estéticas bem diferentes, revelando a pluralidade da produção audiovisual do Distrito Federal. Na tela do Cine Brasília, templo do cinema na capital federal, foram exibidos filmes sobre temas como a luta pela demarcação das terras dos índios Guarani-Kaiowá, a memória, os direitos das mulheres presidiárias e a superação de violências contra a mulher. No palco, durante a apresentação das equipes, não faltaram discursos políticos. A programação da mostra se encerra nesta sexta-feira (21) com a exibição de três curtas e um longa-metragem (veja abaixo). 

O filme que abriu a sessão de quinta foi "Casa de Praia", dirigido pela cineasta e artista visual Duda Affonso. O curta, como destaca a produtora e assistente de direção Natália Duarte, resulta do trabalho do coletivo Ela Faz Cinema, que tem como objetivo viabilizar produções feitas por mulheres.

Também dirigido por uma mulher, "Terras Brasileiras" trata dos conflitos pela demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul. Durante a apresentação do filme, a diretora Dulce Queiroz apontou a Mostra Brasília como um importante espaço para o cinema da cidade e dedicou a exibição ao índio Guarani-Kaiowá Clodiode, que morreu durante as gravações enquanto lutava pelo direito à terra. Os índios daquela etnia, como informa o filme, percebem a terra como uma extensão do próprio corpo. "Essa sessão tem um caráter especial, há uma semana o Cimi (Conselho Indigenista Brasileiro) denunciou o Brasil por risco de genocídio. Não é exagero. A taxa de homicídio de índios é três vezes maior do que a do resto da população", disse.

Na sequência, foi exibida a ficção "Riscados pela Memória", de Alex Vidigal. Na trama, o dono de um sebo de discos, interpretado por Antonio Pitanga, se depara com LPs de segunda mão que pertenceram a um antigo amor. "Os riscos - em referência aos arranhões nos vinis - carregam memórias. Assim como as pessoas, os discos também têm cicatrizes", diz o protagonista. Vidigal dedicou a exibição da obra a Pitanga, "o maior ator negro do Brasil", que está para completar 80 anos.

A temática da memória também está em "In Memoriam", dirigido por Gustavo Fontele Dourado e Thiago Campelo. A narrativa é costurada por anúncios da fictícia Rádio Memória Viva, especializada na divulgação de obituários. "É uma felicidade estrear o filme aqui, num festival que acompanho desde criança", agradeceu Dourado.

Feminismo – A bandeira da eqüidade de gênero foi defendida mais uma vez no palco e na tela do Cine Brasília. "Presos que menstruam", dirigido por Alisson Sbrana, aborda o cotidiano de presidiárias num sistema carcerário preparado para homens, alheio às necessidades das presas. Ficção baseada em histórias reais, o filme acompanha a história de Gardênia, presa por tráfico de drogas enquanto estava grávida. Ao dar à luz na prisão, a personagem – assim como muitas outras em situação semelhante – não pôde sequer segurar a filha depois do parto. A apresentação do filme foi marcada por manifestações pelos direitos das mulheres – em apoio à campanha nacional "Ele Não" – e pela fala da realizadora, atriz e preparadora de elenco Catarina Accioly contra o machismo no cinema e nos sets de filmagem.

A última atração da noite foi "À Tona", dirigida por Daniella Cronemberger. "É um filme sobre mulheres que passaram por violências e conseguiram sobreviver e se reerguer. E ainda compartilharam as histórias de forma corajosa, para ajudar outras em situação semelhante", explicou. A diretora destacou que essa é a primeira edição do Festival de Brasília em que as diretoras mulheres são maioria, mas ressaltou que a questão ainda precisa evoluir: "Na Mostra Brasília, apenas cinco dos 21 filmes selecionados são assinados por mulheres".

Ainda durante a apresentação do curta, a diretora de fotografia Dani Azul leu um documento assinado por profissionais e técnicas da área defendendo e explicando a importância da contratação de mulheres para o ofício, em prol da diversidade e do enriquecimento de olhares e narrativas. "A presença de mulheres na fotografia é uma questão política urgente", frisou. Para conhecer algumas profissionais da área, acesse a página eletrônica do Coletivo das Diretoras de Fotografia do Brasil (www.dafb.com.br).

Vitrine - A Mostra Brasília faz parte da programação do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e este ano conta com a participação de 21 filmes. As produções disputam o 23º Troféu Câmara Legislativa, que vai distribuir um total de R$ 240 mil em prêmios, divididos entre várias categorias (veja abaixo). O melhor longa-metragem escolhido pelo júri oficial receberá R$ 100 mil, e o curta, R$ 30 mil. O júri popular também vai eleger os vencedores nas duas categorias, que receberão, respectivamente, R$ 40 mil e R$ 10 mil.

O melhor longa-metragem segundo o júri popular receberá, ainda, R$ 100 mil da Petrobrás, para serem aplicados na distribuição do filme no circuito comercial, em 10 salas de cinema de três das principais cidades brasileiras. O melhor longa eleito pelo júri oficial também receberá o Prêmio CiaRio, no valor de R$ 16 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da empresa MovieCenter. Já o curta-metragem indicado pelo júri oficial receberá, por sua vez, o Prêmio CiaRio de R$ 8 mil, para locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da empresa Naymar.

Incentivo – O Troféu Câmara Legislativa do DF foi criado em 1996 para reconhecer o talento dos cineastas brasilienses e incentivar os jovens realizadores, ajudando a consolidar a Mostra Brasília e a produção audiovisual da cidade. Desde então, já foram distribuídos R$ 2,4 milhões em premiações a nomes que viriam a ser reconhecidos nacional e internacionalmente, como a documentarista Maria Augusta Ramos e os diretores Adirley Queirós, José Eduardo Belmonte, René Sampaio, Betse de Paula, Santiago Dellape, entre outros.

Programação de sexta-feira (21), às 18h

- "O mistério da carne" (ficção, 18 min, 2018, DF, 16 anos) de Rafaela Camelo; 
- "Sinucada" (ficção, 16 min, 2018, DF, 14 anos) de Rafael Stadniki; 
- "Noroeste" (documentário, 13 min, 2018, 10 anos) de Lucas Ferreira Gesser;
- "New Life S.A." (ficção, 78 min, 2018, 14 anos) de André Carvalheira.

Prêmios do Júri Oficial do Troféu Câmara Legislativa

a) melhor longa-metragem: R$ 100.000,00
b) melhor curta-metragem: R$ 30.000,00
c) melhor direção: R$ 12.000,00
d) melhor ator: R$ 6.000,00
e) melhor atriz: R$ 6.000,00
f) melhor roteiro: R$ 6.000,00
g) melhor fotografia: R$ 6.000,00
h) melhor montagem: R$ 6.000,00
i) melhor direção de arte: R$ 6.000,00
j) melhor edição de som: R$ 6.000,00
k) melhor trilha sonora: R$ 6.000,00

Prêmios do Júri Popular

a) melhor longa-metragem: R$ 40.000,00
b) melhor curta-metragem: R$ 10.000,00

Denise Caputo
Fotos: Carlos Gandra

Comunicação Social – Câmara Legislativa