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Conselhos profissionais condenam cursos à distância de saúde

Conselhos profissionais condenam cursos à distância de saúde

Seg, 24 Set 2018 00:22

Conselhos profissionais condenam cursos à distância de saúde

Conselhos profissionais condenam cursos à distância de saúde

Em audiência pública promovida pela Câmara Legislativa do Distrito Federal nesta sexta-feira (21), representantes de vários conselhos regionais de profissionais condenaram a existência e o crescimento dos cursos de educação à distância (EaD) na área de saúde. O debate foi promovido pelos deputados Raimundo Ribeiro (MDB) e Celina Leão (PP) e contou também com a participação de estudantes.

O deputado Raimundo Ribeiro explicou que o objetivo do debate foi jogar um pouco de luz sobre um assunto moderno, diante do crescimento desta modalidade de ensino. Para ele, é importante que a Câmara discuta o assunto pensando no bem-estar do cidadão. Ribeiro anunciou que apresentará ao novo governador do DF um anteprojeto para restringir as áreas que podem contar com cursos à distância, já que o tema é de competência do Executivo.

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do DF, Gilcilene Maria dos Santos, se manifestou por meio de um vídeo e informou que está em curso um movimento dos conselhos das áreas de saúde contra o EaD. Ela defendeu que os cursos da área de saúde sejam inteiramente presenciais, por causa das peculiaridades das atividades. Gilcilene também ressaltou que o governo mal consegue fiscalizar os cursos presenciais, "imagine os cursos à distância".

Viviany Nicolau Coelho, também do conselho de farmácia, apresentou um panorama geral do crescimento dos cursos à distância no Brasil. Segundo ela, 690 mil vagas foram ofertadas nesta modalidade no ano passado. Ela destacou que o governo flexibilizou recentemente a modalidade de ensino, que até prevê uma parte dos cursos presencialmente, mas na prática esta exigência não vem sendo respeitada. O levantamento indica que 231 instituições atuam com EaD em 11.688 polos em todo o País, um universo praticamente impossível de ser fiscalizado, segundo ela.

O panorama apresentado registra o crescimento de vagas de EaD em enfermagem, farmácia, nutrição, educação física, entre outros. Para Viviany Nicolau, esta realidade é contraditória, pois ao mesmo tempo os cursos presenciais enfrentam várias exigências para funcionar. "O que está acontecendo é a mercantilização e a precarização do ensino superior no Brasil. Alguns destes cursos chegam ao cúmulo de oferecer aulas práticas online", afirmou. Na opinião dela, o EaD não consegue oferecer pilares como "conhecer, fazer e aplicar".

O secretário do Conselho Regional de Psicologia do DF, Vitor Barros Rego, disse que a categoria é contra o ensino à distância. Para ele, a profissão exige habilidade socioemocional e o contato humano. Segundo ele, o Conselho também está preocupado com a saúde mental dos estudantes, mesmo entre os que participam de cursos presenciais. Para ele, é importante ter um cuidado com os estudantes visando reduzir as dificuldades que eles enfrentarão no exercício profissional.

O presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do DF, Marcos Wesley Feitosa, disse que a entidade trabalha muito contra o EaD e desenvolveu uma campanha inclusive com vídeos em defesa da formação profissional presencial. Feitosa ponderou que os profissionais de enfermagem já não têm a valorização que deveria ter pela sociedade e uma formação malfeita só pioraria o quadro.

O presidente do Coren argumentou que os enfermeiros trabalham com a vida e um pequeno erro na administração de um medicamento por levar a morte. Para ele, com a formação à distância, "a sociedade está correndo um risco seríssimo". "Curso na área de saúde tem que ser presencial", completou.

Marina Zimmermann, do Conselho Regional de Medicina Veterinária, demonstrou preocupação com o tema e afirmou que os cursos têm que parar imediatamente. Marina explicou que também atua como professora de cirurgia em pequenos animais e ficou alarmada ao pensar como seria a formação à distância neste campo. Na opinião dela, os alunos também são prejudicados, pois terão muitos problemas de inserção profissional quando se formarem.

Luís Cláudio Alves
Fotos: Carlos Gandra/CLDF
Comunicação Social – Câmara Legislativa