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Homofobia e alcoolismo marcam abertura da Mostra Brasília

Homofobia e alcoolismo marcam abertura da Mostra Brasília

Ter, 18 Set 2018 14:54

Homofobia e alcoolismo marcam abertura da Mostra Brasília

Homofobia e alcoolismo marcam abertura da Mostra Brasília

A receptividade do público a temas fortes, como a homofobia e o alcoolismo, marcou a abertura da Mostra Brasília do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro na noite desta segunda-feira (17) no Cine Brasília. Os filmes selecionados para a Mostra Brasília concorrem ao Troféu Câmara Legislativa. Neste ano, em sua 23ª edição, foram selecionados para a Mostra 18 curtas e três longas.

Marés, de João Paulo Procópio, o primeiro longa-metragem da Mostra Brasília, levou para a tela a luta do personagem alcóolico, o fotógrafo Valdo, contra sua doença. A relação com a cidade se legitima tanto pelas paisagens locais, em cenas no Eixão do Lazer e na Água Mineral, quanto pelas imagens de manifestações políticas da história recente do País das quais o personagem participa. A "valsa triste", trecho da música "Bandolins" de Oswaldo Montenegro, que integra a trilha sonora do filme, captura a crise do personagem e de Brasília, palco dos acontecimentos políticos. A partir de acurada pesquisa nos Alcóolicos Anônimos (AA), João Paulo Procópio quis apresentar uma "possiblidade narrativa do olhar do outro" sobre quem sofre a doença e também "humanizar" os alcóolicos. 

Já o curta Para minha gata Mieze, de Wesley Gondim, abordou a homofobia. Em 25 minutos de narrativa tensa, a história visceral do veterinário Francisco, vítima de homofobia, é ambientada no Noroeste, o bairro mais novo de Brasília. "A homofobia é algo violento", sentenciou Gondim. A Brasília contemporânea também foi o espaço escolhido pelo cineasta Cícero Fraga, diretor do curta O homem banco, produção que nasceu de um projeto de pesquisa em artes cênicas.  "O filme é uma ode aos objetos e, de certa forma, um diálogo com Brasília", disse Fraga.

Mostra Brasília – Os cineastas destacaram a importância da Mostra Brasília para o universo audiovisual do DF. No total, o Troféu Câmara Legislativa distribuirá R$ 240 mil em prêmios. Voltado ao fomento da produção cinematográfica local, a premiação dará ao melhor longa-metragem, eleito pelo júri oficial, R$ 100 mil e, ao melhor curta-metragem, R$ 30 mil. Também serão premiados com R$ 12 mil a melhor direção e com R$ 6 mil o melhor ator, atriz, roteiro, fotografia, montagem, direção de arte, edição de som e trilha sonora. Eleitos pelo júri popular, o melhor longa concorrerá a R$ 40 mil e o melhor curta a R$ 10 mil.

Entrada franca – Nesta terça (18), o público poderá assistir, com entrada franca, aos curtas Entre parentes, de Tiago de Aragão; Monstros, de Douro Moura; A roda da fortuna, de Luciano Porto; A praga do cinema brasileiro, de Willian Alves e Zefel Coff; Brasilha, de Rafael Morbeck; e Me deixe não ser, de Kleber Machado. A exibição dos curtas começa às 18 horas.

Franci Moraes

Fotos: Carlos Gandra

Comunicação Social - CLDF