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Câmara realiza sessão solene para celebrar o Dia Nacional dos Surdos

A Câmara Legislativa realizou na manhã dessa quinta-feira (26) sessão solene em celebração ao Dia Nacional dos Surdos. O evento contou com a presença de representantes de associações civis e de entidades públicas atuantes na área, que listaram quais são os problemas enfrentados pela comunidade surda e o que as esferas governamentais têm feito em prol da mesma.

O deputado José Gomes (PSB) presidiu a solenidade e, em seu pronunciamento inicial, citou estatísticas sobre a população surda no Distrito Federal - cerca de 104 mil pessoas de acordo com uma pesquisa feita em 2013 pela Codeplan -, e seus principais desafios: inclusão, visibilidade e melhoria nas necessidades específicas. Também ressaltou como era difícil para os portadores de deficiência auditiva e seus familiares se fazerem ouvidos, porém citou avanços, como a recém-criada Secretaria Extraordinária da Pessoa com Deficiência e a construção da segunda Escola Bilíngue de Libras e Português Escrito, que tem previsão de ser aberta em 2020 e atender cerca de mil estudantes.

Um consenso entre os pronunciamentos foi o de que a população surda conquistou uma série de direitos e ocupou diversos espaços, o que deve ser celebrado, contudo, ainda há um longo caminho a ser percorrido para alcançar a total inclusão desses cidadãos em todas as áreas da sociedade.

A diretora de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos do Ministério da Educação, Karin Lilian Strobel, contou a trajetória da comunidade surda na luta por reconhecimento desde seu início, em 26 de setembro de 1857, com a fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos, a primeira escola para surdos no Brasil, que marca a data nacional. Ela explicou que a comunidade é formada não só por surdos, mas também por deficientes auditivos e surdos-cegos e que, frequentemente, a maioria dos familiares de crianças surdas são ouvintes e, portanto, despreparados para lidar com suas necessidades específicas. Como solução, destacou a importância do ensino da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS – como ferramenta de autonomia e desenvolvimento pessoal de portadores de deficiência auditiva.

Essa fala foi reiterada por vários ocupantes da mesa como Ilda Ribeiro Peliz, da Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação do MEC, que definiu a língua e sua importância. "A LIBRAS tem características linguísticas espaciais e visuais que traduzem todos os pensamentos e sentimentos das pessoas sinalizantes e está amplamente divulgada. A cada dia aumenta o número de pessoas que querem aprender esta língua tão interessante e importante. A LIBRAS deve ser estudada, pesquisada, divulgada e respeitada cada vez mais neste país", ela esclareceu.

Já Gláucio de Castro Júnior, coordenador do Núcleo de Ensino de LIBRAS da Universidade de Brasília, explicou a forma com que o ensino ministrado na UnB tem um retorno para a sociedade e desenvolve o protagonismo do pensamento da pessoa surda.

Victor Cesar Borges (estagiário)
Fotos: Rinaldo Morelli/CLDF
Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa